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👉 ABERTURA: Ibovespa recua na sessão, com peso de Vale; mercado repercute Copom ligeiramente ‘hawkish’

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Por: Luca Boni e Gabriel Ponte 


   


São Paulo, 06/08/2026   


   


📈 IBOVESPA   


   


O Ibovespa operava em queda na sessão desta quinta-feira, pressionado por Vale, ao passo que vértices da curva de juros avançavam por toda extensão, com investidores refletindo comunicação vista como ligeiramente mais “hawkish” pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na véspera.  


 


O Copom reduziu a Selic em 25 pontos-base, a 14,00%, em linha com esperado, e evitou fechar a porta para eventual nova rodada de calibração em setembro, embora também não tenha sinalizado continuidade. O comunicado foi consideravelmente mais conciso ante junho.  


 


Por volta das 10h10, o Ibovespa recuava 0,37% aos 177.066 pontos. O volume projetado de negócios na sessão somava R$14,4 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$16,8 bilhões. 


   


💵 JUROS / DÓLAR  


   


Os vértices da curva de juros operavam em alta de até 9,0 pontos-base, em linha com os rendimentos dos yields americanos. Tesouro ofertará, a partir das 10h30, leilão de prefixados.  


 


O dólar futuro operava em queda de 0,29% a R$5,136. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, avançava 0,08%, aos 99,77 pontos. 


   


🇧🇷 BRASIL   


 


No front econômico, o Comitê de Política Monetária (Copom) atentou na decisão da véspera que seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a “restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta – ponto este visto “hawkish” por analistas de mercado.  


 


Colegiado também afirmou que “monitora com atenção” a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos. Disse, também, que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações. 


 


Passou a reconhecer de forma explícita o balanço de riscos como assimétrico altista, com quatro fatores altistas e três baixistas. O comunicado foi consideravelmente mais conciso e simplificado ante o apresentado em junho, com o colegiado removendo trechos considerados confusos.  


 


Em suas projeções, o Copom reduziu a estimativa para o IPCA ao fim de 2026 a 5,1%, ante 5,2% estimados anteriormente. Para o horizonte relevante, que passou a ser o primeiro trimestre de 2028, o Copom manteve projeção em 3,2%, em linha com estimado no Relatório de Política Monetária de junho.  


 


Para José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, o comunicado do BC foi bastante claro ao afirmar que a magnitude do ciclo de cortes dependerá da evolução dos dados. Isso significa que os próximos passos da política monetária permanecem totalmente em aberto. 


 


Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter, afirmou que o comunicado trouxe menos ruído e ressaltou que, em sua visão, a frase "a magnitude do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações" indica que deve haver novos cortes na taxa de juros, ao considerar o cenário de atividade mais fraca e inflação mais baixa nos próximos meses. 


 


O Goldman Sachs avaliou o comunicado como “mais curto, direto e amplamente neutro”, com caracterização conservadora sobre a dinâmica de curto prazo da atividade e da inflação.  


 


“Esperamos que a reunião de meados de setembro seja disputada para um novo corte da Selic, mas neste momento vemos espaço limitado no curto prazo para acomodação adicional significativa”, afirmou o Goldman, que reavaliará trajetória para a Selic após publicação da ata na próxima semana.  


  


Na temporada de resultados, Bradesco reportou lucro líquido recorrente de R$7,05 bilhões, alta de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O ROE atingiu 16,2%, um avanço de 1,6 pbs frente ao número do 2T25. As receitas totais do banco atingiram R$37,6 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 10,3% na comparação anual. 


 


Para os analistas da XP, o Bradesco deve ser o destaque positivo do trimestre, com forte momentum de receitas, crescimento saudável em linhas de crédito com garantia e qualidade de ativos estável sustentando mais um trimestre de recuperação dos resultados. 


 


Axia divulgou lucro líquido ajustado de R$1,60 bilhão, alta de 9,5% em relação ao mesmo período do ano passado. O Ebitda ajustado somou R$6,30 bilhões, alta de 22,5% na comparação anual. Já a receita operacional líquida ajustada cresceu 8,5%, para R$11,1 bilhões, enquanto a margem Ebitda ajustada avançou de 50,0% para 56,4%. 


 


Investidores também repercutem balanços de Brava, Smart Fit, Auren, Engie, Méliuz, Dexco, Mills, Inter, e outros, também reportados ontem, enquanto aguardam a divulgação dos resultados de Petrobras, Petroreconcavo, Magazine Luiza, Alpargatas, Assaí, Fleury, entre outros, após o fechamento do pregão. 


 


No âmbito da Petrobras, a expectativa é de um segundo trimestre forte, com consenso apontando para crescimento de dois dígitos para receita e Ebitda na base anual, em meio a preços realizados mais altos de petróleo, gás e derivados.  


 


Em termos de fluxo para o mercado à vista, a B3 reportou o saldo do investidor estrangeiro referente ao dia 04 de agosto, que ficou negativo em R$171 milhões. No acumulado para o mês de agosto, o saldo está negativo em R$119 milhões. 


