$BRKM5 Enfim as novas projeções para Braskem
$BRKM5 Enfim as novas projeções para Braskem O fechamento do Estreito de Ormuz mudou de forma relevante a dinâmica global das petroquímicas. Ao restringir fluxos de petróleo e derivados do Golfo, o evento pressiona a oferta marginal e eleva os spreads de produtos como polietileno e polipropileno. Na prática, isso desloca a curva de custo global e cria um ambiente muito mais favorável para produtores fora da região — e é exatamente nesse ponto que a Braskem entra na discussão. Depois de um 2025 bastante fraco, com receita de R$ 70,7 bilhões, EBITDA de R$ 3,1 bilhões e margem comprimida em 4,5%, a companhia aparece como uma alavanca direta a essa melhora de spreads. Utilizando os números do Citi, que deu upgrade hoje para as ações da Braskem, as novas estimativas refletem bem isso: a receita até cresce, mas nada extraordinário (chegando perto de R$ 95 bilhões em 2028). O que realmente muda o jogo é o EBITDA, que salta para R$ 10,8 bilhões em 2026 e passa de R$ 13 bilhões em 2028 — mais de três vezes o nível de 2025. É o típico caso de alavancagem operacional forte: pequenas mudanças em preço geram grandes impactos em resultado. Com isso, as margens voltam para um patamar mais saudável, entre 12% e 14%, e a geração de caixa vira completamente. A empresa sai de um FCF negativo em 2025 (-89%) para algo próximo de 40% já em 2026, podendo passar de 60% no fim do ciclo. Ou seja, a tese de “40% de yield de caixa” faz sentido dentro desse novo ambiente de spreads. Apesar da melhora operacional clara, a Braskem ainda carrega uma estrutura de capital bastante pressionada. A demora do Cade em aprovar a troca de controle bagunçou a negociação com bondholders e possivelmente não vai ser possível fazê-lo antes de maio, com isso, a cia que tem menos de US$ 2 bilhões em caixa, sendo que cerca de US$ 1,2 bilhão vence já no curto prazo, vai ter dificuldade em rolar essa dívidas sem acordo mais amplo (potencialmente uma extrajudicial) Em outras palavras: o case melhorou muito do ponto de vista operacional, mas ainda depende de atravessar um trecho delicado de liquidez. O mercado tende a olhar menos para o EBITDA projetado de 2–3 anos e mais para a capacidade da empresa de honrar compromissos no curto prazo sem precisar recorrer a soluções mais custosas ou dilutivas. Então, apesar da mudança estrutural positiva trazida pelo fechamento do Estreito de Ormuz, o ponto de entrada deixa de ser óbvio. Mas inegavelmente se conseguirem costurar um acordo rápido, seria transformacional pra cia nessa “ajuda” global Em anexo as novas estimativas de spreads de PP, PVC e Nafta
Por Lucas Uhlig (@lucasuhlig)