Por: Luca Boni e Gabriel Ponte
São Paulo, 23/06/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa operava em queda no início do pregão desta terça-feira, enquanto curva de juros tinha inclinação, com vértices curtos recuando, enquanto longos avançavam, após ata do Comitê de Política Monetária (Copom) passar a descrever balanço de riscos como assimétrico altista, mas citar como recomendado não reagir integralmente a choques.
Parcela de agentes de mercado seguiu observando documento como “confuso”, aos moldes do comunicado da semana anterior, o que propiciou o movimento de inclinação da curva. Foco se desloca para Relatório de Política Monetária, na quinta-feira, bem como para falas do presidente do BC, Gabriel Galípolo.
Por volta das 10h10, o Ibovespa recuava 1,10% aos 168.495 pontos. O volume projetado de negócios na sessão soma R$10,7 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$20,3 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices longos da curva de juros operavam sem direção definida, com a cauda curta recuando até 6,5 pontos-base, enquanto a cauda longa avançava até 3,5 pontos-base, após Banco Central divulgar a ata da mais recente reunião de política monetária.
Operadores aguardam leilão do Tesouro Nacional, que realiza oferta de títulos pós-fixados (LFT) a partir das 10h30. Certame para NTN-B foi cancelado na véspera.
Já o dólar futuro operava em alta de 0,51%, cotado a R$5,179. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, avançava 0,29%, aos 101,29 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Ata da decisão de juros do Copom apontou que o colegiado “julgou como mais adequadas, nesse momento, trajetórias de Selic menos discrepantes às presentes na Focus, QPC e precificação da política monetária, por evitarem induzir volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros e agregados macroeconômicos”.
Também segundo a ata, “essas trajetórias contemplavam cenários com combinações de diferentes momentos de pausa e retomada do ciclo de calibração. Nesse caso, as flutuações de produto se mostraram menores, com a inflação convergindo para a meta no primeiro trimestre de 2028”.
De acordo com a ata, o Copom também debateu trajetórias alternativas, não presentes em quaisquer das expectativas e respostas, da Focus ou QPC, tampouco refletidas na precificação da política monetária pelos agentes de mercado, com convergência da inflação à meta no atual horizonte relevante, exigindo variações abruptas de direção e de grande magnitude na Selic, seguida de diversos trimestres com inflação abaixo da meta.
Em outro ponto da ata, o Copom afirmou ser recomendável “não reagir integralmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta, que no momento atual incluem incertezas relevantes”. Colegiado citou a extensão dos efeitos de choques já materializados, como por exemplo das consequências do conflito armado no Oriente Médio, quanto da extensão de outros considerados na projeção, mas ainda não materializados, como El Niño.
Já ao descrever o balanço de riscos, o Copom passou a descrevê-lo como “assimétrico altista”, diferentemente do comunicado da quarta-feira passada, quando ocultou essa descrição.
“Ata extremamente confusa. Os riscos para inflação são assimétricos para cima, não tinha isso no comunicado. BC rodou algumas simulações com pausas em diferentes pontos do ciclo. Não falou de alta”, afirmou o economista-chefe da Quantitas Asset, Ivo Chermont.
De acordo com ele, a ata sugeriria uma pausa, mas o colegiado optou por entrar em um debate sobre os inúmeros choques de oferta e a recomendação de que o BC não reaja a eles integralmente.
“Nossa avaliação é de que a ata desenhou uma conjuntura bem ‘hawkish’, inclusive com a classificação do balanço de riscos com assimetria altista, o que por algum motivo foi ocultado no comunicado da última quarta-feira", afirmou Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.
“A leitura predominante é que o Copom deseja preservar flexibilidade. A ata evita qualquer guidance explícito. Mas a combinação dos trechos sugere: possibilidade de pausa temporária; possibilidade de retomada posterior dos cortes; decisões totalmente dependentes dos dados. O próprio documento afirma que diferentes combinações de pausa e retomada foram consideradas nas simulações”, afirmou o economista-chefe da Lev Intelligence, Jason Vieira.
À Bloomberg, o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, afirmou que a ata do colegiado confirmou que o BC “está confortável em não cumprir o seu mandato no horizonte habitual”.
“Existe uma resistência elevada para uma eventual alta nos juros, sinalizando que os juros devem caminhar em uma trajetória semelhante à vista pelo Focus. Cenário descrito pelo BC leva a uma manutenção dos juros por período prolongado, apesar de não ter dito isso com essas palavras”, explicou.
De acordo com ele, embora o BC tenha desejado ser “hawkish” na ata desta terça, acabou confirmando “que segue ‘dovish’ em não entregar o seu mandato”.
Para a equipe da Warren Investimentos, o BC reiterou o tom “dovish” na ata, contribuindo para movimento de inclinação da curva de juros.
Em termos de fluxo para o mercado à vista, a B3 reportou saída líquida do saldo do investidor estrangeiro. No dia 19 de junho, o saldo do estrangeiro ficou negativo em R$1,72 milhão. No acumulado do mês até aqui o saldo é negativo em R$4,3 bilhões.
