Por: Luca Boni e Gabriel Ponte
São Paulo, 17/06/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa operava em alta no início do pregão desta quarta-feira, impulsionado por blue chips, enquanto futuros de Wall Street estavam em compasso de espera, antes das decisões de juros do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) e do Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve (FOMC), respectivamente, nas próximas horas.
Localmente, IBC-Br mostrou avanço nas bases mensal e anual abaixo do consenso em abril, embora não suficiente para promover o fechamento da curva de juros na abertura. Vendas no Varejo de maio aceleraram significativamente nas bases mensal e anual em maio nos Estados Unidos.
Por volta das 10h10, o Ibovespa avançava 0,66% aos 170.903 pontos. O volume projetado de negócios na sessão soma R$13,2 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$20,9 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros operavam em alta de até 7,5 pontos-base, com investidores citando consolidação de vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre senador Flávio Bolsonaro em recentes pesquisas como gatilho para movimento de abertura da curva.
Já o dólar futuro operava em queda de 0,36%, cotado a R$5,087. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, avançava 0,06%, aos 99,59 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Entre os indicadores econômicos, operadores reagem ao Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), prévia do Produto Interno Bruto (PIB), que registrou alta de 0,5% em abril na comparação com o mês anterior, abaixo do consenso do mercado, que previa alta de 0,6%.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 0,92%, abaixo do consenso, de alta de 1,5%, e desacelerando avanço ante março (3,34%).
Operadores ainda calibram suas expectativas para a decisão desta noite do Copom, que deverá reduzir a Selic em 25 pontos-base, a 14,25%, mesmo com a resiliência da atividade e do mercado de trabalho, dado que não houve mudança na comunicação desde abril.
A XP antevê que o colegiado deve imprimir mais um corte de 25 pbs e não sinalizar, explicitamente, que o ciclo de flexibilização monetária terminou, mantendo espaço para cortes adicionais, caso o cenário evolua de modo favorável.
“Porém, o Comitê deve retirar menções a ‘próximos passos da calibração dos juros’, sugerindo que uma pausa pode ocorrer em breve”, complementou a XP. O Copom informa sua decisão a partir das 18h30.
As opções digitais negociadas na B3 indicavam 82% de chances de corte de 25 pbs. Já as apostas por uma manutenção dos juros estavam em 13%.
No front político, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro por tentar interferir ilegalmente em processos judiciais relacionados ao julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado por conspiração para um golpe de Estado após sua derrota nas eleições de 2022.
Os quatro juízes da Primeira Turma do tribunal, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, votaram por unanimidade nesta terça-feira pela condenação de Eduardo por coação no curso do processo. Ele foi sentenciado a quatro anos e dois meses de prisão, embora ainda não esteja claro se e quando ele cumprirá a pena, pois está fora do Brasil.
Já de acordo com o Globo, o coordenador do programa do PT, Sérgio Gabrielli, apontou a importância de tributar rendas financeiras e estabilizar o câmbio para reduzir a desigualdade e fortalecer a economia, em sua visão. Gabrielli também defende investimentos públicos e sociais, sem sacrificar políticas para os mais pobres.
Questionado sobre o movimento recente de abertura da curva de juros e preocupações fiscais, Gabrielli descartou correlação entre variáveis, e criticou a visão de curto prazo do mercado financeiro. Ele também propôs diretrizes para um crescimento sustentável, mencionando que a conjuntura definirá o uso das políticas fiscais.
No front corporativo, a B3 reportou volume financeiro médio diário de R$31,6 bilhões em maio de 2026 no mercado de ações, alta de 16,8% na comparação anual. Na base de comparação mensal houve queda de 14,8%.
Já a Prio informou ter concluído a abertura de todos os poços produtores previstos em Wahoo mediante a abertura de um quarto poço. Companhia informou ter estabilizado a produção do quarto poço produtor em 10 mil barris por dia.
Entre o sell-side, três grandes instituições financeiras iniciaram cobertura das ações da Compass, que recentemente fez o seu IPO na B3. Todas as casas têm recomendação de “compra”. O Itaú BBA tem como preço-alvo R$35,00, enquanto o JPMorgan projeta preço-alvo de R$34,00. O otimismo mais acentuado, porém, veio do BTG Pactual, que estipulou preço-alvo de R$38,00.
Em termos de fluxo para o mercado à vista, a B3 reportou entrada líquida do saldo do investidor estrangeiro. No dia 15 de junho, o saldo do estrangeiro ficou positivo em R$998 milhões, o maior volume de entrada registrado desde o dia 14 de abril. No entanto, no acumulado do mês até aqui o saldo é negativo em R$3,3 bilhões.
Apesar do recente movimento de saída do investidor estrangeiro, o saldo para a categoria no ano ainda se mantém positivo em R$38,2 bilhões.
📊 AÇÕES
As maiores contribuidoras do Ibovespa eram as PN do Itaú, as ON da Axia e da Weg, que avançavam 1,19%, 1,69% e 2,24%, respectivamente.
