A pior semana da série para as small caps
A pior semana da série para as small caps O índice Small Cap (SMLL) fechou a sexta em 1.872,55 pontos. Na semana, a queda foi de cerca de 32,8%, contra 18,12% do Ibovespa. Só na segunda-feira (26/10) o índice recuou aproximadamente 27%, no dia em que o Ibovespa caiu 13,88% e acionou o circuit breaker. Em relação ao pico recente (9/10), a perda é de cerca de 34%. Em outubro, as small caps caíram em torno de 17%, mais que o Ibovespa. O contexto. Até 23/10 o índice acumulava forte alta no mês, o que refletia posicionamento do mercado em outro desfecho eleitoral. Com o resultado do segundo turno, houve reprecificação em bloco: dólar a R$ 5,44 (+9% na semana), DI de janeiro de 2035 com alta de 259 pontos-base e dúvida sobre o rumo fiscal. Quanto mais rápido o otimismo foi construído, maior a devolução. Principais quedas semanais entre os papéis do índice: Simpar (SIMH3): -68% Movida (MOVI3): -65% Ecorodovias (ECOR3): -60% Magazine Luiza (MGLU3): -60% Vamos (VAMO3): -60% Grupo SBF (SBFG3): -56% Randon (RAPT4): -54% Cosan (CSAN3): -54% Hapvida (HAPV3): -51% CEA Modas (CEAB3): -51% Eztec (EZTC3): -50% Cyrela (CYRE3): -48% Por que small caps sofrem mais: i) Desconto. O valor de uma empresa é o valor presente dos fluxos futuros. Com juro longo mais alto, quem tem lucro mais distante perde proporcionalmente mais. ii) Alavancagem. Com dívida alta e refinanciamento mais caro, o lucro que sobra ao acionista encolhe de forma desproporcional. A Cosan opera com dívida líquida de cerca de 8,5x EBITDA e a Ecorodovias, 4,1x. iii) Perfil setorial. Locadoras, varejo e construção dependem de crédito e consumo, ambos sensíveis a juros e câmbio. iv) Liquidez. Com menos negociação, ordens grandes movem mais o preço. As posições vendidas em small caps cresceram 10% em duas semanas, para R$ 36,5 bilhões, o que amplifica as quedas. Queda forte não significa deterioração do negócio, nem recuperação garantida. O que muda é o preço exigido pelo risco, e cada empresa segue pedindo análise individual. O Copom de 4/11 e os sinais fiscais das próximas semanas são os próximos pontos de referência.
Por Lucas Uhlig (@lucasuhlig)