THREAD CALL 31.03 - MONITORANDO AS EXPECTATIVAS
$SP500 $SPY $QQQ $IWM 1 - Bom dia, turma! Tudo bem? A impressão que fica das últimas sessões é que as expectativas de juros passaram por um dos episódios de reprecificação mais violentos que vimos em muito tempo. O primeiro corte, **assumindo que não haja alta**, agora migrou para setembro de 2027 com 53% de probabilidade. Mas um segundo corte segue essencialmente fora do radar, com dezembro de 2027 a apenas 39%. Ou seja, **o mercado está dizendo:** talvez a gente consiga um corte eventualmente, mas o ciclo de afrouxamento que todo mundo precificava algumas semanas atrás morreu. O que sobra é um mercado que precifica o Fed essencialmente parado até boa parte de 2027. Para posicionamento, isso mantém o dólar sustentado, coloca um piso nas taxas curtas, e preserva a pressão sobre ativos sensíveis a duration e carry trades de mercados emergentes. 🗓️ **Passando para a agenda macro:** Apesar do calendário cheio, o JOLTS é provavelmente o que tem mais potencial de mexer com a narrativa de juros, mas a barra para isso, como acabamos de discutir, está materialmente mais alta do que estava há poucas semanas. 🎙️ No lado dos discursos do Fed, Bowman pode ser um divisor de águas, pois na última aparição ela ainda projetava três cortes de juros, **o que a coloca bem no lado dovish** de onde o mercado migrou. 📊 Nos earnings, Nike é provavelmente **o que oferece a leitura macro mais ampla**, dada a exposição ao consumidor, tendências de gasto discricionário e dinâmica de demanda da China. $IBOV $EWZ 2 - Olhando para o Brasil, os dados de crédito de fevereiro apontam para uma perda de tração. As concessões de crédito caíram, a qualidade piorou marginalmente e os juros subiram, **tudo isso com o endividamento das famílias ainda em patamares elevados.** Na prática, o Copom está navegando pelo seu próprio Estreito de Hormuz: apertando o suficiente para ancorar expectativas sem apertar demais a ponto de gerar uma contração de crédito que se retroalimente. No lado das expectativas de inflação, vimos mais uma rodada de deterioração. Porém, a alta segue concentrada em janelas mais curtas, **que é exatamente o horizonte onde a política monetária tem menos tração.** A boa notícia, se é que se pode chamar assim, **é que a ancoragem de longo prazo ainda não rompeu.** Mas o risco é que, se os dados de curto prazo continuarem surpreendendo para cima, isso eventualmente migre para a parte mais longa da curva.
Por Júlio Vieira (@juliovieiraa)