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📊 FECHAMENTO: Ibovespa cai, em linha com NY, em meio a ameaças de Trump sobre Irã

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Por: Gabriel Ponte e Luca Boni


 


Brasília, 10/6/2026 – O Ibovespa encerrou em queda o pregão desta quarta-feira, pressionado por papéis de blue chips, e em linha com índices acionários de Wall Street, em meio à nova onda de venda de papéis tecnológicos, e pressão dos futuros do brent, após presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que atacaria novamente “com força” os iranianos hoje.  


 


Saída de estrangeiros, citada por traders, segue pressionando índice local, também na esteira de pesquisa Genial/Quaest, que mostrou vantagem de seis pontos percentuais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ante senador Flávio Bolsonaro.  


 


Ao fim do dia, o Ibovespa encerrou em queda de 0,70%, aos 168.619 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$19,1 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$20,6 bilhões.  


 


Os vértices da curva de juros encerraram em alta de até 4,0 pontos-base, em linha com desempenho altista visto nas Treasuries yields.  


 


Ao fim do dia, o dólar futuro operava em queda de 0,23%, cotado a R$15,190. Já o Índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, perdia 0,06%, aos 99,9 pontos.  


 


Sessão local foi de mau humor, com aversão ao risco nos mercados globais, enquanto curva de juro segue oferecendo leitura desafiadora para próximos passos do Banco Central. Opções digitais da B3 precificavam 66,1% de chances de manutenção dos juros no patamar de 14,5% na decisão da próxima semana do Copom.  


 


Mais cedo, pesquisa Genial/Quaest mostrou Lula com 44% das intenções de voto contra 38% de Flávio em eventual segundo turno, ante 42% a 41% em maio - cenário este já esperado por investidores e gestores. 


  


A aprovação do petista avançou a 47%, ante 46%, enquanto a desaprovação recuou um ponto percentual, a 48%. A rejeição ao petista permaneceu estável em 53%. Já a rejeição de Flávio avançou a 56%, ante 54%.  


 


De acordo com o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a mudança mais expressiva ocorreu nos eleitores independentes, que trocaram Flávio por Lula. De acordo com o levantamento, ao avaliar as intenções de voto para eventual segundo turno, Lula tem 37% entre independentes, ante 29% em maio, enquanto Flávio, 24%, de 31%.  


 


Nunes também apontou para oscilação de Flávio entre eleitores da direita não-bolsonarista. Em junho, 82% tinham intenção de voto no senador em eventual segundo turno, ante 88% em maio. 


 


Apesar da entrada líquida de R$18,9 milhões na B3, via investidor estrangeiro, em 8 de junho, traders citam fuga de capital na sessão desta quarta, em meio à massiva agenda de IPOs nos EUA, com oferta pública da SpaceX prevista para sexta-feira.  


 


Mais cedo, Bank of America reduziu recomendação para Brasil à “neutra”, ante compra”, em seu portfólio para América Latina, citando um cenário de juros mais desafiador e expectativas de lucros mais fracas.  


 


De acordo com o BofA, os riscos para inflação seguem altistas, em meio à fraqueza do real, enquanto a volatilidade relacionada às eleições está aumentando. Nesse cenário, o BofA tem exposição seletiva a bancos, citando aqueles “bem-preparados” para lidar com ambiente de crédito deteriorado e com baixo risco em um ambiente de juros elevados.  


 


Citou também troca de alocação em Copel por Equatorial, justificada pelo valuation. Removeu do portfólio Sabesp, Ecorodovias e Ânima. Ampliou exposição, no portfólio, à Colômbia e ao Chile. Segue com recomendação de “compra” às ações argentinas.  


 


Ao fim do pregão, as maiores detratoras do Ibovespa eram as ON da Vale, da Embraer e as Units do BTG pactual, que cederam 1,02%, 4,23% e 3,24%, respectivamente. 


 


Já as maiores quedas percentuais do Ibovespa foram as ON da Totvs, da Magazine Luiza e da Natura, que cederam 7,02%, 6,74% e 5,65%, respectivamente. 


 


🇺🇸 EUA 


 


Os índices acionários de Wall Street encerraram em firme queda, em meio a um sell-off de papéis tecnológicos e de fabricantes de semicondutores, sob contínua preocupação com valuations esticados da indústria, antes do IPO da SpaceX, e em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.  


