*Rosa Riscala: Copom faz pausa; onda azul sacode mercados* ...
*Rosa Riscala: Copom faz pausa; onda azul sacode mercados* ... *Rosa Riscala: Copom faz pausa; onda azul sacode mercados* BC ganha tempo para avaliar a piora das expectativas de inflação e as incertezas fiscais após a reeleição de Lula, deixando as próximas reuniões em aberto … O Copom fez uma pausa no ciclo de cortes e manteve a Selic em 13,75%, ganhando tempo para avaliar a piora das expectativas de inflação e as incertezas fiscais após a reeleição de Lula, deixando as próximas reuniões em aberto. Mas ontem o alívio veio de fora: a onda azul nas eleições americanas enfraqueceu Trump, derrubou o petróleo e provocou uma festa em Wall Street, com recuo dos Treasuries e do dólar. No Brasil, os juros futuros recuaram fortemente e o Ibovespa voltou a subir, enquanto cresce a expectativa por um pronunciamento de Lula. A agenda desta quinta-feira traz produção industrial, decisão de juros do Banco da Inglaterra e uma bateria de balanços na B3. BC GANHA TEMPO – Diante da turbulência provocada pela reeleição de Lula e das incertezas sobre a política fiscal do próximo governo, o Copom optou por ganhar tempo. A decisão de manter a Selic em 13,75% interrompeu o ciclo de flexibilização, mas não o encerrou. … Ao deixar em aberto os próximos passos, o BC afastou, por ora, a perspectiva de uma nova alta e preservou a possibilidade de retomar os cortes quando houver maior clareza sobre a equipe econômica e, sobretudo, sobre o compromisso do Lula 4 com a trajetória da dívida pública. … O comunicado expôs o dilema enfrentado pelo BC: a inflação e as expectativas pioraram justamente quando a atividade econômica passou a dar sinais mais fortes de desaceleração. O Comitê reconheceu o cenário “desafiador” para a política monetária. … A mudança de diagnóstico em relação à reunião de setembro foi expressiva. A atividade, antes descrita como em “moderação gradual”, passou a apresentar “moderação mais acentuada”, sobretudo nos setores cíclicos. … E o mercado de trabalho, até então aquecido em setembro, continua resiliente, mas já mostra sinais de desaquecimento na margem. … Na direção oposta, a inflação e as medidas subjacentes, que vinham desacelerando e estavam abaixo do teto da meta, ultrapassaram o limite de tolerância. As expectativas do Focus para 2026 subiram de 4,9% para 5,2%, e as de 2027 passaram de 4,3% para 4,8%. … Mais significativa foi a revisão das projeções do próprio BC. … A inflação estimada para 2027 saltou de 3,9% para 4,7%, e para 2026 avançou de 5,2% para 5,6%. No horizonte relevante da política monetária, que passou do primeiro para o segundo trimestre de 2028, a projeção subiu de 3,2% para 3,5%, afastando-se ainda mais da meta de 3%. … Diante do cenário subitamente desfavorável, o BC também endureceu o tom da mensagem e retirou do texto a referência à definição da “magnitude total do ciclo de calibração” à luz de novas informações, presente no comunicado de setembro. … A exclusão enfraquece a sinalização de continuidade dos cortes, mas não foi acompanhada de qualquer indicação de que o ciclo esteja definitivamente encerrado ou de que a Selic permanecerá em 13,75% por um período prolongado. … A política fiscal continua no centro das preocupações. O BC reiterou que acompanha seus efeitos sobre os ativos financeiros e a política monetária, num ambiente de desancoragem das expectativas, depreciação cambial e aumento dos prêmios de risco. … Ao pausar o ciclo, o Copom compra tempo para avaliar se a deterioração das expectativas será absorvida ou revertida. … Na hipótese mais favorável, a definição da equipe econômica e a apresentação de medidas fiscais capazes de melhorar a percepção sobre a dívida pública poderão abrir espaço para novos cortes. Por enquanto, o BC preferiu não se comprometer com nenhuma direção. A DURAÇÃO DA PAUSA – As primeiras avaliações dos economistas convergem na leitura de que a piora da...
Por Claudinho (@joliveirajco)