A bolsa explodiu. E vocês já sabiam que isso aconteceria!
A bolsa explodiu. E vocês já sabiam que isso aconteceria! Hoje, no primeiro pregão após o 1º turno, o Ibovespa subiu 7,70% e fechou em 206.911 pontos, a maior alta diária desde março de 2020, com volume recorde de R$ 79,3 bilhões. Mas o dado mais instrutivo não está no índice. Está em quem liderou a alta. Entre as maiores altas percentuais do dia, Magazine Luiza (+24,18%), Cosan (+23,79%) e B3 (+22,63%). Sem contar Simpar, Movida, JSL e outras. Ao longo da sessão, outras companhias com estrutura de capital mais pressionada, como Casas Bahia e Hapvida, também figuraram entre os destaques, ao lado de varejistas e do setor de crédito. Já Itaú, uma das maiores contribuições para o índice, subiu 10,37%. Ou seja: quanto maior a sensibilidade ao juro, maior foi a resposta. Por que as alavancadas sobem mais quando o juro futuro cai? i) Despesa financeira. Para uma empresa com dívida elevada, uma parte relevante do resultado operacional é consumida por juros. Quando as taxas longas recuam mais de 130 pontos-base, como ocorreu hoje, a expectativa de despesa financeira futura cai, e o lucro líquido projetado sobe de forma mais do que proporcional à variação do juro. É o efeito de alavancagem financeira operando no sentido favorável. ii) Rolagem da dívida. Empresas com vencimentos próximos precisam refinanciar a taxas vigentes. Juros e spreads menores reduzem o risco de rolagem e o custo da próxima emissão. iii) O capital próprio como opção sobre os ativos. Em empresas muito endividadas, o valor da ação funciona como o que sobra depois de pagar os credores, o que a torna mais sensível a pequenas variações no valor da empresa e nas condições de crédito. Quando o risco percebido cai, esse "resto" se valoriza proporcionalmente mais. Esse mecanismo é o que discutimos quando analisamos o potencial de alta maior em empresas com maior dívida: (texto de 2/9). A lógica era justamente essa. Em ciclos de queda do prêmio de risco e dos juros, a sensibilidade do patrimônio líquido à variação das taxas é maior onde a dívida pesa mais. E a assimetria? No dia 1º de setembro, escrevemos sobre a assimetria mudando de lado: [https://tc.tradersclub.com.br/feed/a-assimetria-esta-mudando-de-lado-7eee6]. A ideia central era que, com o cenário eleitoral e fiscal já bastante descontado nos preços, o balanço entre perdas e ganhos potenciais podia estar se invertendo, e uma virada de expectativas teria efeito desproporcional sobre os ativos mais pressionados. Hoje vimos o que acontece quando essa assimetria se manifesta: um movimento concentrado, em um único pregão, nos papéis mais sensíveis ao custo de capital. Ainda teremos muitas outras oportunidades pela frente. Os próximos movimentos, no segundo turno, na trajetória da Selic e na temporada de resultados do 3T26, vão gerar novas assimetrias, e muitas delas serão publicadas na plataforma do TC.
Por Lucas Uhlig (@lucasuhlig)