 


Ao fim do dia, o Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 perderam 1,87%, 1,62% e 1,98%, respectivamente. As Treasuries yields de dois e dez anos avançavam 0,7 pbs e 2,4 pbs, a 4,129% e 4,542% respectivamente.  


 


As Magnificent-7 encerraram em bloco de queda, exceto por Apple, enquanto as fabricantes de semicondutores viveram um sell-off no pregão. Após o fechamento do mercado, Oracle reportará resultados trimestrais, no que será mais um teste para a tese de Inteligência Artificial, após projeções da Broadcom para chips, na semana passada, frustrarem o consenso.  


 


Operadores também aguardam, com expectativa, início da negociação de ações da SpaceX na bolsa, a partir de sexta-feira. De acordo com o Financial Times, citando gestores, o IPO oferecerá um “grande impulso” de liquidez para os mercados.  


 


Ainda assim, a expectativa pelo IPO da SpaceX, Anthropic e OpenAI adiante aponta que as ofertas devem superar todo montante captado durante a bolha da internet, entre 1999 e 2000, mesmo ajustando pela inflação.  


 


No front macroeconômico, preocupações em torno do conflito no Oriente Médio ofuscaram dados benignos a respeito dos preços ao consumidor, que haviam trazido alívio para os investidores inicialmente.  


 


O CPI subiu 4,2% na base anual em maio, em linha com o consenso, registrando o maior patamar desde abril de 2023, informou o Bureau of Labor Statistics (BLS). Na base mensal, o dado variou 0,5%, também em linha com as expectativas do mercado. 


 


Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o núcleo do CPI aumentou 2,9% na comparação anual, em linha com consenso do mercado. Na base mensal subiu 0,2%, abaixo do consenso, de 0,3%. 


 


O núcleo da inflação fortalece as expectativas do mercado para que o Federal Reserve mantenha as taxas de juros inalteradas até 2027 e diminui a probabilidade de um aumento entre o fim deste ano e início do próximo. 


 


“No geral, embora o ritmo da inflação geral tenha sido impulsionado pelos preços de gasolina e da energia, os índices subjacentes foram benignos – sugerindo que o Fed tem bastante margem de manobra para ter paciência durante as próximas reuniões”, afirmou Ian Lyngen, da BMO Capital Markets, à Bloomberg. 


 


💹 COMMODITIES 


 


Os futuros do brent operavam em alta de 2,24%, a US$93,50 por barril, após Trump afirmar que atacaria o Irã “com força novamente hoje”, na sequência de uma troca de ataques entre americanos e iranianos na terça-feira, após a queda de um helicóptero apache no Estreito de Ormuz.  


 


Trump afirmou que os EUA querem um acordo “significativo e que funcione” com iranianos, mas citou “manipulações” pelo Irã. Posteriormente, na Truth Social, ele afirmou que militares americanos executaram uma missão secreta para apoiar petroleiros e outros navios comerciais via Ormuz.  


 


“Esse esforço resultou em mais de 100 milhões de barris de petróleo atravessando o estreito e entrando no mercado aberto. Mais de 200 navios comerciais viajaram com segurança pelo estreito”, disse Trump, citando que os americanos controlam Ormuz, e não os iranianos.  


 


Em meio ao estresse geopolítico, e avanço das Treasuries yields, os contratos futuros do ouro tinham maior queda intradiária desde 3 de março, recuando 4,15%, a US$4.083 por onça-troy. A prata recuava 2,26%, a US$63,8 por onça-troy.  


 


O ouro como commodity metálica tem sofrido pela demanda por dólar durante este conflito no Oriente Médio, um choque inflacionário que resulta em yields mais elevados, e diminui a atratividade do ativo, bem como sua venda por países do Oriente Médio para obter moeda americana. 


  


No minério de ferro, o contrato futuro negociado em Dalian fechou em alta de 1,51%, cotado a US$113,19 por tonelada, interrompendo uma sequência de cinco pregões de perdas, impulsionados por dados comerciais mensais positivos da China, já que o aumento das exportações de aço melhorou o clima do mercado. 


 


As exportações de aço da China em maio aumentaram 8,8% em relação ao mês anterior, atingindo o maior nível em cinco meses, diante de uma demanda doméstica moderada e melhores margens nas remessas para o exterior. 


 


(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])

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