Doações privadas explicam o aumento nas reservas nacionais de Bitcoin de El Salvador desde meados de 2025, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI) na quinta-feira, ao anunciar um acordo em nível técnico referente às revisões combinadas da segunda e terceira etapas do programa do país.
A documentação fornecida pelas autoridades salvadorenhas confirmou que o acúmulo ocorrido desde a primeira revisão “reflete doações privadas e que nenhum recurso público foi utilizado”, informou o Fundo. A instituição não prevê novos acréscimos além dessas doações documentadas.
A versão do FMI difere daquela apresentada pelo próprio Fundo há um ano. Em setembro de 2025, um representante de comunicação do FMI disse ao site Decrypt que a quantidade total de Bitcoin sob posse do governo não havia aumentado e que o crescimento no Fundo de Reserva Estratégica de Bitcoin de El Salvador refletia apenas a movimentação de moedas entre carteiras já controladas pelo Estado.
A reserva contava com 5.968 BTC quando o programa começou, em dezembro de 2024, e agora totaliza 7.764 BTC, segundo o Escritório de Bitcoin de El Salvador. O governo do presidente Nayib Bukele sempre sustentou que compra um Bitcoin por dia e anunciou, em novembro passado, a compra de 1.090 BTC, avaliada em cerca de US$ 100 milhões.
Ainda na semana passada, o Escritório de Bitcoin publicou no X (antigo Twitter) que El Salvador havia “acabado de comprar mais Bitcoin”, anexando um gráfico de tesouraria que mostrava a adição de 31 moedas ao longo de 30 dias — o que contradiz a versão do FMI.
Mudança na gestão da Chivo
A participação majoritária e o controle operacional da Chivo — a carteira estatal lançada juntamente com a Lei do Bitcoin de 2021 — foram transferidos para uma operadora privada não nomeada pelo Fundo. El Salvador mantém uma participação minoritária e a responsabilidade pela custódia dos ativos dos clientes.
As revisões devem liberar cerca de US$ 140 milhões (ou 101,96 milhões de DES — Direitos Especiais de Saque) assim que o Conselho de Administração aprovar a medida e El Salvador concluir as ações prévias acordadas. O montante faz parte da Linha de Crédito Ampliado (Extended Fund Facility) de US$ 1,4 bilhão e duração de 40 meses, aprovada em fevereiro de 2025; os termos do acordo exigiam que o país tornasse voluntária a aceitação de Bitcoin pelos comerciantes, coletasse impostos em dólares e interrompesse as compras pelo setor público.
A equipe técnica também chegou a entendimentos sobre a modernização da regulamentação de ativos digitais e o fortalecimento da governança e da gestão de riscos relacionados às reservas de criptoativos do setor público. O Fundo projeta um crescimento de 4,5% este ano, impulsionado por investimentos, remessas e turismo, e defende que a dívida pública seja reduzida para cerca de 80% do PIB até 2030.
O FMI não informou quem doou Bitcoin a El Salvador nem quanto cada doador contribuiu.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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