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💡 ESPECIAL: Copom deverá promover corte de 25 pbs e deixar futuro em aberto da política monetária

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Por: Gabriel Ponte


Brasília, 15/6/2026 - O Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir a Selic nesta quarta-feira em 25 pontos-base, a 14,25%, mesmo com a resiliência da atividade e do mercado de trabalho, além da desancoragem das expectativas de inflação, dado que não houve mudança relevante na comunicação do Banco Central desde a reunião de abril, que continua sinalizando processo de calibragem do juro.


O colegiado, porém, deverá deixar as opções em aberto para agosto, em razão do risco de deterioração adicional da inflação. O Copom inicia reunião de juros de dois dias nesta terça-feira, e informa decisão na quarta, a partir das 18h30.


Opções negociadas na B3 na segunda-feira indicavam 83% de chances de corte de 25 pbs na reunião desta semana. Já as apostas por uma manutenção dos juros – anteriormente majoritárias - recuaram a 17%.


O fluxo de dados desde a última decisão do Copom, em 29 de abril, continuou apontando para uma atividade econômica resiliente, com aceleração do Produto Interno Bruto cíclico no primeiro trimestre, avançando 1,1% na base sequencial, ante 0,3% no quarto trimestre de 2025.


Dados do mercado de trabalho também mostraram leitura resiliente, com números da PNAD exibindo dinâmica firme, com taxa de desemprego em 5,8%. A geração líquida de postos de trabalho medida pelo Caged desacelerou a 86 mil em abril, mas ainda acima do ritmo neutro quando se observa a média móvel de três meses com ajuste sazonal.


A despeito dos dados, o Itaú projeta corte de 25 pbs pelo Copom nesta semana, e manutenção das opções em aberto para a próxima decisão, em agosto, ao comunicar que, neste momento, o espaço remanescente para qualquer calibração adicional é mais incerto. De acordo com o banco, o momento sugere um custo de oportunidade bastante delicado ao avançar no processo de calibração dos juros.


Segundo o Itaú, o cenário é marcado por incertezas crescentes no âmbito local, em razão do elevado grau de alavancagem das empresas e das famílias, bem como pelo risco de deterioração adicional do ambiente inflacionário. “Em termos líquidos, desde a última reunião, o tamanho total do ciclo parece ter diminuído”, completou.


O JPMorgan, na linha do Itaú, também antevê um corte de 25 pbs pelo colegiado. Em comunicado, o banco diz preferir uma nova rodada de afrouxamento monetário nesta semana, citando “consistência e credibilidade” do arcabouço da calibração dos juros.

“Interromper abruptamente esse processo (calibração de juros) cria o risco de gerar a percepção de que o Copom mudou sua própria função de reação e sua estratégia de convergência de médio prazo”, justificou o banco.


Para o JPMorgan, a atividade econômica navega em uma mistura “ruidosa” de choques inflacionários pontuais, incertezas fiscais e de crédito, além de aperto externo, mas não se encontra em um novo regime de superaquecimento.


Assim, na visão do banco, uma nova rodada de alívio ainda deixa a política monetária “profundamente restritiva”, e representa um seguro contra eventual aperto excessivo. A instituição também prevê que o Copom deverá assegurar plena opcionalidade para os próximos passos de política monetária.


SELIC TERMINAL


A despeito do corte projetado para esta semana, operadores anteveem um menor espaço para calibração de juros pelo BC adiante, em meio às pressões inflacionárias, incertezas locais, e novas medidas de estímulo econômico anunciadas pelo governo, bem como proposições aprovadas pelo Senado.


Ao fim de maio, o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, já havia afirmado que houve uma “queima de gordura” do BC para absorver choques inflacionários após a eclosão do conflito no Oriente Médio. Na ocasião, também repetiu o desconforto de membros do BC com expectativas desancoradas, especialmente para 2028 - além do horizonte relevante da autarquia.


No início deste mês, por exemplo, o BTG revisou projeção para Selic ao fim deste ano a 14,25%, ante 13,0%, projetando um último corte de 25 pbs esta semana. Também revisou projeção para Selic ao fim de 2027 a 12,5%, ante 10,5%, em meio à deterioração de fundamentos inflacionários e aumento da assimetria de riscos.


O banco afirmou que desde abril, o cenário se deteriorou de forma relevante, citando composição desfavorável da inflação e falta de evidências de arrefecimento em indicadores de atividade, mercado de trabalho e crédito. O BTG inclusive argumenta que o cenário exigiria pausa já dos juros, mas a comunicação do Copom ainda aponta para corte adicional nesta semana.


Na esteira de revisões, a XP revisou a projeção para a Selic ao fim deste ano a 14%, ante 13,75%, estimando mais dois cortes de 25 pontos-base, também citando deterioração das perspectivas de inflação.


O BNP Paribas, por sua vez, projeta que o Copom reduzirá a Selic em 25 pbs nesta semana, a 14,25%, e promoverá uma nova rodada de corte de 25 pbs apenas em dezembro de 2026. A instituição reconheceu que o risco de o BC ser forçado a pausar o ciclo de calibração aumentou significativamente, em meio à resiliência da atividade e do mercado de trabalho.


O BNP também argumenta que uma pausa no ciclo de calibração dos juros poderia ocorrer para o BC não colocar sob risco a credibilidade conquistada perante agentes econômicos.


BALANÇO DE RISCOS


Há um grande foco dos investidores nesta semana na descrição do balanço de riscos pelo Copom, bem como sua classificação. Em abril, o Copom evitou declarar assimetria altista explícita na descrição do balanço de risco, e o manteve simétrico, embora tenha incorporado efeitos potenciais dos conflitos no Oriente Médio sobre commodities e expectativas de inflação de prazos mais longos.


Desde então, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem citado as dificuldades que a autarquia experimenta ao tentar separar os efeitos primários dos efeitos secundários em meio ao choque de oferta energético experimentado com o fechamento do Estreito de Ormuz.


O Itaú, porém, disse não acreditar que o Copom descreverá o balanço de riscos como assimétrico, dado que tal mudança poderia levar o mercado a passar a discutir altas de juros de forma “mais concreta”.


PROJEÇÕES


O JPMorgan estima que a projeção do Copom para a inflação no quarto trimestre de 2027 – atual horizonte relevante de política monetária - deverá avançar a 3,6%, ante 3,5%. O Itaú também estima revisão altista a 3,6%.


O BTG antevê revisão altista para inflação no 4T27 a 3,64%, mas alerta que ainda permanecem riscos altistas na modelagem, em razão da possibilidade de a autarquia incorporar alguma hipótese relacionada ao fenômeno climático El Niño.


Assim como na reunião de abril, expectativas de inflação mais elevadas no horizonte de política devem manter o tom cauteloso do BC.


Em suma, em um ambiente de choques de oferta sucessivos e sobrepostos, o BC tem mais um desafio em tentar separar inflação temporária de persistência de preços, elevando a assimetria de riscos para a política monetária.


(GP | Edição: Luca Boni | Comentários: [email protected])

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