Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
Brasília, 01/09/2026 - O Ibovespa encerrou em alta o pregão desta terça-feira, descolando-se do desempenho negativo dos mercados globais, diante do desempenho altista de papéis blue chips, como Petrobras, enquanto rendimentos de títulos soberanos de desenvolvidos vivenciaram estresse por preocupações acerca de déficits crescentes.
Localmente, ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator das apurações envolvendo fraudes do Banco Master, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Ao fim da sessão, o Ibovespa encerrou em alta de 1,30%, aos 179.722 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$21,6 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$16,8 bilhões.
JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros encerraram em queda de até 12 pontos-base na sessão regular, em descompasso ao movimento altista dos rendimentos dos rendimentos dos títulos soberanos globais.
Mais cedo, Tesouro colocou lote integral de 1,4 milhão de NTN-B e 750 mil LFTs, em certame de pós-fixados.
Já os futuros do dólar recuavam 0,55%, a R$5,190, enquanto o índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, subia 0,26%, aos 99,6 pontos.
BRASIL
Ibovespa descolou-se significativamente dos mercados globais na sessão, em meio ao maior otimismo envolvendo candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, diante de desempenho recente, bem como exposição do índice a papéis de commodities, como Petrobras e Vale.
De acordo com dados da Bloomberg, a demanda por opções de compra das ações brasileiras, vista na semana passada, segue nesta semana, com aumento dos contratos em aberto de opções de compra do EWX. Operadores também concentraram atenção ao noticiário jurídico envolvendo investigações do Banco Master.
Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no STF, derrubou nesta terça o sigilo de um relatório da PF que detalha mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes nos dias que antecederam a primeira prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025.
Mendonça também defendeu, na decisão, que os novos elementos apresentados pela Polícia Federal (PF) sobre o caso sejam avaliados pelo plenário da Corte. A decisão de submeter o caso ao plenário depende dos ministros e do presidente do STF, Edson Fachin.
O documento revelou, entre outros pontos, Vorcaro buscando, em mensagens datadas de 30 de outubro de 2025, ajuda de Moraes diante de uma ofensiva que ele via como iminente por parte da PF, do Ministério Público e do Banco Central.
Nos textos, o banqueiro pede “proteção” citando diretamente “Andrei” e “Paulo” - segundo a leitura da PF, referências ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, respectivamente.
Mendonça também afirmou que eventual decisão do plenário deverá ocorrer “de forma pública e transparente, em sessão presencial do Colegiado”, e que cabe ao presidente do STF, Edson Fachin, determinar uma data para a deliberação.
Entre os trechos destacados do relatório, uma troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro sinaliza que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a PF deflagar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo. O conteúdo foi relevado inicialmente pelo jornal Estado de S. Paulo.
De acordo com o relatório, Vorcaro questionou Moraes, em 15 de novembro, um sábado, se ele achava que “segunda tenho que estar fora?” Um dia antes de ser preso no Aeroporto Internacional de São Paulo, Vorcaro mandou novo questionamento ao ministro: “você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”
Outro ponto do relatório aponta que Moraes modificou o contrato de R$130 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro. Viviane, por sua vez, teria firmado um segundo acordo, de R$50 milhões, com outra empresa de Vorcaro, segundo a PF.
Em outro ponto do relatório, mensagens indicam que Vorcaro reclamou a funcionários que o pagamento ao escritório de Viviane Barci de Moraes era o “mais importante que temos”. Em mensagem ao sócio Angelo Silva, Vorcaro reclamou que o valor não havia sido pago e disse que teriam “problemas”.
O noticiário adiciona um componente de ruído político-institucional que tende a ser monitorado, em meio à corrida presidencial. Veículos locais também apontam que fluxo de notícias desta terça pesa sobre votações de esforço concentrado no Congresso Nacional nesta semana.
A visão geral é que a divulgação das mensagens tem potencial para atrapalhar a votação de pautas de interesse do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre elas, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1.
