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👉 FECHAMENTO: Ibovespa avança, interrompendo sequência de 11 quedas consecutivas; Intervenção do Tesouro dos EUA impulsiona ativos locais

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Por: Gabriel Ponte e Luca Boni   


   


São Paulo, 19/8/2026 


 


📈 IBOVESPA   


 


O Ibovespa interrompeu a sequência de 11 pregões consecutivos de queda, e encerrou em alta, impulsionado pela intervenção do Tesouro dos Estados Unidos mais cedo, quando anunciou que dobraria o volume de recompras de títulos de longo prazo.  


 


A medida visa oferecer liquidez aos segmentos de longo prazo da renda fixa dos EUA, após forte estresse recente visto. O movimento, além de ter oferecido viés baixista para os juros longos nos EUA, reverteu o mau humor que vinha castigando a bolsa local desde o início do mês.  


 


O Ibovespa encerrou em alta de 0,90%, aos 167.830 pontos. No melhor momento da sessão, chegou a ir além dos 170 mil pontos. O volume de negócios na sessão somou R$19,6 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$16,8 bilhões.  


 


💵 JUROS / DÓLAR 


 


Os vértices da curva de juros encerraram em queda de até 9,0 pontos-base, pegando carona no desempenho dos yields de longo prazo nos EUA, após intervenção do Tesouro.  


 


A iniciativa do Tesouro dos EUA também ofereceu viés baixista para o dólar. Ao fim do dia, o dólar futuro operava em queda de 0,88%, cotado a R$5,183. Já o índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de divisas, recuava 0,80%, aos 98,8 pontos.  


 


🇧🇷 BRASIL   


 


Mercado local pegou “carona” no alívio visto na curva de juros nos EUA, e encerrou em firme alta, após intervenção do Tesouro dos EUA. A intervenção do Tesouro, liderada por Scott Bessent, favoreceu ativos reais, como ouro, commodities e papéis de emergentes. 


 


“Dobrar recompras (Tesouro dos EUA) dá oxigênio, mas não resolve a raiz do problema, que recai sobretudo na quantidade estúpida de emissão das gigantes de tecnologia, que por sua vez, nasce da necessidade estúpida de financiamento dos data centers e afins, que, além de gerar necessidade de endividamento, infla demanda agregada”, afirmou Ivo Chermont, sócio da Quantitas Asset.  


 


“A pergunta relevante: o intervencionismo do Bessent vai resolver o problema fiscal? Óbvio que não. Se o problema fiscal não aparece no preço dos juros longos, vai aparecer em outro ativo. No caso, o dólar, que está caindo hoje. É comportamento clássico de mercado emergente. Se você suprime o preço em um lugar, ele aparece em outro”, afirmou Rafael Ihara, sócio e economista-chefe da Meraki Capital.  


 


No front econômico, fluxo cambial ficou positivo em US$851 milhões na semana entre 10 a 14 de agosto. 


 


Em nota, o JPMorgan manteve recomendação "neutra" para o mercado de juros e para o real, avaliando que a moeda brasileira negocia próxima dos fundamentos; o banco citou as dinâmicas fiscais como principal fonte de preocupação e estimou que um cenário negativo levaria a um "sell-off" de 90 pontos-base na curva, com inclinação e taxas a 15,5%, ante um cenário positivo que promoveria rali de 160 pontos-base, com achatamento da curva e taxas a 13%.  


 


No front corporativo, a Justiça do Trabalho determinou que o Grupo Casas Bahia restabeleça provisoriamente os contratos dos trabalhadores demitidos durante a nova rodada de cortes realizada em agosto e suspenda os efeitos das dispensas coletivas promovidas em plano de transformação da companhia.  


 


Já as ações da Gerdau recuaram 5,21%, em movimento que o mercado atribuiu à notícia de que os Estados Unidos estariam próximos de reduzir pela metade a tarifa da Section 232 sobre aço e alumínio importados do Canadá, de 50% para 25%.  


 


Analistas do Itaú BBA avaliam que o desenvolvimento é negativo para a companhia, já que parte relevante do suporte recente aos preços domésticos do aço nos EUA veio justamente do ambiente protegido criado pela tarifa mais alta e da consequente redução das importações. 




Segundo o BBA, uma eventual flexibilização tarifária para parceiros comerciais relevantes da América do Norte — movimento que também abre precedente para negociações semelhantes com o México na revisão do USMCA — tende a aumentar a concorrência e reduzir a escassez relativa no mercado americano, pressionando os spreads e as margens extraordinárias que beneficiaram os produtores domésticos nos últimos trimestres.  


