⛏️ MEU OURO, MINHAS REGRAS
⛏️ MEU OURO, MINHAS REGRAS Produtores de ouro estão retendo cada vez mais sua produção internamente. Países da Ásia e da África estão tomando medidas para refinar uma parcela maior da produção local, restringir exportações e fazer com que seus bancos centrais adquiram o ouro extraído no próprio território, à medida que a confiança no dólar americano diminui e sanções evidenciam os riscos de manter reservas atreladas à moeda americana. A China reforça essa tendência: sendo a maior produtora mundial de ouro, o país extrai mais de 380 toneladas por ano e restringe as exportações do metal por meio de um sistema de licenciamento. A Indonésia adota uma abordagem diferente, produzindo mais de 100 toneladas anuais e planejando a implementação de um imposto de exportação de até 15% em 2026, visto que a oferta interna tem dificuldade em atender à demanda para fins de investimento. O Laos concentra-se em capturar mais valor de sua própria produção, estimada entre 500 e 1.000 toneladas de reservas, ao produzir cerca de 12 toneladas em 2025 e desenvolver capacidade de refino local, revertendo o histórico de exportar grande parte de seu ouro na forma de minério de baixo valor agregado. Essa mesma mudança se dissemina pela África: o banco central de Madagascar está adquirindo ouro produzido internamente, e Gana intensifica esforços para reter uma parcela maior do valor gerado por seus recursos auríferos. Se mais produtores optarem por manter o ouro internamente em vez de enviá-lo para os mercados internacionais, haverá menos metal disponível para refinadores e compradores globais, criando mais um fator estrutural de pressão de alta sobre os preços do ouro. A tese de alta para o ouro a longo prazo ganha, assim, mais um poderoso impulso favorável.
Por Rodrigo Costa (@rodrigoadcosta)