Por: Luca Boni e Gabriel Ponte
São Paulo, 15/06/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa operava em alta no início do pregão desta segunda-feira, em linha com o movimento de “risk-on” que atinge os mercados globais, após Estados Unidos e Irã confirmarem a assinatura de um Memorando de Entendimento na próxima sexta-feira na Suíça, para colocar fim ao conflito no Oriente Médio, e reabrir o Estreito de Ormuz.
Semana também é marcada por decisões de juros mundo afora, com destaque para a do Banco Central, no Brasil, e do Federal Reserve, nos EUA, que ganharam “alento” com o fluxo de notícias positivo oriundo do Oriente Médio.
Por volta das 10h10, o Ibovespa subia 1,31% aos 173.368 pontos. O volume projetado de negócios na sessão soma R$19,3 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$20,5 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros operavam em queda de até 17,5 pontos-base, em linha com as Treasuries yields.
Já o dólar futuro operava em queda de 0,51%, cotado a R$5,058. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, recuava 0,32%, aos 99,4 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Mediana de projeções do Focus para Selic ao fim de 2026 avançou a 5,30%, ante 5,11% na semana anterior, no décimo quarto avanço consecutivo. Economistas também elevaram mediana de projeção para PIB ao fim deste ano a 1,96%, ante 1,91%. A mediana de projeção para o câmbio foi a R$5,20, ante R$5,15.
Já a mediana de projeção para Selic ao fim deste ano avançou a 13,75%, ante 13,50% - no segundo avanço semanal consecutivo, em meio à reprecificação dos economistas por um menor ciclo de calibração de juros pelo BC.
Para 2027, mediana de projeção para IPCA avançou a 4,10%, ante 4,03%, no quarto avanço semanal consecutivo. Já a mediana de projeção do câmbio ao fim de 2027 foi a R$5,25, ante R$5,20. Em 2027, a mediana de projeção da Selic avançou a 12,0%, ante 11,5%.
Para 2028 - além do horizonte relevante da política monetária - a mediana de projeção para IPCA avançou a 3,68%, ante 3,65%.
Economistas apontaram, porém, que as projeções do Focus já se encontrariam deterioradas, em razão de não incorporarem o anúncio de acordo entre EUA e Irã, no domingo à noite.
A comunicação por parte de Trump, na véspera, de que EUA e Irã alcançaram um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz contribui para gerar um alento na decisão da política monetária desta semana, a despeito do espaço para continuidade do ciclo de calibração de juros se encontrar limitado, em razão de expectativas desancoradas, além da atividade resiliente.
Há a visão entre gestores, também, que uma pressão baixista sobre o petróleo nos mercados internacionais poderá contribuir para um movimento de racionalização na dinâmica da curva de juros, após forte dinâmica de abertura vista em semanas anteriores, com desmontagem de posições aplicadas por operadores.
Opções digitais da B3 precificavam, nesta manhã, 79,9% de chances de um corte de 25 pontos-base nesta semana, a 14,25%. Já as opções de manutenção dos juros em 14,5% estavam em 20%.
Players de mercado anteveem que o Copom optará pela opcionalidade no comunicado da decisão de quarta-feira, deixando o espaço em aberto para os próximos passos.
No front corporativo, a SLC Agrícola informou que o portfólio de terras próprias e vinculadas a acordos com Fundos de Investimento em Participações (FIPs) foi avaliado em R$13,5 bilhões. A avaliação independente, conduzida pela Deloitte Touche Tohmatsu, indicou aumento de 1,0% no valor médio do hectare agricultável, que passou a R$59.534.
Entre o sell-side, o Citi rebaixou recomendação de Nubank para “neutra” e cortou preço-alvo de US$18,00 para US$13,00. Os analistas revisaram projeção de lucro para o banco em 2026 e 2027, apontando possíveis dificuldades decorrentes do crescimento da carteira de empréstimos e cartão de crédito para clientes de baixa renda.
Em termos de fluxo para o mercado à vista, a B3 reportou mais uma sessão de saída líquida do saldo do investidor estrangeiro. No dia 11 de junho, o saldo do estrangeiro ficou negativo em R$751 milhões. No acumulado do mês até aqui o saldo é negativo em R$4,3 bilhões.
Apesar do recente movimento de saída do investidor estrangeiro, o saldo para a categoria no ano ainda se mantém positivo em R$37,3 bilhões.
No front político, presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viaja para o G7, na França, com agendas nos dias 16 e 17. Veículos apontam que o governo trabalha com a possibilidade de um encontro entre o petista e sua contraparte americana, Donald Trump, durante reunião da cúpula.