📊 AÇÕES 


 


As maiores contribuidoras do Ibovespa foram as PN da Petrobras, as ON da Vale e da Axia, que avançaram 1,20%, 0,81% e 1,80%, respectivamente.  


 


Já as maiores altas percentuais do Ibovespa foram as ON da Cosan, da MBRF e da Minerva, que subiram 8,31%, 7,65% e 6,57%, respectivamente.  


 


🇺🇸 EUA   


 


Os futuros dos Estados Unidos encerraram em alta, na sequência do movimento do Tesouro americano, que anunciou nesta manhã que irá, no mínimo, dobrar operações de recompra de títulos de longo prazo, para um mínimo de US$4 bilhões por operação, visando garantir liquidez.  


  


Ao fim do dia, os índices Dow Jones e S&P500 encerraram em altas de 0,22% e 0,22%, respectivamente. Já o Nasdaq 100 encerrou em queda de 0,22%. As Treasuries yields de dois avançavam 0,2 pontos-base, a 4,179%, enquanto as de dez anos recuavam 5,5 pontos-base, a 4,651%.  


 


No trecho longo, as Treasuries yields de vinte e trinta anos recuavam 9,3 pontos-base e 9,1 pontos-base, respectivamente, a 5,184% e 5,195%, respectivamente. Mais cedo, Tesouro dos EUA colocou US$16 bilhões em leilão de Treasuries de vinte anos, com taxa de corte de 5,204%.  


 


Mercado repercutiu intervenção do Tesouro dos EUA mais cedo no mercado de títulos, quando anunciou que estava aumentando, pelo menos para o dobro, o tamanho das operações de recompra de títulos com cupom nominal de longo prazo (10 a 20 anos e 20 a 30 anos) para garantir liquidez.  


 


Também de acordo com o Tesouro, a operação entrará em vigor em 9 de setembro, e permanecerá em vigor pelo restante do trimestre de refinanciamento dos EUA (até 4 de novembro).  


 


“O aumento no volume das operações de recompra reflete o desejo do Tesouro de fornecer maior suporte de liquidez em setores nominais de longo prazo, onde há um forte apoio consistente dos participantes do mercado”, afirmou o Tesouro.  


 


Anteriormente, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, havia mencionado o programa de recompra como parte do “amplo conjunto de ferramentas que o departamento pode implementar”, se necessário, para lidar com distorções no mercado de títulos do Tesouro.  


 


As Treasuries de longo prazo tiveram forte valorização em seus preços unitários após a intervenção pelo Tesouro, implicando em queda dos rendimentos. O anúncio também ocorre em um momento de forte venda de títulos de longo prazo em todo o mundo, com as Treasuries yields de 30 anos tendo alcançado, nesta semana, maior patamar desde 2007. 


 


No front econômico, ata da mais recente decisão de juros do FOMC mostrou uma divisão relevante entre os membros do comitê quanto ao caminho dos juros. Ainda que a maioria dos participantes tenha apoiado a manutenção da taxa, vários se mostraram favoráveis a uma alta caso a inflação não recuasse, e um pequeno grupo defendeu um aumento imediato justamente para evitar a necessidade de novos apertos mais à frente. 


 


Alguns participantes comentaram que as condições financeiras atuais poderiam não ser suficientemente restritivas para viabilizar o retorno da inflação à meta de 2%. Autoridades observaram que o mercado de trabalho está “estável”, enquanto as perspectivas de inflação são “altamente incertas”, com a retomada do conflito no Oriente Médio “turvando as perspectivas de inflação”.  


 


💹 COMMODITIES  


   


Os futuros do petróleo subiam 0,18%, a US$91,26 por barril, com a incerteza sobre a navegação pelo Estreito de Ormuz e as contínuas interrupções no fornecimento da commodity, que dão suporte aos preços. 


  


Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a insistir na tese de que o Estreito de Ormuz está aberto e com tráfego de navios na região. Ele também afirmou que o bloqueio naval dos EUA a portos do Irã teve êxito completo.  


 


Já entre as commodities metálicas, os futuros do ouro operavam em firme alta de 4,09%, a US$4.510 por onça-troy, enquanto a prata subia 4,80%, a US$66,3 por onça-troy.  


  


No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em alta de 0,78%, cotado a US$105,64 por tonelada na última madrugada. 


 


(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected]

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