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📈 ABERTURA DE MERCADO
🌱 A soja inicia a semana sob influência direta do cenário geopolítico. A escalada de tensão no Oriente Médio estimulou cobertura de vendidos no fim do mês e deu sustentação ao complexo de grãos em Chicago, com o trigo liderando o movimento e arrastando soja e milho.
Apesar do suporte externo, o vetor estrutural segue sendo a demanda chinesa, que permanece sem novos registros formais de compra após o feriado. As vendas semanais norte-americanas vieram próximas da base das estimativas e o acumulado da temporada segue abaixo do ano anterior.
Na América do Sul, o clima volta ao centro das atenções. No Mato Grosso, o excesso de chuvas compromete a reta final da colheita, gera perdas de qualidade e pressiona a logística. A colheita já ultrapassa três quartos da área, mas perdeu ritmo nas últimas semanas, com previsão de continuidade das precipitações no Centro-Sul.
No mercado físico brasileiro, o fluxo aumenta com a necessidade de caixa e liberação de armazéns. Em Sorriso (MT), negócios de exportação foram registrados na faixa de R$ 106 por saca FOB, enquanto a indústria trabalha levemente abaixo. No Paraná, há registros em Ponta Grossa ao redor de R$ 124 por saca CIF para entrega imediata, com prêmios maiores para prazos mais longos. No Porto de Paranaguá, as indicações variam entre R$ 130 e R$ 134 por saca CIF, refletindo firmeza na exportação e expectativa de fretes mais elevados.
🌽 Para o milho, o mercado doméstico segue travado. O avanço da colheita da soja desloca o foco do produtor e restringe a oferta de curto prazo, enquanto o atraso no plantio da safrinha adiciona incerteza sobre o cumprimento de contratos. Em Mato Grosso, compradores estão praticamente ausentes; as pedidas giram em torno de R$ 50 por saca FOB, mas as indicações efetivas não passam da faixa de R$ 43 a R$ 45. No disponível, apenas negócios pontuais com usinas de etanol foram observados.
No Paraná, o milho verão enfrenta impasse semelhante. Em Ponta Grossa, compradores ofertam cerca de R$ 59 por saca CIF, enquanto vendedores resistem abaixo de R$ 60 a R$ 62. A prioridade dada à soja tende a manter o milho em segundo plano no curto prazo, comprimindo a liquidez. O indicador Cepea/Esalq encerrou a semana em R$ 69,53 por saca.
Em Chicago, o milho acompanhou o movimento do trigo e também foi beneficiado pelo fortalecimento do petróleo, que melhora a competitividade do etanol.
🍒 O café inicia março pressionado pela expectativa de recomposição da oferta global, após um fevereiro marcado por correção relevante nas bolsas internacionais. Em Nova York, o arábica acumulou desvalorização expressiva no mês, encerrando o período próximo de 280 centavos de dólar por libra-peso, em movimento associado à leitura de que Brasil e Vietnã podem entregar safra mais confortável no próximo ciclo.
Em Londres, o robusta acompanhou a direção negativa, também registrando perdas mensais consistentes. O mercado passa a precificar cenário de maior disponibilidade física, ainda que as estimativas variem. Projeções indicam produção mundial entre 185 e 191 milhões de sacas, enquanto o consumo é estimado entre 176 e 187 milhões. Mesmo nos cenários mais otimistas de oferta, a relação estoque/consumo permanece abaixo de 10%, o que mantém o equilíbrio estrutural ainda relativamente ajustado.
A escalada de tensão no Oriente Médio, com impactos potenciais sobre o Estreito de Ormuz e o Canal de Suez, eleva o risco logístico e pode pressionar custos de frete marítimo. Movimentos mais fortes no petróleo tendem a influenciar o ambiente macro e o dólar no curto prazo, com reflexos indiretos sobre as commodities agrícolas.
No mercado físico brasileiro, o ambiente permanece relativamente estável, com os preços domésticos refletindo a acomodação externa e a perspectiva de safra maior. A formação de preços segue condicionada à confirmação do potencial produtivo no Brasil e ao comportamento da logística global nas próximas semanas.
💵 DÓLAR: O câmbio abre a semana sob forte influência do cenário externo, com a escalada do conflito no Oriente Médio elevando a aversão ao risco e impulsionando o petróleo. A alta expressiva da commodity, diante do temor de bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o fluxo global de energia, reforça o movimento de proteção nos mercados. O dólar ganha força no exterior, com o índice DXY atingindo o maior nível em semanas, enquanto os rendimentos dos Treasuries avançam, refletindo busca por ativos considerados mais seguros.
A tensão geopolítica também impacta o ambiente financeiro global, pressionando bolsas e ativos de maior risco. O fechamento do espaço aéreo em parte da região e a suspensão de negociações diplomáticas adicionam incerteza sobre a duração do conflito. O encarecimento do petróleo amplia preocupações com inflação global e pode alterar expectativas para a política monetária nos Estados Unidos.
No Brasil, o real tende a reagir a essa combinação de dólar mais forte e juros americanos em alta. Internamente, o IPCA-15 acima do esperado reforça a leitura de que o ciclo de cortes da Selic pode ocorrer de forma mais cautelosa, especialmente diante da persistência da inflação de serviços. O diferencial de juros continua relevante, mas o vetor externo domina a formação de preço no curto prazo.
A agenda doméstica traz dados de atividade e indicadores fiscais, enquanto no exterior o foco permanece nos desdobramentos geopolíticos e nos próximos indicadores de emprego e atividade nos Estados Unidos. O comportamento do câmbio ao longo do dia deve refletir principalmente a intensidade do movimento do petróleo, a trajetória dos Treasuries e a manutenção — ou não — da aversão global ao risco.