Banco ABC Brasil | $ABCB4 | 4T25 | 🟩 Resultado geral acima do consenso
O Banco ABC Brasil reportou um 4T25 sólido, com lucro acima das estimativas, melhora de rentabilidade e indicadores de qualidade de ativos controlados, apesar do aumento relevante das provisões no trimestre. O desempenho foi impulsionado por resultado forte em tesouraria, receitas de tarifas robustas e ganhos de eficiência, além da evolução positiva do portfólio do middle market, que veio acima do esperado e pode sustentar um NIM melhor em 2026.
O lucro líquido atingiu R$276mn, alta de 7,3% t/t e 13,4% a/a, ficando 2,6% acima da estimativa do analista e 1,1% acima do consenso Bloomberg, caracterizando 🟩 surpresa positiva. O ROE avançou para 16,3%, acima do 16,1% esperado e do 15,5% do 3T25. O banco também divulgou o guidance 2026, no qual as principais linhas ficaram dentro do intervalo esperado, com exceção do middle segment, que veio melhor e pode gerar upside para margens.
A receita financeira apresentou beat relevante, com o NII total 5,3% acima da estimativa, puxado por tesouraria de R$143mn (+68% vs. BBIe; +86% t/t), levando o NIM total a 4,7%, acima do 4,5% esperado e do 4,4% no 3T25 (🟩 acima). Em contrapartida, a margem com clientes ficou levemente abaixo do esperado, com spread caindo 20bps t/t para 3,8%, refletindo efeito de mix (🟨/🟥 marginal). A remuneração do patrimônio (JCP/dividendos) também veio um pouco mais fraca.
Os indicadores de qualidade de ativos foram positivos. As provisões líquidas somaram R$126mn, 27% acima da estimativa e +41% t/t, impactadas por menores recuperações (R$8mn vs. R$45mn no 3T), enquanto as provisões brutas permaneceram estáveis em ~R$134mn. Ainda assim, os NPLs >90 dias recuaram 10bps t/t para 0,5%, com destaque para o middle segment (-50bps t/t para 2,8%), corporate (-10bps para 0,4%) e large corporates praticamente zero. A carteira stage 3 ficou estável em 2,6%, elevando o índice de cobertura para 501% (vs. 389% no 3T25) (🟩).
As receitas de tarifas vieram fortes, totalizando R$126mn, 6% acima do esperado (🟩), com investment banking em R$57mn (+24% t/t), corretagem de seguros em R$39mn (+19% t/t) e garantias em R$40mn (estável t/t).
As despesas operacionais cresceram 8,5% t/t e 9,4% a/a, cerca de 5% acima da estimativa, pressionadas por outras despesas administrativas (+22% t/t). Ainda assim, o índice de eficiência melhorou para 37,9% (vs. 38,8% no 3T), melhor que o esperado (🟩). O CET1 permaneceu estável em 11,9%, com RWA +1,7% t/t frente a crescimento de carteira de 4,7% t/t, mantendo capital confortável (🟨).
Leitura final: o 4T25 foi 🟩 acima do consenso, com lucro, NIM e tarifas melhores que o esperado, compensando o aumento de provisões. O desempenho do middle market desponta como potencial vetor positivo para margens em 2026, dentro de um guidance considerado conservador.