O Bitcoin tenta se recuperar nesta quarta-feira (9), depois de cair abaixo de US$ 78 mil na véspera. O BTC chegou a tocar US$ 77.666, mas voltou a superar os US$ 79 mil neste início de dia, em um movimento que deixa a criptomoeda praticamente estável em 24 horas e com alta de pouco menos de 2% na semana.
Nesta manhã, o Bitcoin tem alta de 0,5%, cotado a US$ 79.077 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 403.695, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, avança 0,3%, a US$ 2.490. Já o XRP sobe 1,7%, enquanto a Solana tem alta de 0,4% e a BNB recua 0,8%.
A recuperação, porém, ainda ocorre em um ambiente macroeconômico difícil. O petróleo Brent voltou a superar US$ 100 por barril pela primeira vez desde julho, enquanto o WTI passou dos US$ 94, pressionado pela escalada do conflito no Oriente Médio e por ataques a infraestruturas de energia na região. A alta do petróleo reacende temores de inflação e mantém os juros dos títulos americanos em patamar elevado.
Com energia mais cara e pressão inflacionária no radar, investidores seguem precificando cerca de 60% de chance de uma alta de juros pelo Federal Reserve na reunião dos dias 15 e 16 de setembro, segundo dados da ferramenta CME FedWatch. O rendimento do Treasury de 10 anos segue perto de 4,8%, enquanto o juro de 2 anos permanece acima de 4,3%.
Esse cenário costuma pesar sobre o Bitcoin porque juros mais altos aumentam o retorno dos títulos públicos e reduzem o apetite por ativos de risco ou sem rendimento próprio. Ainda assim, o BTC tem mostrado alguma resistência dentro da faixa recente entre US$ 75 mil e US$ 82 mil, que traders apontam como os principais níveis antes da decisão do Fed.
Zcash rouba a cena com ETF de US$ 500 milhões
Enquanto o Bitcoin segue travado pelo cenário macro, parte do dinheiro do mercado cripto migrou para a Zcash (ZEC). A Grayscale informou que seu ETF de Zcash, negociado sob o ticker ZCSH, ultrapassou US$ 500 milhões em ativos apenas duas semanas depois de estrear na NYSE Arca.
O fundo já recebeu mais de US$ 70 milhões em entradas acumuladas desde o lançamento, além de um investimento de US$ 100 milhões da DCG International Investments, segundo a Grayscale. O ETF agora detém mais de 550 mil ZEC, o equivalente a cerca de 3% da oferta circulante da criptomoeda, estimada em 16,9 milhões de tokens.
A forte demanda ajudou a Zcash a superar US$ 1.240 no dia, com alta de mais de 8%, volume de cerca de US$ 1 bilhão em 24 horas e valor de mercado próximo de US$ 20 bilhões. Com isso, a criptomoeda de privacidade entrou entre as dez maiores do mercado na última semana.
Inflação dos EUA vira próximo teste
O foco dos investidores agora se volta para os últimos dados econômicos antes da reunião do Fed. O índice de preços ao produtor, o PPI, sai na quinta-feira, enquanto o índice de preços ao consumidor, o CPI, será divulgado na sexta. Esses números devem ajudar a definir se o banco central americano terá espaço para manter os juros estáveis ou se precisará voltar a apertar a política monetária.
A expectativa é que o núcleo da inflação ao consumidor recue para 2,4%, dado que pode aliviar parte das apostas em alta de juros se vier dentro ou abaixo do esperado. Por outro lado, uma leitura mais forte reacenderia a pressão sobre Treasuries, dólar e ativos de risco.
Jasper De Maere, trader de balcão da Wintermute, afirmou que o mercado está negociando mais em função dos juros do que de fatores específicos de cripto. Segundo ele, a volatilidade deve aumentar até o fim da semana, com US$ 75 mil e US$ 82 mil como níveis importantes para o Bitcoin antes da decisão do Fed.
Analistas da Bitfinex também destacaram que o teste da semana será observar se os ETFs de Bitcoin conseguem manter entradas positivas mesmo com o juro de 2 anos acima de 4,34%. Para eles, se o mercado continuar comprando BTC apesar dos juros curtos elevados, isso pode indicar que a taxa de política monetária deixou de ser o principal limite para a alta da criptomoeda.
Por ora, o Bitcoin segue em compasso de espera. A recuperação para perto dos US$ 79 mil mostra que compradores continuam defendendo quedas abaixo de US$ 78 mil, mas a alta só ganharia força com rompimento mais claro da faixa dos US$ 82 mil. Até lá, petróleo, inflação e Fed seguem ditando o ritmo do mercado.
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