Fim da escala 6x1: o que muda na conta das empresas
Fim da escala 6x1: o que muda na conta das empresas O Congresso promulgou hoje a emenda que reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e encerra a escala 6x1, com dois dias de descanso remunerado. A regra não vale de imediato: a transição começa 60 dias após a publicação, com teto de 42 horas, e chega às 40 horas depois de 14 meses. Vale olhar o mecanismo, mais do que a manchete. Para a empresa, a mudança funciona como um aumento do custo da hora trabalhada: se o salário mensal é mantido e as horas diminuem, o custo por hora sobe. Há três caminhos para absorver isso, e eles não são excludentes: ganhos de produtividade (processos, tecnologia, escalas mais eficientes), contratação adicional para cobrir os turnos (o que eleva a folha) ou repasse parcial a preços. Qual deles predomina depende da estrutura de cada setor. É por isso que o efeito tende a ser desigual. Atividades com operação contínua e mão de obra intensiva, como varejo, alimentação fora do lar, serviços e logística, têm menos margem para "esticar" a produtividade e dependem mais de reorganizar turnos. Já setores com folha pequena em relação à receita sentem menos. Os 14 meses de transição existem justamente para que esse ajuste seja diluído, e é no detalhamento das empresas (comunicados, teleconferências de resultado) que dá para medir a velocidade da adaptação. Do ponto de vista macro, há ainda o efeito sobre a inflação de serviços, que é sensível a custo de mão de obra, variável que o Banco Central acompanha de perto ao calibrar a política monetária.
Por Lucas Uhlig (@lucasuhlig)