Apesar do recente movimento de saída do investidor estrangeiro, o saldo para a categoria no ano ainda se mantém positivo em R$37,2 bilhões.
No front corporativo, a MRV anunciou a assinatura de compromisso de compra e venda dos empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch, localizados no Texas, Estados Unidos, pelo valor total de US$139 milhões (R$716 mi), no contexto do plano de desalavancagem divulgado em dezembro de 2024.
A Rede D'Or aprovou a distribuição de JCP no montante bruto total de R$400 milhões, equivalentes a R$0,18 por ação, referentes ao exercício social de 2026. O pagamento será realizado dia 8 de julho, com base na posição acionária do encerramento do pregão de 25 de junho.
📊 AÇÕES
As maiores detratoras do Ibovespa eram as ON da Vale, as PN do Itaú e as ON da Axia, que recuavam 2,19%, 1,34% e 1,31%, respectivamente.
Entre as maiores quedas percentuais, figuravam as ON da CSN, as PNA da Usiminas e as ON da Minerva, que cediam 3,18%, 2,96% e 2,57%, respectivamente.
Na ponta opostas, as maiores altas percentuais eram as ON d Azzas, da MBRF e da Ambev, que avançavam 0,26%, 0,10% e 0,05%, respectivamente.
🇺🇸 EUA
Os futuros dos índices acionários de Wall Street operavam em queda, antes da abertura do mercado à vista, pressionados pelo setor de tecnologia, em meio a preocupações com eventuais aumentos de juros nos Estados Unidos, além das massivas despesas de capital voltadas para IA financiadas via emissão de dívida, que pesavam sobre o sentimento dos investidores.
Os futuros dos índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 recuavam 0,45%, 1,44% e 3,00%, respectivamente. Treasuries yields de dois e dez anos operavam em queda de 3,4 pontos-base e 1,6 pbs, a 4,196% e 4,493%, respectivamente.
O índice Nasdaq 100 está a caminho de perder mais de US$1,0 trilhão em valor de mercado na sessão de hoje, com a queda acentuada de gigantes da tecnologia e ações de fabricantes de semicondutores.
SpaceX perdeu mais de US$600 bilhões em valor de mercado nas últimas três sessões, registrando na véspera a maior queda diária desde seu IPO, em 12 de junho. O valor de mercado da companhia caiu abaixo dos US$2,0 trilhões pela primeira vez desde sua estreia na bolsa e é negociada a apenas 9% acima de seu preço de IPO, de US$135,00.
A desvalorização das ações americanas relacionadas à Inteligência Artificial pode persistir nos próximos dias, já que o mercado se mostra preocupado com o rali recente, em um momento em que os custos elevados de financiamento podem tornar os gastos com IA mais onerosos.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi acionou mecanismo de circuit breaker, com os papéis da SK Hynix Inc e da Samsung despencando mais de 10%. Notícias locais sugeriram que a SK Hynix está reduzindo a expansão da produção de chips de memória para IA e priorizando a DRAM, uma tecnologia mais barata, de acordo com a Bloomberg – alimentando preocupações sobre a demanda por datacenters de IA.
O sentimento negativo para fabricantes de chips também vem às vésperas da divulgação dos resultados trimestrais de Micron Technology, após o fechamento do mercado na quarta-feira.
O sentimento de risco que pesa sobre os mercados também foi afetado pelas preocupações com futuros aumentos nas taxas de juros pelo Federal Reserve. Os investidores esperam que a autarquia aumente as taxas em um total de 50 pontos-base até dezembro, de acordo com os derivativos negociados na Chicago Mercantile Exchange (CME).
Ainda na véspera, o Bank of America passou a projetar três altas de juros pelo Federal Reserve neste ano, pontuando que a inflação está piorando “inequivocamente”.
As apostas subiram em relação à expectativa de um aumento de 25 pontos-base previsto há apenas duas semanas, à medida que os investidores precificam uma política monetária mais agressiva sob o comando de Kevin Warsh.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent operavam em queda de 0,51%, a US$77,50 por barril, à medida que o número de embarcações em trânsito pelo Estreito de Ormuz continuava a aumentar e os preços do petróleo no mercado físico estão quase de volta aos níveis pré-guerra, em decorrência dos avanços nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.
Um número limitado de embarcações está sendo autorizado a atravessar o Estreito de Ormuz diariamente, sob coordenação com a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã, informou uma fonte militar iraniana à agência de notícias Fars.
Mais cedo, em uma postagem nas redes sociais, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que 19 milhões de barris de petróleo saíram do estreito na véspera.
Os futuros do ouro operavam em queda de 1,90%, cotados a US$4.113,43 por onça-troy. Já a prata recuava 4,67% a US$62,03 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em queda de 0,54%, cotado a US$108,91 na última madrugada, pressionados pelas perspectivas de aumento nos embarques dos principais fornecedores na reta final do segundo trimestre e pela queda sazonal na demanda por aço.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











