Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
Brasília, 31/08/2026 - O Ibovespa encerrou em alta na sessão desta segunda-feira, refletindo estreitamento da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, de acordo com as mais recentes pesquisas presidenciais.
O Ibovespa encerrou em alta de 1,00%, aos 177.418 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$23,1 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$16,8 bilhões. Em termos mensais, o Ibovespa recuperou a queda de agosto, que no pior momento atingiu –7,40%, e encerrou com uma leve recuou de x%.
JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros encerraram sem direção definida, com a cauda curta avançando até 1,0 ponto-base, enquanto a longa recuou até 3,5 pontos-base.
O dólar futuro operava ao fim do dia em queda de 0,15%, cotado a R$5,216, enquanto o índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, perdia 0,26%, aos 99,4 pontos.
BRASIL
No front eleitoral, pesquisa AtlasIntel para a Bloomberg, coletada entre 25 e 30 de agosto, mostrou a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno encolher.
Levantamento mostrou Lula com 47,1% de intenções de voto, ante 42,6% de Flávio, ante diferença de cerca de seis pontos percentuais no levantamento anterior, em meio a desgaste político do presidente ligado às investigações contra seu filho, Lulinha.
Já a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 46% das intenções de voto ante 45% de Flávio, patamar estável frente à semana anterior; em cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 39% (ante 41% antes) e Flávio com 33% (ante 37%), seguidos por Augusto Cury (11%), Ronaldo Caiado (5%), Renan Santos (3%) e Zema (1%).
Ambos os levantamentos sugeriram desgaste de investigações contra Lulinha sobre o presidente Lula. Quaest e Datafolha devem divulgar novas pesquisas presidenciais em 2 e 3 de setembro, respectivamente.
Nesta segunda-feira, o presidente Lula deve se reunir com empresários e banqueiros em jantar em Brasília, movimento que ocorre na sequência de aceno semelhante feito por Flávio Bolsonaro à elite econômica na semana passada; entre os convidados de Lula estão André Esteves, Roberto Setúbal, Luiz Trabuco, os irmãos Joesley e Wesley Batista, José Seripieri Filho e Rubens Ometto.
De acordo com a Folha, Lula deverá fazer uma espécie de consulta sobre o que tem sido falado nos meios empresariais sobre a economia e a eleição, além de tentar melhorar a credibilidade junto a agentes relevantes do Produto Interno Bruto.
Também de acordo com a publicação, é possível que seja realizada uma segunda reunião, com um número maior de empresários, em São Paulo nas próximas semanas.
Esteves, do BTG, se reuniu com Donald Trump em um clube de golfe nos arredores de Washington, no sábado. A conversa durou cerca de 45 minutos e foi comunicada ao Palácio do Planalto, de acordo com a CNN.
Segundo relatos feitos à CNN, Trump se reuniu com um grupo de empresários e teve um encontro reservado com Esteves na sequência. A conversa teria abordado o cenário econômico no Brasil e na América Latina.
No Boletim Focus, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 recuou de 5,02% para 5,01%; para 2027, subiu de 4,25% para 4,28%; e para 2028 ficou estável em 3,80%. Para o PIB, a mediana caiu de 1,95% para 1,92% em 2026 e permaneceu em 1,50% para 2027.
O IBGE divulga nesta terça-feira, 1º de setembro, o resultado do PIB do segundo trimestre.
Em fluxo, a B3 reportou saldo positivo de R$208 milhões do investidor estrangeiro na Bolsa referente ao dia 27 de agosto. No acumulado de agosto, porém, o saldo estrangeiro está negativo em R$18,1 bilhões, o pior mês do ano para a categoria; no acumulado de 2026, o saldo estrangeiro ainda é positivo em R$18,1 bilhões.
No noticiário corporativo, Casas Bahia informou que a Justiça deferiu a antecipação dos efeitos do stay period no âmbito de sua recuperação judicial, suspendendo ações e execuções contra a companhia e as demais recuperandas por 180 dias, com termo inicial em 19 de agosto.
A Natura anunciou troca de comando: João Paulo Ferreira deixa a presidência executiva em 30 de setembro e é substituído por Alessandro Carlucci a partir de outubro, enquanto Fábio Barbosa retorna à presidência do conselho de administração.
