Por: Luca Boni e Gabriel Ponte
São Paulo, 03/08/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa operava em alta no início da sessão desta segunda-feira, em linha com futuros de Wall Street, em meio às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que por ora a diplomacia prevalecerá sobre eventuais ataques militares de maior escala contra o Irã, o que afundava o petróleo nos mercados internacionais.
Semana é marcada por decisão do Copom, na quarta-feira, quando deverá promover nova rodada de corte de juros, e deixar próximos passos em aberto. No front corporativo, blue chips como Itaú, Bradesco e Petrobras reportam resultados ao longo da semana, enquanto nos EUA, saem os dados do Payroll referentes ao mercado de trabalho em julho.
Por volta das 10h10, o Ibovespa avançava 0,09% aos 178.216 pontos. O volume projetado de negócios na sessão somava R$38,3 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$16,4 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros operavam em queda de até 13,5 pontos-base, em linha com os rendimentos dos yields americanos, na esteira do arrefecimento do petróleo nos mercados internacionais, e também na redução da mediana da Selic para o fim deste ano vista no Focus.
O dólar futuro operava em queda de 0,44% a R$5,094. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, recuava 0,02%, aos 99,7 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Entre os indicadores econômicos, operadores avaliam as novas projeções do Boletim Focus, que mostrou redução na perspectiva para a taxa básica de juros este ano, ao mesmo tempo em que a projeção para a inflação se aproximou de 5%.
Mediana de projeção para Selic ao fim deste ano recuou a 13,75%, ante 14,0%, em movimento que ofereceu pressão baixista sobre vértices da curva de juros, ao mesmo tempo em que chamou atenção entre players de mercado, dado que há ainda dúvidas a respeito dos próximos passos do Copom para além de agosto.
Já a mediana da inflação recuou este ano a 5,03%, ante 5,12%, na quinta redução semanal consecutiva. Para 2027, a mediana de projeção para o PIB recuou a 1,57%, ante 1,60%, enquanto a projeção para o câmbio foi a R$5,28, ante R$5,29.
No front político, a mais recente pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostrou encurtamento da distância em intenções de voto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Senador Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, movimento este que também contribuía para o viés baixista dos vértices da curva de juros.
Em eventual segundo turno, Lula teria 46% das intenções de voto, ante 45% de Flávio. A distância, agora de um ponto percentual, era de quatro no levantamento de julho, quando Lula tinha 47% de intenções de voto e Flávio, 43%. Contra Ronaldo Caiado, Lula tem 46% de intenções de voto ante 42%.
Nos cenários de primeiro turno, Lula supera seu principal concorrente, Flávio Bolsonaro, por 43% a 37%, embora mostrando uma recuperação do senador, ao registrar a menor distância entre ambos desde abril, segundo a série histórica do instituto.
No radar corporativo, a Petrobras informou uma nova descoberta de acumulação de gás no poço exploratório Sandia-1, no Bloco GUA-OFF-0, localizado em águas profundas da Colômbia.
A Dexco assinou um contrato de compra e venda com a Cerâmica Carmelo Fior para parte dos equipamentos de sua fábrica em Urussanga, Santa Catarina, avaliados em R$170 milhões. Acordo está sujeito à aprovação do Cade.
Ainda nesta manhã, a B3 divulgou a primeira prévia para a composição do Ibovespa, que entrará em vigor de setembro a dezembro. A prévia registra a entrada das ações da construtora Tenda e a saída dos papéis da petrolífera PetroReconcavo.
A B3 ainda divulgará duas prévias — em 17 e 31 de agosto — para o Ibovespa, que valerá a partir de 8 de setembro.
Investidores aguardam a divulgação dos resultados de ISA Energia, BB Seguridade, Marcopolo, Bradsaúde e Pague Menos, após o fechamento do pregão.
Em termos de fluxo para o mercado à vista, a B3 reportou saída líquida do saldo do investidor estrangeiro. Por conta da falha técnica que ocorreu na bolsa na última sexta-feira, o fluxo divulgado hoje compila os dados dos dias 29 e 30 de julho, de acordo com traders consultados pela Mover.
Com isso, o saldo do estrangeiro ficou negativo em R$1,14 bilhão. No mês até aqui, o saldo está positivo em R$2,1 bilhões.
Apesar do movimento de saída do investidor estrangeiro nos últimos meses, o saldo para a categoria no ano ainda se mantém positivo em R$35,9 bilhões.
🇺🇸 EUA
Os índices futuros de Wall Street operavam em alta, antes da abertura do mercado à vista, em meio a sinais de alívio oriundos do Oriente Médio, diante da postergação de ataques dos EUA contra alvos iranianos, o que contribuía para o movimento baixista do petróleo, favorecendo a dinâmica dos ativos de risco.
Os futuros do Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 avançavam 1,27%, 0,60% e 0,23%, respectivamente. As Treasuries yields de dois e dez anos recuavam 1,2 pontos-base e 3,8 pbs, respectivamente, a 4,250% e 4,680%, na mesma ordem.
Investidores aguardam semana carregada de bateria de dados, com JOLTs de junho, ADP de julho e Payroll de julho sendo reportados na terça, quarta e sexta-feira, respectivamente. Semana também reservará resultados trimestrais da SpaceX, no pós-mercado de terça.
Na sexta, veículos internacionais reportaram que o chair do Fed, Kevin Warsh, mencionou a possibilidade de o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) se reunir menos que oito vezes ao ano durante decisão da semana anterior, em eventual mudança que estaria atrelada às reformulações que ele quer fazer no banco central.
Nick Timiraos, do Wall Street Journal, pontuou, porém, que qualquer mudança enfrentaria restrições a curto prazo, dado que o Fed já publicou datas provisórias para suas reuniões até janeiro de 2028.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent operavam em queda de 5,64%, cotados a US$82,97 por barril, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, adiou um novo ataque ao Irã, buscando um acordo rápido com o país. O Irã, por sua vez, afirmou não estar em negociações com americanos. O Irã também afirmou que não havia planos para quaisquer reuniões.
As declarações contradizem Trump, que havia citado negociações que, segundo ele, ocorreriam como justificativa para cancelar os ataques, repetindo padrões anteriores.
O Irã, porém, disse que progressos estão sendo feitos nas discussões com Omã para permitir a passagem de navios por Ormuz, embora ainda haja pouca clareza sobre essas tratativas.
No domingo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aprovou um aumento na cota de produção de petróleo de cerca de 188 mil barris por dia a partir de setembro. A rodada de aumento conclui a reversão dos cortes voluntários iniciada em 2023. Ainda assim, o aumento planejado é simbólico.
As interrupções nas exportações do Golfo, da Rússia e do Cazaquistão, causadas pelas guerras no Irã e na Ucrânia, fizeram com que os sucessivos aumentos mensais da Opep durante a maior parte deste ano não se traduzissem em mais petróleo no mercado.
Os futuros do ouro operavam em alta de 0,07%, cotados a US$4.042 por onça-troy. Já a prata recuava 1,06%, a US$56,9 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em queda de 2,85%, cotado a US$103,37 por tonelada na última madrugada, pela sétima sessão consecutiva, pressionado pela demanda persistentemente fraca das siderúrgicas chinesas e pelo aumento dos estoques portuários.
A taxa de operação dos altos-fornos da China caiu 0,24 ponto percentual, para 81,85%, na semana passada, enquanto a lucratividade das usinas retraiu 0,86 ponto percentual, para 33,77%, de acordo com a consultoria Mysteel.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











