Por: Luca Boni e Gabriel Ponte
São Paulo, 18/08/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa operava em leve alta no início da sessão desta terça-feira, enquanto juros futuros avançavam os vértices mais longos, em linha com desempenho estressado dos rendimentos de títulos globais de longo prazo, em meio a preocupações significativas dos investidores acerca dos crescentes déficits produzidos pelas economias desenvolvidas.
Na véspera, rendimentos das Treasuries de 30 anos alcançaram o maior patamar desde 2007 nos Estados Unidos, enquanto os custos de empréstimos na França e na Alemanha atingiram os maiores patamares desde 2008 e 2011, respectivamente. Os rendimentos dos títulos japoneses, com vencimento semelhante, estão próximos de máxima histórica.
Por volta das 10h10, o Ibovespa avançava 0,24% a 167.160 pontos. O volume projetado de negócios na sessão somava R$8,5 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$16,8 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros operavam sem direção definida, com a cauda curta recuando até 2,5 pontos-base, enquanto a longa 2,0 em alta de até 9,0 pontos-base, em linha com os rendimentos dos yields globais.
Operadores acompanham, às 10h30, o leilão de títulos pós-fixados (NTN-B e LFT) realizado pelo Tesouro Nacional. O leilão desta semana ganha destaque adicional após o expressivo vencimento de NTN-Bs 2026 no fim de semana, que injetou cerca de R$257 bilhões de volta nas mãos dos investidores.
Com essa alta liquidez, o mercado monitora de perto para onde esses recursos serão realocados. Ainda assim, agentes econômicos avaliam que Tesouro deverá seguir cauteloso, mesmo com o vencimento expressivo.
O dólar futuro operava em alta de 0,07% a R$5,226. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, subia 0,05%, aos 99,62 pontos.
🇧🇷 BRASIL
No front corporativo, destaque para Braskem, que informou que a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo determinou a suspensão de todas as execuções por credores que tenham sido convidados a participar da mediação instaurada pela Companhia.
A decisão é válida por 60 dias e a companhia reafirmou que segue comprometida em continuar as discussões com os seus credores financeiros em busca de uma solução consensual.
A Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da Braskem para “RD” (Inadimplência Restrita), ante classificação “C”, após a confirmação de inadimplência no pagamento de juros de obrigações financeiras e o fim do período de carência sem regularização.
Ainda nesta manhã, a subsidiaria Braskem Idesa, entrou com um pedido de chapter 11 nos Estados Unidos, após chegar a acordos com credores e acionistas para reduzir a dívida em mais de US$920 milhões. A empresa afirmou que espera sair do processo de recuperação judicial dentro de 60 a 90 dias, acrescentando que suas operações diárias continuarão funcionando normalmente.
Também na véspera, a CEO da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a companhia espera concluir o poço Morpho na bacia da Foz do Amazonas em cerca de 15 a 20 dias após descobrir hidrocarbonetos. Ela também afirmou que a companhia planeja perfurar mais três poços no mesmo bloco de exploração e aguarda as licenças ambientais.
A Petrobras também planeja perfurar poços de exploração em blocos adjacentes ao local onde Morpho foi perfurado. Em evento na véspera, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a descoberta é “um passaporte para o futuro do Brasil”. Ele também disse que ainda sonha em recomprar as refinarias vendidas pela Petrobras.
Em termos de fluxo para o mercado à vista, a B3 reportou o saldo do investidor estrangeiro referente ao dia 14 de agosto, que ficou negativo em R$2,52 bilhões, registrando a nona saída consecutiva de capital do estrangeiro. No acumulado para o mês de agosto, o saldo está negativo em R$18,1 bilhões, registrando até o momento o mês com maior saída de capital para a categoria no ano.
Apesar da retirada acentuada no início deste mês, o saldo do investidor estrangeiro no ano ainda se mantém positivo em R$18,2 bilhões.
No âmbito político, o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu na véspera, em entrevista à Bloomberg, que as apreensões dos agentes do mercado em relação ao avanço da dívida pública são procedentes.
Na avaliação do ministro, o governo federal precisa encarar de frente os questionamentos legítimos de investidores acerca da dinâmica dos gastos públicos, enfatizando a necessidade imediata de aprimorar o cenário fiscal brasileiro.
Apesar das ressalvas sobre os rumos das contas públicas, Durigan disse que o governo Lula tem cumprido rigorosamente as metas e os compromissos fiscais estabelecidos até o momento, uma postura que, conforme garantiu, será mantida para assegurar a credibilidade econômica do país.
📊 AÇÕES
As maiores contribuidoras do Ibovespa eram as PN e ON da Petrobras e as ON da Vibra, que subiam 1,06%, 0,97% e 1,16%, respectivamente.
As maiores altas percentuais eram as ON da Cosan, da Azzas e da SLC Agrícola, que avançavam 1,86%, 1,60% e 1,53%, respectivamente.
🇺🇸 EUA
Os futuros dos Estados Unidos operavam em queda, com foco dos investidores no estresse observado nos rendimentos dos títulos soberanos globais, em meio a crescentes déficits fiscais, persistência inflacionária e competitividade com emissões do setor privado.
Por volta das 10h10, os futuros do Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 recuavam 0,07%, 0,44% e 1,28%, respectivamente. Já as Treasuries yields de dois e dez anos subiam 1,2 pbs e 1,0 pbs, a 4,194% e 4,736%, respectivamente.
Investidores têm exigido, cada vez mais, uma compensação maior para financiar dívida de longo prazo das economias desenvolvidas. Há uma preocupação de que a incerteza geopolítica que paira sobre a economia global ofereça pressão inflacionária e acentue os choques de oferta vivenciados.
Os detentores de títulos também embutem prêmio ao financiamento de títulos de longo prazo pelas dúvidas relacionadas à capacidade das economias desenvolvidas de endereçarem o crescente déficit fiscal em um período de expansão da atividade econômica.
“O que o mercado está dizendo é: esperamos maior inflação ou, pelo menos, maior incerteza no futuro e, portanto, exigimos um rendimento mais alto para títulos de longo prazo”, afirmou Kustin Onuekwusi, da St James’s Place, à Bloomberg.
O conflito no Oriente Médio pressionou significativamente o mercado de renda fixa global, já que investidores passaram a apostar em pressão altista de preços de energia, alimentando apostas de que o Federal Reserve e outros bancos centrais terão de elevar os juros.
De acordo com a Bloomberg, o custo do serviço da dívida nos EUA, no acumulado deste ano, soma US$1,17 trilhão - alta de 15% - em parte devido aos rendimentos mais altos das Treasuries.
Para além disso, a concorrência dos emissores governamentais com companhias tecnológicas também tem sido ponto de atenção pelos investidores. Mercado tem acompanhado, ao longo dos meses, o ritmo recorde de emissão corporativa - adicionando oferta substancial de títulos de maior duration – como forma captação de recursos para financiamento de capex para expansão da Inteligência Artificial.
💹 COMMODITIES
Os futuros do petróleo subiam 0,30%, a US$91,18 por barril, com as perspectivas de um acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio ficando cada vez menor. O Irã afirmou que adotaria uma postura mais ofensiva, e os EUA descartaram a possibilidade de estender o acordo de cessar-fogo, aumentando as preocupações com interrupções prolongadas no fornecimento de energia – o que pressionava os juros globais.
O Irã manterá o Estreito de Ormuz fechado até que os EUA cumpram as condições do acordo provisório assinado em junho, afirmou o principal negociador iraniano, Mohammad Ghalibaf, em declarações publicadas pela mídia estatal nesta terça-feira. Trump havia anteriormente classificado o acordo como "encerrado".
Por outro lado, o Catar disse que os mediadores estão aguardando um acordo bilateral entre Omã e Irã sobre Ormuz para voltar com as negociações entre EUA e Irã para um acordo definitivo.
Já entre as commodities metálicas, os futuros do ouro operavam em queda de 0,52%, cotado a US$4.394 por onça-troy. Já os futuros da prata cediam 1,19%, cotado a US$65,07 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em queda de 0,85%, cotado a US$105,90 por tonelada na última madrugada, à medida que dados econômicos fracos da China, no domingo, aumentaram as expectativas de novos estímulos, compensando preocupações com a desaceleração da atividade industrial e uma queda acentuada na produção de aço.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