Já no Macro Day, do BTG Pactual, acompanhado pela Mover, gestores expressaram leituras sobre o cenário fiscal. Fabiano Rios, da Absolute Investimentos, afirmou que o mercado de juros local oferece “uma grande oportunidade”, dado que precifica “muito pouco ou quase nada” de cortes de juros em uma economia “claramente doente”. Também citou o comprometimento da renda das famílias em quase 30%.
Rios disse gostar de papéis “bond proxies”, como utilities (Sabesp, Axias), e ações do setor exportador, diante de uma economia global que demandará commodities. Ele disse também estar fora de posições ligadas ao ciclo econômico.
Já Caros Woelz, sócio-fundador da Kapitalo, criticou a condução da política fiscal e defendeu ataque mais amplo às políticas públicas para reduzir o juro real. Disse, também, que a possibilidade de troca de política econômica é encorajadora.
Já Rodrigo Carvalho, do BTG Pactual Asset Management, adotou tom mais construtivo, avaliando que o potencial de ganho na renda fixa é "extraordinário" caso haja mudança de política econômica, e disse esperar continuidade do ciclo de corte da Selic em 2027. No curto prazo, antevê um ou dois cortes adicionais seguidos de pausa tática.
AÇÕES
As maiores contribuidoras por pontos do Ibovespa, foram as PN e ON da Petrobras e as PN do Itaú, que avançaram 3,38%, 4,23% e 0,84%, respectivamente.
As maiores altas percentuais foram as ON da MRV, da Cyrela e da Fleury, que subiram 6,17%, 5,52% e 4,29%, na mesma ordem.
EUA
Os principais índices acionários de Wall Street encerraram sem direção definida, pressionados pela disparada do petróleo em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e pela reprecificação de uma política monetária mais dura pelo Federal Reserve.
Os índices Dow Jones, S&P500 encerraram em quedas de 0,70% e 0,33%, respectivamente, enquanto o Nasdaq 100 avançou 0,08%. As Treasuries de dois anos recuavam 1,4 ponto-base, a 4,346%, e as de dez anos avançavam 3,0 pontos-base, a 4,760%. A Treasury yield de dez anos foi ao maior patamar desde janeiro de 2025 no pior momento da sessão.
No radar dos investidores, o mercado monetário passou a precificar 60% de chance de alta de 25 pontos-base pelo Federal Reserve na decisão de setembro, ante 34% antes do discurso de Warsh em Jackson Hole na sexta-feira — ocasião em que o dirigente disse que a inflação não está desacelerando de forma significativa e que "há trabalho a fazer" pela frente.
André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, avaliou que os mercados estão "reagindo excessivamente" à perspectiva de alta de juros em setembro, embora tenha classificado o discurso de Warsh como "excelente" em Jackson Hole, após semanas de incerteza envolvendo a política monetária do Fed.
Investidores preparam-se, nesta semana, para dados da geração líquida de postos de trabalho do Payroll de agosto, na sexta-feira, 4, bem como dados da inflação ao consumidor de agosto, no dia 11.
“Dados inesperadamente fortes do mercado de trabalho podem ser interpretados como más notícias pelo mercado, já que poderiam reforçar as expectativas de um aumento da taxa de juros”, afirmou Chris Larkin, da E*Trade, do Morgan Stanley.
COMMODITIES
Os futuros do petróleo Brent operavam em alta de 2,52%, a US$90,32 por barril, depois que os Estados Unidos atacaram, no domingo, dois lançadores na ilha iraniana de Larak, no Estreito de Ormuz — os primeiros ataques americanos contra o Irã desde o fim de julho.
Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã atacou duas bases aéreas dos EUA na Jordânia, segundo a mídia iraniana, estendendo para o sexto mês o conflito entre os dois países; o presidente Donald Trump afirmou que os EUA vão responder ao ataque iraniano.
Entre os metais, os futuros do ouro recuavam 0,11%, a US$4.448,51 por onça-troy, enquanto a prata avançava 0,32%, a US$66,54 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em alta de 0,76%, cotado a US$108,18 por tonelada na última madrugada, impulsionados pelo aumento dos custos de frete e do petróleo, embora a alta nos preços do carvão de coque tenha pressionado as margens das siderúrgicas e limitado os ganhos.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











