Por: Luca Boni e Gabriel Ponte
São Paulo, 24/06/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa operava em queda no início do pregão desta quarta-feira, pressionado por blue chips, como Vale e Petrobras, enquanto futuros de Wall Street tinham modesta recuperação, antes dos resultados trimestrais de Micron, que poderão ser um balizador importante para o front de Inteligência Artificial, após “sell-off” recente.
Localmente, investidores seguiam debatendo ata do Comitê de Política Monetária (Copom) da véspera, que dividiu opiniões, embora com menções de que documento eliminou, parcialmente, ruídos do comunicado da semana anterior.
Ainda assim, a ata não fora suficiente para sanar integralmente todas as dúvidas de boa parte dos economistas, principalmente no que diz respeito à extensão do horizonte relevante de política monetária para o primeiro trimestre de 2028, além de especificidades envolvendo “trajetórias alternativas” citadas pelo Copom.
Por volta das 10h10, o Ibovespa recuava 0,59% aos 170.252 pontos. O volume projetado de negócios na sessão soma R$27,2 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$20,3 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros operavam em queda de até 11,5 pontos-base, em linha com Treasuries yields nos Estados Unidos, em meio à firme queda do petróleo nos mercados internacionais.
Já o dólar futuro operava em alta de 0,56%, cotado a R$5,222. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, avançava 0,39%, aos 101,79 pontos – no maior patamar desde maio de 2025.
🇧🇷 BRASIL
Vértices da curva recuavam nesta manhã, na esteira da pressão baixista oferecida pelo petróleo, e à espera do Relatório de Política Monetária do Banco Central, a ser reportado às 8h00 de quinta-feira, bem como na coletiva de imprensa a ser concedida pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a partir das 11h00.
A ata de ontem seguiu dividindo economistas. Embora agentes reconheçam o esforço do BC em justificar a decisão de calibração da Selic na semana anterior, a discussão sobre o próximo passo da autarquia continua em aberto.
No documento, o Copom justificou que ao invés de promover movimentos bruscos para trazer a inflação à meta ainda em 2027, optariam por uma trajetória mais suave, menos discrepante às do Focus, QPC e embutidas na curva, gerando menor volatilidade para atividade e os mercados – rolando a convergência da inflação para o primeiro trimestre de 2028.
Uma parcela do mercado anteviu que a situação leva a crer a preferência do colegiado por uma preservação da atividade ante persecução da meta em seu mandato no curto prazo.
Entre os indicadores econômicos, leitura da confiança do consumidor recuou a 88,7 em junho, ante 88,8, de acordo com FGV.
No front político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, devem se reunir nesta quarta-feira para tratar da saída do senador da liderança do governo, como forma de minimizar danos eleitorais oriundos do caso Master.
Na semana anterior, Wagner foi alvo de operação da Polícia Federal. A investigação aponta que ele teria recebido “vantagens indevidas” do Banco Master, de Daniel Vorcaro, para favorecer interesses do banqueiro e seu ex-sócio Augusto Lima. Wagner nega envolvimento com Master.
No front corporativo, na véspera, a CEO da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a produção de petróleo da companhia aumentou 10% de janeiro a maio. Já a produção referente apenas ao mês de maio aumentou 14% na base anual.
Bradesco aprovou o pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) intermediários no valor total de R$3,5 bilhões. O montante corresponde a R$0,31 por ação ordinária e R$0,34 por ação preferencial. O pagamento ocorrerá até 29 de janeiro de 2027 e as ações serão negociadas ex-JCP a partir de 06 de julho.
Localiza também aprovou a distribuição de JCP no valor bruto de R$0,53 por ação, totalizando R$591,1 milhões. O pagamento será feito no dia 20 de agosto e as ações serão negociadas como ex-proventos a partir do dia 29 de junho.
Em termos de fluxo para o mercado à vista, a B3 reportou saída líquida do saldo do investidor estrangeiro. No dia 22 de junho, o saldo do estrangeiro ficou negativo em R$2,09 bilhões. No acumulado do mês até aqui o saldo é negativo em R$6,4 bilhões.
Apesar do recente movimento de saída do investidor estrangeiro, o saldo para a categoria no ano ainda se mantém positivo em R$35,1 bilhões.