Entre as maiores altas percentuais, figuravam as ON da Cosan, da Ultrapar e da Vibra, que subiam 5,20%, 3,39% e 3,30%, na mesma ordem.
Na ponta oposta, as maiores quedas percentuais eram as ON da CSN, da Vale e as PN da Bradespar, que recuavam 1,66%, 1,50% e 1,26%, na sequência.
🇺🇸 EUA
Os futuros dos índices acionários de Wall Street operavam mistos antes da abertura do mercado à vista, com investidores aguardando a primeira decisão de juros do Federal Reserve a ser presidida por Kevin Warsh, em meio a expectativas de qual será o tom a ser imprimido em coletiva de imprensa.
Os futuros dos índices S&P500 e Nasdaq 100 avançavam 0,08% e 0,54%, respectivamente, enquanto o Dow Jones futuro recuava 0,07%. As Treasuries yields de dois anos operavam em alta de 0,8 pontos-base, a 4,062%. Já as de dez anos cediam 0,9 pontos-base, a 4,430%.
O Federal Reserve deverá manter a taxa-alvo Fed Funds inalterada na decisão desta quarta-feira no intervalo entre 3,50% e 3,75%, na estreia de Warsh como chair do banco central, no pontapé inicial de uma nova era na autoridade monetária, cujo líder chega com ambição clara de reformular comunicação, balanço patrimonial e arcabouço da política.
O FOMC divulgará a decisão às 15h00, acompanhada do relatório trimestral de projeções “Dot-Plot”, contendo estimativas do estafe do banco central para diferentes variáveis macroeconômicas. Warsh falará à imprensa a partir das 15h30.
Dado que a manutenção dos juros é amplamente esperada pelos agentes de mercado nesta quarta, o grande foco da decisão estará concentrado sobre Warsh, que tem posição histórica contrária à realização de coletivas de imprensa pelo banco central, assim como oposição à divulgação de projeções trimestrais dos membros do FOMC.
O Bank of America projeta que Warsh adote uma postura mais “dovish” na coletiva, argumentando que os choques de oferta são eventos isolados; que o Fed deve ter uma visão prospectiva sobre a desinflação induzida pela Inteligência Artificial; e que a média aparada da inflação do PCE não parece problemática.
Em call mensal, a WHG pontuou que a reunião desta quarta do Fed é uma “das mais importantes”, e que Warsh terá de equilibrar duas situações distintas ao longo da coletiva: eventual tom duro ou acomodatício a ser imprimido em seu discurso.
“Existe incerteza enorme sobre como Warsh vai se comunicar. Warsh não pode ser muito ‘dovish’, pois a inflação está subindo. Mas o mercado também ficará muito nervoso se Warsh for muito ‘hawkish’”, afirmou o economista-chefe da WHG, Fernando Fenolio, em call mensal..
Entre os indicadores econômicos, as vendas no varejo dos EUA avançaram 0,9% em maio na base mensal, acima do consenso, de alta de 0,5%. Na base anual o indicador subiu 6,9%, acelerando significativamente o ritmo de alta ante abril, de 4,8%.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent operavam em alta de 0,77%, a US$79,57 por barril, interrompendo duas sessões de forte descompressão, à medida que os preços se acomodam após a reprecificação dos operadores sobre assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã.
Mais cedo, Trump disse que um acordo preliminar com o Irã não é definitivo e que ele pode retomar os ataques se não gostar dos tópicos abordados no Memorando de Entendimento, ou se Teerã não se comportar.
"É um memorando de entendimento. E se eu não gostar, voltaremos a disparar e bombardear suas cabeças. Se eles não se comportarem, voltaremos a bombardear bem no meio da cabeça deles, ok?", disse Trump na cúpula do G7 na França.
Apesar das ameaças, o presidente americano afirmou que o acordo é “muito forte” e que a maioria das pessoas parecem estar muito satisfeitas. Agentes de mercado anteveem que o acordo de paz provisório entre os dois países será assinado na sexta-feira.
Na véspera, Wall Street Journal reportou que os EUA permitirão que o Irã comece imediatamente a vender petróleo e combustível, conforme o acordo para encerrar a guerra, oferecendo a Teerã um incentivo financeiro antecipado para colocar fim ao conflito, de acordo com fontes.
A previsão de isenção de sanções sobre a venda de petróleo entra em vigor imediatamente após a assinatura do acordo e também abrange os serviços necessários, incluindo serviços bancários, transportes e seguros, indispensáveis para facilitar as vendas, de acordo com as fontes.
Já de acordo com a Bloomberg, os armadores estão se preparando para a reabertura do Estreito de Ormuz, prometida por Trump para sexta, reposicionando seus navios em direção ao Oriente Médio.
Os futuros do ouro operavam em alta de 0,01%, cotados a US$4.330,07 por onça-troy. Já a prata recuava 0,27% a US$69,79 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro negociado em Dalian fechou em queda de 2,61%, cotado a US$110,62 por tonelada.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











