Juro alto cobra a conta no crédito. E BBDC4 e SANB11?
Juro alto cobra a conta no crédito. E BBDC4 e SANB11? O Banco Central divulgou hoje o crédito de setembro: estoque de R$ 7,44 trilhões, alta de 0,4% no mês e de 8,6% em 12 meses, em desaceleração. Entre as pessoas físicas, a inadimplência no crédito livre subiu para 8,1%; a inadimplência total ficou estável em 5%. O mecanismo: com juro básico alto por muito tempo, o crédito caro (cartão rotativo, cheque especial) pesa sobre uma renda que não acompanha. Mais renda vai para o serviço da dívida, sobra menos para consumo e os atrasos aumentam. Os bancos respondem com mais provisões e mais cautela na concessão, o que pode reforçar a desaceleração. Os balanços do 3º trimestre mostram esse ciclo de dentro das carteiras: Inadimplência acima de 90 dias 4,6% no Bradesco e 3,4% no Santander (ambos com altas de ~0.5p.p), enquanto as provisões subiram 24% no Bradesco e 14% no Santander A provisão é uma despesa registrada antes de o calote se confirmar: quando a inadimplência sobe, o banco separa mais lucro para perdas esperadas. No Santander, isso veio com margem financeira menor (−1,6% em 12 meses) e o lucro caiu. No Bradesco, receitas maiores (+8,4%) e eficiência melhor (45,4%) absorveram a alta das provisões. O banco, porém, espera mais pressão sobre inadimplência e custo do crédito em 2027. Ou seja, crescer a carteira não garante rentabilidade: o que conta é o spread frente ao custo de captação e às perdas esperadas. Talvez o principal ponto de 'consolo' dentro do quadro atual é: Bradesco e Santander negociam em patamares historicamente baixos ~0,8x book e, na minha visão, representam uma bela oportunidade de compra para quem tem um horizonte mais longo!
Por Lucas Uhlig (@lucasuhlig)