Por: Luca Boni e Gabriel Ponte
São Paulo, 26/08/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa operava em alta no início da sessão desta quarta-feira, na esteira de cinco avanços consecutivos, enquanto IPCA-15 registrou maior deflação mensal em agosto em quatro anos, ao passo que bateria de resultados nos Estados Unidos veio majoritariamente em linha com consenso.
No sellside, Morgan Stanley rebaixou recomendação para ações do Brasil à “neutra”, ante “compra”, citando incerteza com eleições e relação risco/retorno mais cautelosa em âmbito local, na esteira da desaceleração da atividade econômica.
Por volta das 10h10, o Ibovespa avançava 0,75% a 175.890 pontos. O volume projetado de negócios na sessão somava R$25,7 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$16,6 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros operavam em alta de até 7,5 pontos-base, na esteira dos rendimentos dos yields americanos.
O dólar futuro operava em alta de 0,20% a R$5,164. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, avançava 0,22%, aos 99,1 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Entre os indicadores econômicos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) apresentou deflação de 0,40%, maior do que consenso, que previa uma deflação de 0,30%. Em julho, IPCA-15 havia avançado 0,06% na base mensal. Foi a maior deflação desde agosto de 2022.
Na base anual, o indicador atingiu 4,24%, abaixo do esperado pelo mercado, que previa variação de 4,34%.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o resultado do IPCA-15 de agosto foi influenciado principalmente pelas quedas nos grupos Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas. A queda registrada no grupo Habitação veio da contribuição da energia elétrica residencial, principal impacto negativo no índice geral, que recuou em decorrência da incorporação do Bônus de Itaipu.
Do ponto de vista do qualitativo, porém, a leitura mostrou sinais mistos. Serviços subjacentes aceleraram ritmo de alta na base mensal, avançando 0,5%, ante 0,3%. A média dos núcleos avançou 0,23%, ante alta de 0,21%. Já o índice de difusão foi a 52,04%, ante 48,23%.
Já no sellside, o Morgan Stanley rebaixou recomendação para ações brasileiras à "neutra”, refletindo uma postura mais cautelosa diante da desaceleração da economia doméstica, de preocupações fiscais persistentes e da falta de convicção quanto ao resultado da eleição presidencial de outubro.
Os analistas destacam, porém, que ainda é cedo para adotar uma visão estritamente pessimista, pois há potencial de valorização caso uma guinada política melhore a credibilidade fiscal, abra espaço para cortes de juros e impulsione investimentos.
Para atravessar esse cenário de incertezas, a equipe do Morgan ajustou o portfólio, reduzindo a exposição a riscos eleitorais e à fraqueza do ciclo doméstico, o que motivou a exclusão do Banco do Brasil e cortes nas participações de XP e B3.
Em contrapartida, incluíram Suzano na carteira, apostando em uma possível desvalorização do real e ressaltaram que setores como energia e agricultura continuam bem sustentados, ajudando a compensar parcialmente a instabilidade do mercado interno.
O Morgan Stanley também elevou recomendação para ações do Chile à “compra” em seu portfólio para América Latina.
No front corporativo, destaque para Oncoclínicas, que recebeu comunicando da decisão do Colegiado da CVM que deu provimento a recursos e concluiu pela exigibilidade da oferta pública de aquisição de ações (OPA).
Em termos de fluxo para o mercado à vista, a B3 reportou o saldo do investidor estrangeiro referente ao dia 22 de agosto, que ficou positivo em R$69,2 milhões. No acumulado de agosto, porém, o saldo do estrangeiro está negativo em R$21,3 bilhões, registrando, até o momento, o mês com maior saída de capital para a categoria no ano e, de acordo com traders, uma das maiores retiradas mensais da história do mercado à vista brasileiro.
Apesar da retirada acentuada neste mês, o saldo do investidor estrangeiro no ano ainda se mantém positivo em R$15 bilhões.
📊 AÇÕES
As maiores contribuidoras do Ibovespa eram as PN de Itaú, ON de Vale e ON de Sabesp, que subiam 1,55%, 0,88% e 3,00%, respectivamente.
Já as maiores variações percentuais eram as ON de Hapvida, Magazine Luiza e Sabesp, que subiam 4,52%, 3,08% e 3,00%, respectivamente.
🇺🇸 EUA
Os futuros dos Estados Unidos operavam em queda, na esteira de dados econômicos, com números do PCE vindo majoritariamente em linha com o consenso em julho, chancelando a manutenção dos juros pelo Federal Reserve em setembro. Expectativa de investidores recai sobre balanço da Nvidia, no pós-mercado.
Por volta das 10h25, os futuros do Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 recuavam 0,01%, 0,14% e 0,37%, respectivamente. Já as Treasuries yields de dois e dez anos avançavam 4,4 pbs e 3,3 pbs, respectivamente, a 4,220% e 4,656%, na mesma ordem. Yields de 30 anos subiam 2,8 pontos-base, a 5,185%.
O índice de preços PCE subiu 0,2% em julho, ligeiramente acima das expectativas do mercado, que previa alta de 0,1%, e revertendo uma deflação no mês imediatamente anterior. Na base anual, o indicador subiu 3,7%, também ligeiramente acima das expectativas do mercado, de 3,6%.
Já o núcleo do PCE, que exclui itens voláteis, subiu 0,2% na base mensal, em linha com consenso. Na base anual, a o núcleo do PCE manteve alta de 3,3%, também em linha com consenso.
O recuo da inflação nos últimos dois meses ajudou a reforçar os argumentos da maioria dos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que votaram pela manutenção das taxas, mas o ritmo lento da melhora provavelmente não acalmará uma minoria crescente de autoridades que defendem que é necessária uma política mais restritiva, já que a inflação está acima da meta desde fevereiro de 2021.
Em relação à atividade, a segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao segundo trimestre não trouxe novidades, mantendo-se em 1,5% na base anual, em linha com as expectativas. O dado, porém, mostrou desaceleração ante alta de 2,1% no primeiro trimestre.
Entre as ações, o foco do mercado recai sobre os resultados trimestrais da Nvidia, líder em chips de IA, amplamente vista como o próximo grande teste para a alta do setor como um todo.
Qualquer resultado que não seja brilhante por parte da Nvidia pode, eventualmente, reacender dúvidas sobre a sustentabilidade do boom da IA e definir o tom para as ações do setor de tecnologia pelo resto da semana. As ações da Nvidia operavam em alta de 0,4% no pré-mercado.
Nos últimos quatro trimestres, a projeção de receita apresentada pela companhia veio em média 4% acima do que o mercado esperava, segundo levantamento do JPMorgan. Mesmo assim, dados compilados pela Bloomberg mostram que os papéis da companhia recuaram no pregão seguinte em cinco dos últimos seis resultados.
💹 COMMODITIES
Os futuros do petróleo arrefeciam o movimento de queda observado nesta manhã, embora os preços recuassem 2,18%, a US$86,75 por barril, enquanto Irã e Omã intensificavam as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e seu homólogo omanita, Badr Albusaidi, discutiram iniciativas para estabelecer um “corredor marítimo conjunto temporário” no Estreito de Ormuz, de acordo com agências.
Já entre as commodities metálicas, os futuros do ouro operavam em queda de 0,99%, cotados a US$4.611,18 por onça-troy. Já os futuros da prata recuavam 0,72%, cotados a US$68,22 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em alta de 0,49%, cotado a US$107,14 por tonelada na última madrugada, depois que o tufão Narra interrompeu as rotas marítimas no Mar do Sul da China, reduzindo a oferta e elevando os custos de frete.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











