Por: Luca Boni e Gabriel Ponte
São Paulo, 03/06/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa operava em firme queda o pregão desta quarta-feira, em meio a dados de Produção Industrial acima do consenso, que reforçam visão de resiliência da atividade econômica local, e diminuem apostas para corte de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) adiante.
Antes da abertura, XP e BTG revisaram estimativas para Selic terminal ao fim de 2026, passando a ver menos espaço para corte de juros, em meio a um cenário de deteriorçaão da inflação, balanço de riscos assimétrico e atividade resiliente.
Por volta das 10h10, o Ibovespa recuava 1,37% aos 171.802 pontos. O volume projetado de negócios na sessão soma R$13,3 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$21,7 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros operavam em firme alta de até 13,0 pontos-base, em linha com os yields americanos, tendo acelerado os ganhos após dados do ADP acima do consenso para maio.
Já o dólar futuro operava em alta de 0,52%, cotado a R$5,067. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, avançava 0,24%, aos 99,46 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Produção Industrial avançou 0,7% na base mensal em abril, acima do consenso, de alta de 0,4%. Já na base anual, a produção industrial avançou 2,7%, ante 1,7% estimados.
A despeito do headline acima do consenso, o dado de abril reforça um cenário de recuperação modesta e desigual. Bens intermediários e indústria extrativa estão sustentando o dado, mas setores mais cíclicos, como bens de capital e duráveis, mostram que o motor do investimento e do consumido de bens mais caros têm enfrentado dificuldade com encarecimento do custo de capital.
Já no sell-side, BTG apontou em relatório na véspera que o cenário exige uma pausa na redução de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), mas a comunicação da autarquia segue apontando para corte. Assim, banco revisou projeção para Selic terminal em 2026 a 14,25%, ante 13,0%, na linha de um balanço de riscos significativamente assimétrico, e deterioração de cenário relevante.
Na mesma linha, XP elevou projeção para Selic terminal a 14,0%, ante 13,75%, em meio à deterioração de perspectivas de inflação, precificando apenas mais dois cortes de 25 pontos-base cada.
No front político, Estados Unidos propuseram nova alíquota de 10% e 12,5% sobre diversos parceiros comerciais, incluindo alíquota mais elevada para Brasil, por produtos supostamente fabricados com trabalho forçado.
A proposta vem na esteira da proposição de véspera do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que apresentou proposta de alíquota de 25% sobre produtos brasileiros por práticas desleais. A medida também já ofereceu narrativa ao ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o senador Flávio Bolsonaro.
Na esteira da divulgação das tarifas pelo USTR, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizará nesta quarta-feira reunião ministerial às 10h no Palácio do Planalto. Na véspera, Lula fez uma série de declarações para colar a culpa pela deterioração das relações do Brasil com os EUA na família Bolsonaro.
Em termos de fluxo para o mercado à vista, a B3 reportou mais uma sessão de retirada líquida do saldo do investidor estrangeiro. No dia 01 de junho, o saldo do estrangeiro ficou negativo em R$885 milhões.
Apesar do recente movimento de saída do investidor estrangeiro, o saldo para a categoria no ano ainda se mantém positivo em R$40,7 bilhões.
📊 AÇÕES
As maiores detratoras do Ibovespa eram as ON da Vale, as PN do Itaú e as ON da Axia, que recuavam 1,64%, 2,20% e 1,06%, respectivamente.
Entre as maiores quedas percentuais, figuravam as PNA da Braskem, as ON da MRV e da Lojas Renner, que cediam 5,00%, 4,89% e 3,37%, na mesma ordem.
Na ponta oposta, as maiores altas percentuais eram as ON da Minerva, da Hypera e da Totvs, que subiam 2,57%, 1,66% e 1,47%, na sequência.
🇺🇸 EUA
Os futuros dos índices acionários de Wall Street operavam sem direção definida, antes da abertura do mercado à vista, com uma nova escalada de tensões no Oriente Médio impulsionando os preços do petróleo e lançando dúvidas sobre um fim rápido da guerra. Na véspera, S&P500 emendou nona alta consecutiva – maior sequência desde maio de 2025.
Os futuros dos índices Dow Jones e S&P500 recuavam 0,39% e 0,19%, respectivamente, enquanto o Nasdaq 100 futuro avançava 0,03%. Já as Treasuries yields de dois anos operavam em alta, avançando 3,7 pontos-base, a 4,082%. As de dez anos subiam 3,6 pontos-base, a 4,489%.
Mercados operam em modo de cautela nesta quarta, na sequência de conflitos no Oriente Médio, que estão testando uma frágil trégua entre Washington e Teerã, com forças americanas interceptando mísseis balísticos e drones direcionados a países vizinhos, e atacando um centro de comando iraniano em resposta.
Ainda assim, investidores monitoram se S&P500 conseguirá emendar décima alta semanal consecutiva – no que constituiria a maior sequência em mais de três décadas. Operadores têm renovado otimismo para papéis tecnológicos, fabricantes de semicondutores e companhias de software.
Neste pregão, investidores aguardam potencial divulgação, pela SpaceX, dos termos de Oferta Pública Inicial (IPO). De acordo com a Reuters, a companhia pretende ofertar mais de 550 milhões de ações, a US$135 cada, totalizando um IPO de US$75 bilhões.
Entre os indicadores econômicos, a criação de vagas no setor privado dos Estados Unidos aumentou mais do que o esperado em maio, segundo o relatório nacional de emprego da ADP.
As empresas do setor privado abriram 122 mil postos de trabalho no mês passado, após 105 mil em abril em dado revisado para baixo. O mercado previa a criação de 117 mil vagas.
Os dados antecedem a divulgação dos dados do Payroll de maio. Bank of America antevê geração líquida de 95 mil postos de trabalho, e manutenção da taxa de desemprego de 4,3%, o que deverá reforçar viés de manutenção dos juros pelo Federal Reserve.
Na agenda econômica, investidores aguardam leitura do PMI ISM de Serviços, às 11h00, com consenso apontando para avanço a 53,8 em maio. Às 15h00, Federal Reserve divulgará Livro Bege referente ere
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent operavam em alta de 2,14%, a US$98,05 por barril, ampliando os ganhos da sessão anterior, com a retomada das hostilidades no Oriente Médio e o pouco progresso nas negociações entre Teerã e Washington.
Americanos e iranianos voltaram a se enfrentar em confronto durante a noite, com o Kuwait e o Bahrein apanhados no fogo cruzado de uma das mais graves escaladas de tensão desde que o cessar-fogo iniciou no início de abril.
Mais cedo, presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em podcast que seguia trabalhando em acordo com iranianos, e pontuou que poderia suspender o bloqueio ao Irã até o Dia do Trabalho, em setembro. Ele também afirmou que o Aiatolá do Irã está envolvido em negociações com americanos.
Questionado sobre se havia proferido palavrões contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em ligação telefônica na segunda-feira, Trump confirmou, afirmando ter ficado “perturbado” com os constantes embates entre israelenses e libaneses.
Os futuros do ouro operavam em queda de 0,57%, cotados a US$4.462,99 por onça-troy. Já a prata recua 1,18% a US$74,19 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro negociado em Dalian fechou em queda de 0,57%, cotado a US$115,20 por tonelada, arrastados pela redução das margens do aço e pelo enfraquecimento sazonal da demanda na China, principal mercado consumidor do minério.
O mercado siderúrgico entrou em uma temporada de demanda tradicionalmente fraca mais cedo do que o normal neste ano, atingido pelas chuvas e pelo início antecipado das altas temperaturas do verão, informou a associação siderúrgica estatal da China.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











