Por: Luca Boni e Gabriel Ponte
São Paulo, 19/08/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa operava em firme alta no início da sessão desta quarta-feira, renovando máximas intradiárias sucessivamente na abertura, em linha com futuros dos Estados Unidos, após Tesouro americano anunciar intervenção no segmento de longo prazo do mercado de títulos, visando oferecer liquidez.
Vértices da curva de juros, bem como dólar futuro, foram às mínimas na sessão após o anúncio do Tesouro dos EUA de aumento do volume de recompras de títulos de longo prazo – na sequência do forte estresse visto recentemente no mercado de renda fixa global.
Por volta das 10h10, o Ibovespa avançava 1,43% a 168.694 pontos. O volume projetado de negócios na sessão somava R$25,1 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$16,8 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros operavam em queda de até 16,5 pontos-base, em linha com os rendimentos dos yields americanos, após intervenção do Tesouro dos EUA no mercado de Treasuries.
O dólar futuro operava em queda de 0,77% a R$5,190. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, recuava 0,52%, aos 99,12 pontos.
🇧🇷 BRASIL
No âmbito político, de olho nas eleições, o Goldman Sachs projeta uma reação moderada dos agentes de mercado em caso de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O cenário-base do banco aponta para a continuidade de uma administração com dificuldades fiscais, de acordo com Adam Crook, partner do Goldman Sachs.
De acordo com ele, agentes locais mantêm uma postura mais cautelosa e pessimista em relação a uma eventual vitória de Lula, avaliando que a eleição presidencial será o momento importante para o futuro da economia brasileira, temendo que uma nova gestão do petista adote políticas fiscais mais expansionistas e se distancie do cumprimento de metas.
O principal adversário de Lula, Flávio Bolsonaro, anunciou na véspera Adolfo Sachsida para a equipe responsável pela elaboração de seu plano econômico. Lyvia Montezano, Carolina Ragazzi, Adriano Pires e Alexandre Chequer também integrarão o time e devem apresentar propostas em reuniões com o setor produtivo.
Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, continua como porta-voz de política econômica. Sachsida citou entre os objetivos a redução da inflação, dos tributos, do custo de vida e da burocracia.
No front corporativo, Casas Bahia informou que após o pedido de recuperação judicial, vem mantendo negociações com diversos agentes de mercado para buscar soluções à sua situação financeira, incluindo eventual obtenção de recursos por meio de financiamentos. Segundo a companhia, porém, não há até o momento qualquer definição sobre operação dessa natureza, seja quanto a tamanho, prazo ou contraparte.
Na esteira da recuperação judicial da Casas Bahia, o Grupo Multilaser anunciou que registrará provisão para perdas com recebíveis da varejista no montante aproximado de R$20 milhões, em razão do pedido de recuperação judicial daquela companhia. Esse valor se soma aos R$11 milhões já anteriormente provisionados pela empresa.
A Multilaser destacou que o total representa 2,29% do saldo líquido de contas a receber, sem efeito relevante sobre sua posição patrimonial, financeira ou sobre os resultados.
Entre o sell-side, o Morgan Stanley rebaixou recomendação para as ações de Minerva para "neutra", com preço-alvo em R$4,00. Já o Citi elevou recomendação de JSL para "compra", com preço-alvo em R$6,60.
📊 AÇÕES
As maiores contribuidoras do Ibovespa eram as ON da Vale, as PN do Itaú e da Petrobras, que subiam 1,93%, 1,54% e 1,60%, respectivamente.
As maiores altas percentuais eram as ON da CSN Mineração, da Rumo e da MRV, que avançavam 3,81%, 2,94% e 2,90%, respectivamente.
🇺🇸 EUA
Os futuros dos Estados Unidos operavam em alta, na sequência do movimento do Tesouro americano, que anunciou nesta manhã que irá, no mínimo, dobrar operações de recompra de títulos de longo prazo, para um mínimo de US$4 bilhões por operação, visando garantir liquidez.
Por volta das 10h10, os futuros do Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 avançavam 0,51%, 0,41% e 0,40%, respectivamente. Já as Treasuries yields de dois e dez anos recuavam 1,3 pbs e 6,3 pbs, a 4,164% e 4,645%, respectivamente. Yields de 30 anos despencavam 9,3 pontos-base, a 5,195%.
Em nota, o Tesouro dos EUA informou que está aumentando, pelo menos para o dobro, o tamanho das operações de recompra de títulos com cupom nominal de longo prazo (10 a 20 anos e 20 a 30 anos) para garantir liquidez.
Também de acordo com o Tesouro, a operação entrará em vigor em 9 de setembro, e permanecerá em vigor pelo restante do trimestre de refinanciamento dos EUA (até 4 de novembro).
“O aumento no volume das operações de recompra reflete o desejo do Tesouro de fornecer maior suporte de liquidez em setores nominais de longo prazo, onde há um forte apoio consistente dos participantes do mercado”, afirmou o Tesouro.
Anteriormente, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, havia mencionado o programa de recompra como parte do “amplo conjunto de ferramentas que o departamento pode implementar”, se necessário, para lidar com distorções no mercado de títulos do Tesouro.
As Treasuries de longo prazo tiveram forte valorização em seus preços unitários após a intervenção pelo Tesouro, implicando em queda dos rendimentos. O anúncio também ocorre em um momento de forte venda de títulos de longo prazo em todo o mundo, com as Treasuries yields de 30 anos tendo alcançado, nesta semana, maior patamar desde 2007.
Investidores também aguardam, às 14h00, leilão de Treasuries de 20 anos pelos EUA. Na semana passada, um leilão de 30 anos alcançou maior taxa de corte desde 2001.
No front corporativo, destaque para o salto de 100% das ações da Moderna no pré-mercado na Nasdaq, após a companhia anunciar que um estudo com uma vacina de mRNA, combinada com o medicamento de imunoterapia Keytruda, reduziu a recorrência e a disseminação do melanoma. Trata-se dos primeiros resultados positivos em um estudo de fase avançada para uma vacina de mRNA contra o câncer.
💹 COMMODITIES
Os futuros do petróleo subiam 0,32%, a US$91,26 por barril, com a incerteza sobre a navegação pelo Estreito de Ormuz e as contínuas interrupções no fornecimento da commodity, que dão suporte aos preços.
Já entre as commodities metálicas, os futuros do ouro operavam em alta de 2,89%, cotado a US$4.458,66 por onça-troy. Já os futuros da prata avançavam 2,70%, cotado a US$65,02 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em alta de 0,78%, cotado a US$105,64 por tonelada na última madrugada.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