Assim, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pode decidir segurar a votação de pautas de interesse do governo na Casa para reduzir a pressão da oposição pelo impeachment de Moraes.
A oposição já vinha tentando obstruir a tramitação da pauta do fim da escala 6x1, nesta semana, em um momento no qual as pesquisas presidenciais apontam para estreitamento da vantagem do presidente Lula sobre senador Flávio Bolsonaro. Investidores acompanharão, amanhã, pesquisa Genial/Quaest, enquanto DataFolha sai na quinta.
AÇÕES
As maiores contribuidoras PN e ON da Petrobras e as ON da B3, que subiram 4,11%, 4,14% e 2,47%, respectivamente.
As maiores altas percentuais foram as ON da CSN, da C&A e da Brava, que subiram 7,89%, 5,41% e 5,08%, na mesma ordem.
EUA
Os principais índices acionários de Wall Street encerraram em queda, com o aumento do conflito militar no Oriente Médio impulsionando os preços do petróleo, que levou a novas movimentações de alta sobre as Treasuries yields, à medida que os mercados aumentaram suas apostas de que o Federal Reserve terá de elevar os juros já na decisão de setembro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC).
Os índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 encerraram em quedas de 0,79%, 0,71% e 1,29%, respectivamente. As Treasuries de dois anos subiam 5,0 pontos-base, a 4,396%, e as de dez anos avançavam 3,8 pontos-base, a 4,792%.
A escalada das ofensivas militares entre americanos e iranianos impulsionou os preços do petróleo, elevando ainda mais os temores de inflaçã, poucos dias depois que o chair do Federal Reserve dos EUA, Kevin Warsh, adotou um tom mais “hawkish” sobre o combate à inflação em discurso em Jackson Hole.
De acordo com os derivativos negociados na Chicago Mercantile Exchange (CME), investidores estão precificando 68,2% de probabilidade de que o Fed implemente um aumento de 25 pontos-base na taxa-alvo Fed Funds na reunião de 16 de setembro, acima dos 39,6% registrados há uma semana.
Entre os indicadores econômicos, o relatório JOLTs, do Departamento do Trabalho dos EUA, mostrou uma desaceleração na criação de vagas do mercado de trabalho, enquanto os dados do Índice de Gerentes de Compras (PMI) sugeriram que a atividade industrial está perdendo impulso. Cada relatório aponta para preços elevados, restrições de oferta e incertezas decorrentes de tarifas e conflitos geopolíticos.
O mercado de trabalho registrou abertura de 7,27 milhões postos de trabalho em julho, de acordo com dados do Departamento do Trabalho. O consenso de mercado apontava para 7,30 milhões de postos abertos. Já o PMI ISM Industrial registrou leitura de 54,6 em agosto, abaixo do consenso, de 55,2, e desaceleração ante dado de julho, de 55,6.
COMMODITIES
Os futuros do petróleo Brent operavam em alta de 5,48%, a US$95,45 por barril, atingindo a maior cotação em cinco semanas, com os investidores temendo novas interrupções no fornecimento do Oriente Médio devido à retomada dos confrontos entre os Estados Unidos e o Irã.
Os Estados Unidos lançaram novos ataques aéreos contra alvos iranianos nesta terça-feira, em uma ação que ameaça reacender o conflito de seis meses. Os ataques ocorreram depois que dois petroleiros foram atingidos ao saírem do Estreito de Ormuz.
Entre os metais, os futuros do ouro recuavam 2,69%, a US$4.328,09 por onça-troy, enquanto a prata avançava 3,65%, a US$64,08 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em alta de 0,14%, cotado a US$108,10 por tonelada na última madrugada, enquanto operadores avaliavam as expectativas de uma recuperação nas chegadas de cargas de minério aos portos, em contraposição a uma aceleração da atividade industrial na China, conforme pesquisa do setor privado.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











