Por: Luca Boni e Gabriel Ponte
São Paulo, 21/08/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa operava em alta no início da sessão desta sexta-feira, em sessão de apetite ao risco nos mercado globais, em meio à pausa no movimento de alta dos rendimentos das Treasuries e, consequentemente, dos juros futuros, em uma semana marcada por anúncio de operações de recompra de títulos de longo prazo pelo Tesouro dos Estados Unidos.
Investidores também encerram uma semana em que yields de 30 anos foram ao maior patamar desde 2007, para depois recuarem ligeiramente por intervenção do Tesouro, enquanto ainda pairam dúvidas relacionadas à eficácia da média, e eventual envolvimento do Federal Reserve.
Localmente, operadores aguardam pesquisa Datafolha, nesta noite, em busca de confirmação de “trackings” que, supostamente, exibiriam melhora de performance de Flávio Bolsonaro e ligeira queda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em eventual segundo turno.
Por volta das 10h10, o Ibovespa avançava 0,55% a 168.929 pontos. O volume projetado de negócios na sessão somava R$24,9 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$16,8 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros operavam em queda de até 6,0 pontos-base, em linha com os rendimentos dos yields americanos.
O dólar futuro operava em queda de 0,29% a R$5,191. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, recuava 0,07%, aos 98,75 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Investidores aguardam divulgação de pesquisa Datafolha, que está prevista para 18h40 desta sexta-feira, com entrevistas sendo coletadas entre terça e quinta-feira.
Ambas as campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula estão ansiosas para a divulgação, no início da noite, da pesquisa, que teve coleta realizada entre terça e quinta-feira. De acordo com Lauro Jardim, de O Globo, a maioria dos trackings feitos nos últimos dias têm mostrado uma evolução nos números de Flávio e uma ligeira queda de Lula. Na média, no segundo turno, mostra um empate técnico entre os dois.
Na primeira semana oficial de campanha, agentes de mercado acompanham uma postura ofensiva por parte de Flávio Bolsonaro, ante defensiva de Lula. Para além do Datafolha desta sexta, operadores aguardam pesquisa BTG/Nexus, na próxima segunda, 24.
De acordo com a Folha de S.Paulo, André Mendonça e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, planejam manter investigações sobre Lulinha, filho de Lula, na corte.
O STF autorizou a Polícia Federal a investigar Lulinha por suspeita de corrupção e tráfico de influência. Lula, por sua vez, pediu investigação completa e a responsabilização dos envolvidos. Lulinha, por sua vez, nega qualquer irregularidade.
Mais cedo em entrevista à rádio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o Brasil está longe de enfrentar uma crise fiscal ou de dívida. O ministro também comentou sobre o cenário inflacionário, afirmando que os preços estão pressionados devido às guerras ao redor do mundo, e não pela condição fiscal do país.
“Não é o governo que gasta, é a guerra feita pelo EUA no Irã, apoiada pelo bolsonarismo, que está trazendo aumento de preços”, afirmou Durigan.
No front corporativo, a Petrobras informou que iniciou negociações para explorar blocos de petróleo localizados em áreas offshore da Bacia de Keta, em Gana.
Em termos de fluxo para o mercado à vista, a B3 reportou o saldo do investidor estrangeiro referente ao dia 19 de agosto, que ficou negativo em R$1,58 bilhão, registrando a décima segunda saída consecutiva de capital do estrangeiro. No acumulado para o mês de agosto, o saldo está negativo em R$22,1 bilhões, registrando até o momento o mês com maior saída de capital para a categoria no ano.
Apesar da retirada acentuada neste mês, o saldo do investidor estrangeiro no ano ainda se mantém positivo em R$14,3 bilhões.
📊 AÇÕES
As maiores contribuidoras do Ibovespa eram as ON da Vale, as PN do Itaú e do Bradesco, que avançavam 0,96%, 0,51% e 1,23%, respectivamente.
As maiores quedas percentuais eram as ON da Minerva, da Magazine Luiza e da MRV, que subiam 5,50%, 4,12% e 2,24%, respectivamente.
🇺🇸 EUA
Os futuros dos Estados Unidos operavam em alta, enquanto rendimentos das Treasuries operavam estáveis, ao passo que o bitcoin caminhava para melhor desempenho semanal desde março de 2023, em meio à fraqueza global do dólar.
Por volta das 10h10, os futuros do Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 avançavam 0,67%, 0,54% e 0,78%, respectivamente. Já as Treasuries yields de dois e dez anos recuavam 0,3 pbs e 1,4 pbs, a 4,187% e 4,694%, respectivamente. Yields de 30 anos recuavam 0,7 pontos-base, a 5,243%.
A curva de juros dos EUA, estável na maior parcela dos vértices, caminhava para encerrar uma semana atípica, após a intervenção emergencial do Departamento do Tesouro na quarta-feira.
“O fato é que o Tesouro dos EUA pouco ou nada pode fazer para reverter definitivamente a tendência dos rendimentos dos títulos de longo prazo”, afirmou Joachim Klement, estrategista da Panmure Liberum, à Bloomberg.
“Quando o Tesouro ou o BC entram no mercado de câmbio ou de títulos, o efeito mais comum é uma acomodação no curto prazo, mas, se os fundamentos que sustentam o movimento permanecem, o mercado tende a voltar a ‘peitar’ a intervenção, retomando posições na direção anterior”, afirmou o gestor Dan Kawa.
Segundo estrategistas do Goldman Sachs, apesar de todos os esforços do Tesouro, a desaceleração da inflação é a melhor maneira de reduzir os rendimentos das Treasuries.
Já o bitcoin acumulava alta de 22,7% - melhor desempenho semanal desde março de 2023 – impulsionado pela desvalorização do dólar e por comentários favoráveis às criptomoedas feitas pelo presidente Donald Trump.
Trump instou o Congresso, nesta semana, a aprovar uma legislação desejada pelo setor de moedas digitais. Temores envolvendo a situação fiscal dos EUA, aos moldes da situação vista nesta semana, também ofereceram movimento de alta para a criptomoeda.
💹 COMMODITIES
Os futuros do petróleo subiam 0,22%, a US$94,03 por barril, com as perspectivas para o fim do conflito EUA e Irã ficando cada vez mais distantes. Os futuros da commodity caminhavam para a sexta alta diária consecutiva, operando firmemente acima dos US$90 por barril.
Investidores aguardam detalhes da campanha prometida pelos EUA para sufocar, economicamente, o Irã. Na véspera, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o governo americano detalharia a iniciativa na próxima segunda-feira.
Posteriormente, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o Irã deveria encerrar o conflito neste momento, dado que está em uma posição de força, de acordo com a ISNA. Ele também sugeriu que o mundo “reconheceria” a vitória dos iranianos no conflito.
Já entre as commodities metálicas, os futuros do ouro operavam em alta de 1,32%, cotados a US$4.578,64 por onça-troy. Já os futuros da prata avançavam 1,98%, cotado a US$69,39 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em alta de 0,21%, cotado a US$105,27 por tonelada na última madrugada, com a redução dos estoques nos principais portos chineses dando apoio aos preços e equilibrando a pressão de uma queda na lucratividade das usinas siderúrgicas.
Os estoques de minério de ferro nos principais portos chineses caíram 0,27% em relação à semana anterior, para 156,38 milhões de toneladas, segundo dados da consultoria Steelhome.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