📊 AÇÕES
As maiores detratoras do Ibovespa eram as ON da Vale e as ON e PN da Petrobras, que recuavam 1,12%, 1,57% e 1,47%, respectivamente.
Entre as maiores quedas percentuais, figuravam as ON da PRIO, da CSN e da Brava, que cediam 2,66%, 2,09% e 1,64%, respectivamente.
Na ponta opostas, as maiores altas percentuais eram as ON da C&A, as PNA da Braskem e as ON da Embraer, que avançavam 2,75%, 1,58% e 0,89%, respectivamente.
🇺🇸 EUA
Os futuros dos índices acionários de Wall Street operavam sem direção definida, antes da abertura do mercado à vista, recuperando-se parcialmente após duas sessões consecutivas de quedas. Fabricantes de semicondutores tinham desempenho misto, antes dos resultados trimestrais de Micron, após fechamento dos mercados.
Os futuros dos índices S&P500 e Nasdaq 100 avançavam 0,15% e 0,32%, respectivamente, enquanto o Dow Jones futuro recuava 0,10%. Treasuries yields de dois e dez anos operavam em queda de 3,6 pontos-base e 6,3 pbs, a 4,164% e 4,436%, respectivamente.
O cenário instável no mercado de ações intensificou o foco dos investidores nos resultados da Micron, já que ela é uma das principais beneficiárias do aumento da demanda por parte de empresas que investem bilhões em infraestrutura de IA.
As ações da empresa subiram mais de 268% em 2026, apesar de uma queda de 13% na véspera. De acordo com a Bloomberg, sozinha, a Micron responde por quase um quinto da valorização do S&P500 em 2026.
“Todos estaremos de olho na Micron, já que ela é um reflexo do que temos visto nessa alta. Acho que as pessoas terão o trimestre excepcional que esperam, mas não prevejo que as ações continuem subindo”, disse Jay Woods, estrategista-chefe de mercado da Freedom Capital Markets, à Reuters.
Os ganhos das ações de tecnologia e semicondutores, combinados com o maior IPO da história promovido pela Spacex, estão gerando preocupações sobre a euforia do mercado e uma possível formação de topo nos principais índices americanos.
O sentimento do mercado permanece bastante cauteloso. Em meio a maior aversão ao risco, investidores optam por ativos considerados mais seguros, como o dólar, que vem ganhando tração após a estreia de Kevin Warsh como chair do Federal Reserve, e visão de uma postura “hawkish” sob seu mandato pelos agentes de mercado.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent operavam em queda de 3,06%, a US$74,72 por barril, ampliando as perdas desta semana e sendo negociados perto das mínimas de quatro meses, diante de sinais de que mais navios-tanque retidos no Golfo Pérsico devem deixar o Estreito de Ormuz.
Americanos e iranianos sinalizaram progressos iniciais nas negociações pelo fim duradouro do conflito, embora as tratativas devam se prolongar. De acordo com a Bloomberg, a Agência Internacional de Energia estima que os Emirados Árabes Unidos exportem petróleo a quase 85% dos níveis pré-guerra, segundo a Bloomberg.
O JP Morgan, por sua vez, reduziu previsão para o preço do petróleo Brent no segundo semestre de 2026 devido a reduções menores do que o esperado nos estoques comerciais da OCDE e a menor demanda por petróleo.
De acordo com o banco, os analistas projetam que o Brent terá uma média de US$86,00 por barril no terceiro trimestre, US$80,00 no último trimestre, encerrando 2026 em torno de US$78,00 por barril.
Os futuros do ouro operavam em queda de 3,21%, cotados a US$3.984,84 por onça-troy, no menor patamar desde novembro de 2025, e perdendo o nível de US$4.000 por onça-troy.
A commodity metálica era pressionada pela leitura de um dólar mais forte em âmbito global, bem como pela visão de juros restritivos por período prolongado nos EUA. Já a prata recuava 4,58% a US$58,72 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em alta de 0,74%, cotado a US$109,35 na última madrugada, impulsionados por uma onda de compras na baixa e cobertura de posições vendidas por parte de alguns operadores, já que a demanda de curto prazo na China continua resiliente.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











