O Bitcoin segue em disparada nesta quinta-feira (20), negociando acima de US$ 72 mil, prolongando a disparada iniciada na véspera após a medida do Tesouro dos Estados Unidos para ampliar recompras de títulos de longo prazo. Com a alta, o valor de mercado de todo o mercado cripto salta mais de 10% hoje, a US$ 2,514 trilhões.
Nesta manhã, o Bitcoin tem alta de 11,7%, cotado a US$ 72.043 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 373.031, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, salta 18,5%, a US$ 2.282. Já o XRP recua 14,1%, enquanto a Solana sobe 12,7% e a BNB avança 6,6%.
O movimento veio depois de o BTC romper a faixa dos US$ 68 mil na quarta-feira, quando subiu 5,8% após o Tesouro americano anunciar que vai dobrar o tamanho das operações de recompra de títulos com vencimento entre 10 e 30 anos, para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. A medida começa em 9 de setembro e foi lida pelo mercado como uma tentativa de dar suporte à liquidez no mercado de Treasuries após a forte alta dos juros longos.
A alta se espalhou pelas principais criptomoedas. Entre as grandes criptos, o HYPE, da Hyperliquid, é um dos maiores destaques, com alta de mais de 25%, para mais de US$ 72.
Liquidações e ETFs aceleram disparada
A arrancada do Bitcoin ganhou força com uma forte onda de liquidações de posições vendidas. Segundo dados da CoinGlass, cerca de US$ 243 milhões em posições short foram liquidadas em apenas uma hora, praticamente todo o volume de US$ 252 milhões eliminado no período. Só o Bitcoin respondeu por aproximadamente US$ 220 milhões desse total.
No acumulado de 24 horas, as liquidações chegaram a US$ 3,26 bilhões, sendo US$ 2,7 bilhões em apostas baixistas. Esse tipo de movimento costuma acelerar a alta porque traders vendidos são obrigados a recomprar os ativos para encerrar posições, alimentando ainda mais a pressão compradora.
Os ETFs também ajudaram a confirmar a força do movimento. Fundos de Bitcoin à vista dos Estados Unidos registraram US$ 517 milhões em entradas líquidas em 19 de agosto, maior captação diária desde o início de maio, segundo dados da SoSoValue. Os ETFs de Ethereum atraíram US$ 189 milhões, melhor resultado desde outubro de 2025.
A entrada de recursos reforça a leitura de que a alta não foi apenas um movimento técnico de liquidação de shorts. Depois de meses de negociação lateral, com o Bitcoin preso abaixo de US$ 64 mil em boa parte do período, o retorno de fluxo institucional dá mais sustentação ao rompimento. Ainda assim, o mercado deve observar se a demanda pelos ETFs se mantém nos próximos dias. Um segundo ou terceiro pregão de entradas fortes indicaria um comprador institucional mais consistente; uma reversão rápida recolocaria a região dos US$ 64 mil como suporte importante.
O dólar mais fraco também ajuda. O índice DXY, que mede a moeda americana contra uma cesta de divisas fortes, caiu cerca de 3% desde o fim de julho e voltou para a região de 98,6 pontos. Um dólar em queda costuma aliviar ativos de risco e favorecer criptomoedas, especialmente quando combinado com juros longos em recuo.
Tesouro e Casa Branca reforçam apetite por cripto
A origem da alta está no mercado de títulos dos Estados Unidos. Na quarta-feira, o Tesouro anunciou que vai mais que dobrar recompras de dívida de longo prazo para melhorar a liquidez em um mercado pressionado por juros elevados, inflação e preocupação fiscal. A decisão veio depois de o rendimento do Treasury de 30 anos atingir o maior nível desde 2007.
Os títulos reagiram em alta, com queda dos yields. O juro americano de 30 anos caiu cerca de 9 pontos-base na quarta-feira e voltou a recuar levemente na Ásia, para perto de 5,18%. O rendimento de 10 anos também cedeu, para cerca de 4,63%. Segundo o Guardian, a queda nos juros longos veio depois de Scott Bessent sinalizar que o Tesouro ampliaria recompras para dar suporte ao mercado de dívida.
Na prática, o mercado interpretou o movimento como um sinal de que os juros longos haviam subido demais e que o governo americano precisou agir. Não se trata de um programa clássico de afrouxamento monetário, já que não é o Federal Reserve criando dinheiro para comprar títulos. Mas a mensagem para investidores foi parecida: quando o custo da dívida aperta demais, alguma forma de suporte de liquidez aparece.
Esse ambiente favorece a narrativa do Bitcoin como ativo escasso e fora da lógica de expansão da dívida pública. Na véspera, Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin, afirmou que a alta do BTC foi uma reação direta à percepção de que o sistema financeiro tradicional está exigindo cada vez mais suporte para lidar com dívida, juros e liquidez.
O cenário político também contribuiu para o apetite por cripto. Em evento na Casa Branca, o presidente Donald Trump pediu que o Congresso aprove uma “versão justa” do Clarity Act, projeto que busca estabelecer regras mais claras para o mercado de ativos digitais nos Estados Unidos. O evento reuniu executivos de empresas como Coinbase, Robinhood, Kraken e Intercontinental Exchange, segundo a Reuters.
Para o curto prazo, o principal teste do Bitcoin passa a ser a região dos US$ 72 mil e, em seguida, a tentativa de sustentar o caminho até US$ 75 mil. No caso do Ethereum, o mercado observa se o preço consegue se manter acima de US$ 2.200 depois de uma alta tão rápida. Como parte do movimento veio de uma notícia de liquidez, e não de um gatilho específico da rede Ethereum, uma realização parcial não seria surpresa.
Ainda assim, a combinação de juros longos em queda, dólar mais fraco, entrada em ETFs e liquidação de posições vendidas mudou o tom do mercado cripto. Depois de semanas de lateralização, o Bitcoin voltou a romper resistências importantes e reacendeu a aposta de que uma nova perna de alta pode estar começando.
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