 


O saldo para a categoria no ano se mantém positivo em R$36,2 bilhões. 


 


📊 AÇÕES   


   


As maiores detratoras do Ibovespa eram as ON da Vale, as PN do Bradesco e as PN da Gerdau, que recuavam 0,73%, 0,83% e 2,32%, respectivamente.  


   


Entre as maiores quedas percentuais do Ibovespa, estavam as ON da Smart Fit, Brava e Auren, que recuavam 6,32%, 4,88% e 4,30%, respectivamente.  


   


Na ponta oposta, as maiores altas percentuais eram as ON da Cyrela, Ultrapar e as Units do Santander, que subiam 3,19%, 1,18% e 1,11%, na mesma ordem. 


 


🇺🇸 EUA   


 


Os índices futuros de Wall Street operavam mistos, antes da abertura do mercado à vista, com tecnológicas recuando, enquanto investidores aguardavam eventuais avanços nas negociações entre Irã, Omã e Estados Unidos a respeito do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz antes do Payroll de julho, na sexta-feira.  


 


Os futuros do Dow Jones e S&P500 avançavam 0,24% e 0,11%, respectivamente, enquanto o Nasdaq 100 recuava 0,64%. As Treasuries yields de dois e dez anos avançavam 3,3 pontos-base e 2,8 pbs, respectivamente, a 4,218% e 4,643%, na mesma ordem. 


 


Papéis das Magnificent-7 e de semicondutores tinham desempenho misto no pré-mercado, enquanto o índice Kospi, da Coreia do Sul, recuou 4,8% na madrugada, pressionado pelas perdas da Samsung e da SK Hynix. Ações de hardware também recuavam no pré-mercado.  


 


No front monetário, Financial Times reportou que o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, estaria preparado a elevar os juros em setembro se os índices de inflação divulgados nas próximas semanas forem elevados e os mercados aumentarem suas expectativas de elevação nos custos de empréstimo, de acordo com fontes.  


 


Também de acordo com pessoas próximas de Warsh, ele reconheceu ter cometido erros nas primeiras dez semanas à frente do Fed, o que incluiria uma falha em reforçar suas principais mensagens sobre estabilidade de preços, além da disseminação da confusão sobre se seus planos de longo prazo para reformar o Fed poderiam afetar as decisões de política monetária de curto prazo.  


 


De acordo com a publicação, Warsh usaria seu primeiro discurso no simpósio econômico de Jackson Hole, em meados deste mês, para explicar a estrutura intelectual de sua proposição de reformas no banco central.  


 


Na agenda econômica, os pedidos semanais de seguro-desemprego para a semana encerrada em 1 de agosto avançaram a 199 mil postos, ante 198 mil na semana anterior, de acordo com dados do Departamento de Trabalho.  


 


Amanhã, operadores aguardam dados referentes à geração líquida de postos de trabalho nos EUA de julho, de acordo com Payroll, com expectativa de criação de 80 mil postos de trabalho, e taxa de desemprego mantida em 4,2%. 


 


Uma eventual leitura mais fraca do Payroll, porém, poderia corroborar a tese de postura mais cautelosa por parte do Fed na condução da política monetária. No entanto, uma leitura de geração líquida sólida poderia, por outro lado, antecipar expectativas para um próximo aumento de juro.  


 


💹 COMMODITIES  


   


Os futuros do brent operavam em alta de 1,67%, cotados a US$80,76 por barril, com os investidores cautelosos quanto ao resultado das negociações entre Irã e Omã sobre gestão do tráfego marítimo em Ormuz, e eventual retomada da navegação da região. Relatos de ataques a petroleiros sauditas no Mar Vermelho reacenderam as tensões sobre oferta da commodity.  


 


De acordo com agências internacionais, Omã e Irã divulgarão, em breve, declaração sobre o corredor de trânsito de Ormuz. Não está claro, porém, se os EUA apoiam o acordo. A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário sobre o assunto, de acordo com a Bloomberg.  


 


Antes, militantes houthis apoiados pelo Irã no Iêmen disseram ter atacado um petroleiro saudita no Golfo de Aden. O grupo também ameaçou outros navios no Mar Vermelho.  


 


Os futuros do ouro operavam em leve queda de 0,01%, cotados a US$4.249,20 por onça-troy. Já a prata recuava 1,31%, a US$61,26 por onça-troy. 


   


No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em alta de 2,57%, cotado a US$96,15 por tonelada na última madrugada, à medida que notícias de que Pequim poderia adotar novas medidas de apoio ao setor imobiliário melhoraram o clima de mercado, contribuindo para uma recuperação mais sólida da demanda doméstica por aço. 


 


Existem relatos circulando no mercado de que a China pode implementar novas medidas de apoio ao setor imobiliário, incluindo cortes nas taxas de juros, hipotecas subsidiadas e uma flexibilização das restrições à aquisição de imóveis, disse Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities, à Reuters. 


 


(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected]