O Bitcoin segue em disparada nesta sexta-feira (21) e supera os US$ 77 mil, em mais um dia de forte alta no mercado cripto, caminhando para encerrar a semana com ganhos de mais de 20%.
Nesta manhã, o Bitcoin tem alta de 8,4%, cotado a US$ 77.695 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 403.924, segundo dados do Portal do Bitcoin. Em 7 dias, o BTC acumula ganhos de 24%, o que o coloca no caminho de ter a maior alta semanal desde março de 2023. O Ethereum, por sua vez, sobe 5,2%, a US$ 2.392. Já o XRP dispara 20,6%, enquanto a Solana sobe 4,7% e a BNB avança 5,7%.
Entre os principais criptoativos, o HYPE, da Hyperliquid, seguia como um dos nomes mais fortes da semana. O token subia mais de 4%, para perto de US$ 73, e acumulava ganho de quase 27% em sete dias. A alta foi impulsionada nos últimos dias por aumento da receita da rede e pela fala de Donald Trump de que a CFTC trabalha para trazer a Hyperliquid aos Estados Unidos de forma legal e regulada.
O movimento prolonga o rali iniciado na quarta-feira, quando o Tesouro dos Estados Unidos anunciou que vai dobrar o tamanho das recompras de títulos de longo prazo, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. A medida foi lida por investidores como uma tentativa de aliviar a pressão no mercado de Treasuries, depois de os juros longos atingirem os maiores níveis desde 2007.
A alta também ganhou força com uma nova rodada de liquidações de posições vendidas. Dados da CoinGlass mostram que cerca de US$ 1,2 bilhão em shorts foram liquidados nas últimas 24 horas, dentro de um total de US$ 1,4 bilhão em posições encerradas à força. O movimento atingiu mais de 156 mil traders.
A pressão sobre vendidos veio depois de um dia ainda mais forte: na quinta-feira, mais de US$ 3 bilhões em shorts foram liquidados, no maior volume diário registrado desde 2021. Com isso, as perdas de traders que apostavam contra o mercado cripto passaram de US$ 4 bilhões em dois dias.
Short squeeze acelera alta, mas não explica tudo
Uma liquidação ocorre quando um trader usa alavancagem, o mercado anda contra sua posição e a corretora encerra automaticamente a operação para evitar perdas maiores. No caso das posições vendidas, esse encerramento força a recompra do ativo, o que pode alimentar novas altas e gerar uma cascata de liquidações.
Foi exatamente esse efeito que ajudou o Bitcoin a romper resistências nos últimos dias. O BTC superou primeiro a região dos US$ 66 mil, depois passou pelos US$ 70 mil e agora mira patamares mais altos, após chegar perto de US$ 80 mil.
A dúvida é se o movimento é apenas mecânico, provocado por traders vendidos sendo forçados a recomprar, ou se há demanda real sustentando a alta. Essa distinção é importante porque um short squeeze pode acelerar um rali, mas não necessariamente cria uma tendência duradoura sozinho.
Mati Greenspan, ex-analista sênior da eToro e fundador da Quantum Economics, afirmou que o comportamento recente do Bitcoin se parece com o início de formações de fundo. Segundo ele, esses movimentos geralmente começam com um short squeeze, uma grande vela de alta, rompimentos técnicos e investidores que esperavam preços muito mais baixos sendo obrigados a rever a estratégia.
Outros sinais também ajudam a explicar o fôlego do rali. Os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram fortes entradas na quarta-feira, com US$ 517 milhões em captação líquida, maior volume diário desde o início de maio. Esse fluxo reforçou a leitura de que a alta não veio apenas da liquidação de vendidos, mas também da volta de compradores institucionais.
O pano de fundo regulatório também ajudou o mercado. Na Casa Branca, Trump pediu que o Congresso avance com uma “versão justa” do Digital Asset Market Clarity Act, projeto que busca definir regras mais claras para o mercado cripto nos EUA, incluindo a divisão de competências entre SEC e CFTC.
Fora das criptomoedas, ativos vistos como proteção também subiram. O ouro chegou perto de US$ 4.600 por onça, enquanto a prata se aproximou de US$ 70, em meio à leitura de que o suporte do Tesouro ao mercado de dívida pode pesar sobre o dólar e reforçar a busca por ativos escassos. O Financial Times também destacou que o ouro caminha para seu maior ganho mensal desde 1999, em meio às preocupações com a intervenção no mercado de títulos americano.
Para o Bitcoin, o próximo teste é sustentar a região acima dos US$ 77 mil depois de uma alta tão rápida. Se os fluxos em ETFs continuarem positivos e os juros longos seguirem sob controle, o rali pode mirar novamente a faixa de US$ 80 mil. Mas, se a alta perder força após a limpeza de posições vendidas, o mercado pode devolver parte do movimento e testar suportes formados nos rompimentos anteriores, especialmente entre US$ 72 mil e US$ 70 mil.
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