Por: Luca Boni e Gabriel Ponte
São Paulo, 24/07/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa operava em queda no início do pregão desta sexta-feira, pressionado por papéis de petroleiras, que recuavam diante do movimento de realização dos futuros do petróleo nos mercados internacionais, enquanto investidores aguardavam participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento perante agentes do mercado às 11h20.
No exterior, presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reestruturou tarifas com novas alíquotas sobre 60 parceiros comerciais, enquanto o Irã teria rejeitado uma proposta de cessar-fogo dos americanos levada pelo primeiro-ministro do Iraque, de acordo com NYT.
Por volta das 10h10, o Ibovespa recuava 0,83% aos 175.256 pontos. O volume projetado de negócios na sessão somava R$7,7 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$17,3 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros recuavam até 13,5 pontos-base, em linha com os rendimentos dos yields americanos.
Já o dólar futuro operava em queda de 0,19%, cotado a R$5,082. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, avançava 0,07%, aos 101,50 pontos.
🇧🇷 BRASIL
O foco dos investidores se volta para as participações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, às 11h20, e do ministro da Fazenda, Dario Durigan, às 10h30, no evento Expert XP.
A despeito das expectativas sobre as falas de Galípolo, o presidente do BC já havia afirmado, previamente, que não era o momento de oferecer “forward guidance”, em decorrência da volatilidade acima do usual, o que turvava a visão do mercado a respeito dos próximos passos da autoridade monetária.
Ainda assim, as opções digitais da B3 para a decisão de agosto do Copom seguiam apontando, majoritariamente, para um corte de 25 pontos-base, com 66% de chances. Já as apostas para uma manutenção do juro em agosto estavam em 30%.
Para setembro, porém, operadores precificavam, de forma majoritária, manutenção do juro, com 57% de chance. As apostas de um novo corte estavam em 37%.
No front político, Michelle Bolsonaro publicou vídeo em suas redes sociais dizendo que aceitou o pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro e defendeu a reunificação do grupo.
Apesar do alinhamento entre Michelle e Flávio, o senador segue sob pressão após a abertura de investigação da Polícia Federal, na véspera, sobre supostas ligações com Daniel Vorcaro, no escândalo do Banco Master.
Agora, o mercado aguarda a divulgação da pesquisa eleitoral do Datafolha, que está prevista para hoje, e monitora a convenção partidária do PL, que deve lançar oficialmente a candidatura à presidência de Flávio Bolsonaro neste sábado.
Na véspera, os EUA impuseram alíquota adicional de 12,5% sobre Brasil, elevando cumulativamente a alíquota das importações de produtos brasileiros a 37,5%, na sequência de uma investigação sobre a alegação de falha para prevenir o trabalho forçado nas suas cadeias de abastecimento. Na sequência, o Brasil rechaçou a nova tarifação.
Já o secretário do Tesouro Nacional, Dario Durigan, afirmou em entrevista à BandNews que o governo segue corrigindo a trajetória fiscal e que a estabilização da dívida pública é a "última milha", projetando superávits primários entre 2028 e 2029 e queda da dívida a partir de 2030.
Também ontem, o governo prorrogou a subvenção para a gasolina em R$0,44 por 30 dias adicionais a partir de 26 de julho.
Em termos de fluxo para o mercado à vista, a B3 reportou entrada líquida do saldo do investidor estrangeiro. No dia 22 de julho, o saldo do estrangeiro ficou positivo em R$278 milhões. No mês até aqui, o saldo está positivo em R$4,6 bilhões.
Apesar do movimento de saída do investidor estrangeiro nos últimos meses, o saldo para a categoria no ano ainda se mantém positivo em R$38,4 bilhões.
Entre as ações, a ISA Energia anunciou que o seu conselho de administração aprovou a precificação de oferta primária de ações em R$27,00 por ação, conforme Fato Relevante.
O conselho também aprovou o exercício integral do lote adicional, equivalente a 100% do lote inicial, elevando a oferta para cerca de 44,4 milhões de ações preferenciais e perfazendo uma oferta total de quase R$1,20 bilhão.
🇺🇸 EUA
Os futuros dos índices acionários de Wall Street operavam em alta antes da abertura do mercado à vista, em movimento de ajuste, após fortes quedas lideradas pelo setor de tecnologia na sessão anterior, enquanto os investidores avaliavam novos resultados corporativos, a correção dos preços do petróleo e um novo anúncio de tarifas por parte do governo Trump.
Os futuros dos índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 avançavam 0,36%, 0,14% e 0,03%, respectivamente. As Treasuries de dois anos recuavam 2,0 pbs, a 4,331%, e as de dez anos cediam 1,6 pbs, a 4,683%.
Na véspera, o S&P500 e o Nasdaq 100 registraram suas maiores quedas diárias no mês de julho, à medida que o setor de Inteligência Artificial mostrava mais sinais de tensão. Os investidores demonstraram cautela e dúvidas com os crescentes gastos de capital e o consumo acelerado de caixa entre as gigantes do setor de tecnologia, depois que a Alphabet e a Tesla divulgaram seus resultados.
Na contramão do desempenho negativo, as ações da Intel sobem mais de 3% no pré-mercado, após a companhia reportar seus resultados do segundo trimestre e prever lucro e receita acima das estimativas dos analistas para o terceiro trimestre, delineando planos para aumentar os gastos nos próximos dois anos.
Apesar do bom desempenho da Intel, o setor de tecnologia como um todo segue sob pressão. Operadores acompanharão, na quarta-feira, resultados da Meta e Microsoft. Quinta-feira reserva os dados trimestrais de Amazon e Apple.
No front comercial, o governo Trump impôs novas tarifas de 10% e 12,5% sobre produtos provenientes de 60 parceiros comerciais, incluindo a Europa e a China, alegando falhas na aplicação das proibições ao trabalho forçado. A medida foi tomada no momento em que expirava uma tarifa global temporária de 10%.
“As novas tarifas de Trump causaram menos impacto do que as primeiras”, afirmou Brian Jacobsen, estrategista-chefe de economia da Annex Wealth Management, em uma nota à Reuters.
“As tarifas não foram uma surpresa, são mais baixas do que o primeiro conjunto e contam com isenções importantes para amenizar o efeito imediato sobre os preços ao consumidor. É o ‘business as unusual’”, completou Jacobsen.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent operavam em queda de 3,53%, a US$97,14 por barril, em movimento de ajuste, após o forte estresse de ontem, mas ainda caminham para registrar o terceiro ganho semanal consecutivo, devido a preocupações com a interrupção do fluxo de energia no Mar Vermelho e temores de uma escalada ainda maior na guerra entre Estados Unidos e Irã.
Na véspera, New York Times reportou que o Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo dos Estados Unidos apresentada pelo Iraque - informação esta que foi contestada pela assessoria do premiê iraquiano.
Ainda assim, as atenções se voltam para um fim de semana que pode, eventualmente, registrar nova escalada de tensões entre americanos e iranianos.
Os futuros do ouro operavam em alta de 0,10%, cotados a US$4.052,31 por onça-troy. Já a prata avançava 1,16%, a US$58,26 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em queda de 0,13%, cotado a US$110,11 por tonelada na última madrugada, com os preços registrando a maior perda semanal (-2,37%) em seis semanas, já que a fraca demanda sazonal e a oferta mundial abundante pesaram sobre o mercado, embora a queda nos estoques de minério nos principais portos chineses tenha limitado a queda.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