Semana também será marcada por divulgação de pesquisa presidencial CNT/MDA, na terça-feira, além de levantamento Datafolha, na sexta-feira.
📊 AÇÕES
As maiores contribuidoras do Ibovespa eram as ON da Vale, as PN do Itaú e as ON da Axia, que recuavam 1,98%, 1,55% e 2,60%, respectivamente.
Entre as maiores altas percentuais, figuravam as ON da Embraer, da Hapvida e da CSN, que subiam 5,31%, 4,46% e 4,63%, na mesma ordem.
Na ponta oposta, as maiores quedas percentuais eram as ON da PRIO e as PN e ON da Petrobras, que recuavam 4,92%, 3,45% e 3,36%, na sequência.
🇺🇸 EUA
Os futuros dos índices acionários de Wall Street operavam em alta, antes da abertura do mercado à vista, após EUA e Irã concordarem com um acordo de paz – a ser assinado - que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, fim do bloqueio naval dos EUA, e tratativas posteriores sobre questões nucleares iranianas.
Os futuros dos índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 avançavam 1,84%, 2,14% e 3,11%, respectivamente. As Treasuries yields de dois anos operavam em queda de 4,4 pontos-base, a 4,043%. Já as de dez anos perdiam 3,0 pontos-base, a 4,453%.
As ações de tecnologia avançavam no pré-mercado, bem como fabricantes de semicondutores, em meio à dinâmica de apetite ao risco nos mercados globais. Mais cedo, Bloomberg reportou que Nvidia prevê levantar ao menos US$20 bilhões com a emissão de títulos high grade.
No front econômico, após o impasse geopolítico entre EUA e Irã caminhar para um desfecho satisfatório, em termos de preços de ativos, os mercados concentram atenção na decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na quarta-feira.
A decisão, a primeira a ser presidida por Kevin Warsh como chair do Federal Reserve, deverá manter os juros inalterados no intervalo entre 3,50% e 3,75%, e contará com a divulgação do relatório trimestral “Dot-Plot”, com mediana de projeções do estafe do Fed para diferentes variáveis macroeconômicas.
Mais cedo, Índice Empire State de Atividade Manufatureira foi a 5,7 em junho, recuando ante 19,6 em maio. Consenso apontava para leitura de 14 no período.
Em uma semana encurtada pelo feriado de Juneteenth, na sexta-feira, investidores acompanharão uma série de dados econômicos, incluindo produção industrial de maio, às 10h15, vendas no varejo de maio, na quarta-feira, além das decisões de juros do Banco do Japão e do Banco da Inglaterra, na terça e quinta, respectivamente.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent operavam em firme queda de 4,80%, a US$83,13 por barril, atingindo o menor nível em três meses, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, e o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmarem ter chegado a um acordo inicial para pôr fim ao conflito e retomar o tráfego pelo Estreito de Ormuz.
Os EUA e o Irã assinarão um memorando de entendimento na Suíça nesta sexta-feira, disse o primeiro-ministro do Paquistão, Shebaz Sharif, cujo país atuou como mediador do acordo. Trump disse no domingo que o Estreito de Ormuz ficaria aberto "sem cobrança de pedágio" e que o bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos também seria encerrado após a assinatura do acordo.
Já a agência de notícias Mehr informou que o rascunho do acordo previa a reabertura do Estreito de Ormuz em até 30 dias, sob os termos estabelecidos pelo Irã.
A estrutura para um acordo, no entanto, não abordou inicialmente uma das principais questões entre atores políticos, que é o programa nuclear do Irã. O tópico deverá ser discutido em até 60 dias após a assinatura do MoU.
O fluxo noticiário do fim de semana levou a uma precificação benigna para ativos de energia, com os futuros do brent operando no menor patamar desder 10 de março, enquanto commodities metálicas avançavam. No entanto, qualquer renovação das tensões, como ataques entre Israel e Líbano, ou desentendimentos sobre o programa nuclear iraniano podem reverter rapidamente os movimentos recentes.
Os futuros do ouro operavam em alta de 3,08%, cotados a US$4.348,35 por onça-troy. Já a prata avançava 4,30% a US$83,08 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro negociado em Dalian fechou em alta de 0,70%, cotado a US$102,10 por tonelada, uma vez que possíveis greves no principal centro de minério de ferro da Austrália, Port Hedland, ameaçavam reduzir a oferta, enquanto um acordo preliminar entre os EUA e o Irã para pôr fim ao conflito também deu impulso aos metais.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











