$BA $BOEI34 | **Boeing segue em recuperação, mas mercado já começa a precificar boa parte do cenário positivo**
A Morgan Stanley atualizou sua visão sobre a Boeing após o resultado do 4T25, elevando o preço-alvo de 235 para 245 dólares, com base na expectativa de normalização do free cash flow nos próximos anos. O banco reduziu levemente as projeções de FCF para 2026 e 2027, refletindo alguns itens que eram vistos como pontuais, mas que agora devem se estender por mais tempo, como custos do programa 777X, maiores investimentos, pressões no KC-46 e impactos ligados à aquisição da Spirit AeroSystems.
Apesar disso, a tese de longo prazo segue praticamente intacta. A empresa reiterou a meta de gerar mais de 10 bilhões de dólares em free cash flow normalizado, mesmo incorporando cerca de 1 bilhão de dólares adicionais de headwind com a Spirit. O ponto central do relatório é que o mercado tende a olhar menos para o ruído de curto prazo e mais para o potencial de geração de caixa normalizada à frente, principalmente com o aumento gradual das entregas do 737 MAX e do 787.
Do ponto de vista de valuation, a Morgan Stanley passa a trabalhar com um múltiplo de 20x P/FCF para 2028, ainda abaixo de pares como RTX e GE, mas acima da média histórica da própria Boeing. Isso mostra que parte da reprecificação já aconteceu, o que ajuda a explicar a postura mais cautelosa no curto prazo, mesmo com a melhora operacional.
No fim das contas, o relatório reforça a ideia de que a Boeing está saindo do modo “sobrevivência” e entrando numa fase mais consistente de recuperação, mas com um risco-retorno hoje mais equilibrado. Não é mais aquela assimetria clara de quando o papel estava muito pressionado, e sim um case que exige execução contínua para justificar preços estruturalmente mais altos nos próximos anos.