Por: Gabriel Ponte
Brasília, 5/8/2026 - O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic nesta noite em 25 pontos-base, a 14,00%, em linha com consenso, em comunicado mais conciso que anterior, e evitou fechar a porta para eventual nova rodada de corte em setembro, embora também não tenha sinalizado continuidade.
O colegiado afirmou que o ciclo de calibração será estabelecido à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta.
Na decisão desta noite, unânime, o colegiado reforçou que o cenário atual demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.
“O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.”
Pontuou ainda que o cenário atual é caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base.
ATIVIDADE ECONÔMICA
De acordo com o Copom, os indicadores correntes de atividade têm se mantido consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O colegiado disse, porém, que monitora com atenção a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação.
Segundo o Copom, o conjunto de indicadores divulgado desde a última reunião sugere moderação gradual da atividade, embora esta ainda se encontre em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido.
“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta.”
BALANÇO DE RISCOS
O Copom formalizou no comunicado desta noite o reconhecimento do balanço de riscos como assimétrico altista, ponto este já aguardado por players de mercado. A composição do balanço de riscos foi de quatro altistas e três baixistas.
Entre os riscos altistas, repetiu a menção a estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial.
Já entre os riscos baixistas, citou eventual desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza.
PROJEÇÕES
O Copom passou a incorporar o primeiro trimestre de 2028 como horizonte relevante nesta reunião, com projeção de inflação no período em 3,2%, em linha com a modelagem no Relatório de Política Monetária de junho. A projeção para a inflação ao fim deste ano recuou a 5,1%, ante 5,2%.
Já em relação aos preços administrados, o Copom elevou a projeção ao fim de 2026 a 4,9%, ante 4,7%; Para o primeiro trimestre de 2028, a projeção ficou em 3,5%, ante 3,9% projetados anteriormente para o quarto trimestre de 2027.
EXTERNO
O Copom afirmou que o ambiente externo segue incerto, em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.
Reiterou, também, que tal cenário exige cautela por parte de emergentes, em meio à elevação da volatilidade de preços e de commodities.
REPERCUSSÃO
Goldman Sachs avaliou comunicado desta noite como “um pouco hawkish”, embora necessário após o ruído observado na reunião de junho. Também mencionou uma comunicação “mais simples e clara”.
À Bloomberg, a Opportunity avaliou que o comunicado desta noite foi “mais conciso que o anterior”, provavelmente reduzindo a chance de ruído entre agentes econômicos.
Na mesma linha, a Legacy enxergou melhora na comunicação, e projetou novo corte de juro pelo BC, de acordo com modelo.
Já de acordo com o Santander, o comunicado ficou “marginalmente mais hawkish”, com o foco passando a ser do nível apropriado de restrição.
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