Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
São Paulo, 16/06/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa encerrou em firme queda o pregão desta terça-feira, pressionado por papéis de petroleiras, enquanto índices acionários encerraram mistos, com S&P500 e Nasdaq 100 interrompendo rali da véspera, às vésperas da decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), e expectativa pela postura do chair do Federal, Kevin Warsh, durante coletiva de imprensa.
Ao fim do dia, o Ibovespa encerrou em queda de 0,45%, aos 169.648 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$19,4 bilhões, acima-abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$20,9 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros encerraram em alta de até 7,5 pontos-base na sessão regular, em descompasso ao desempenho das Treasuries yields.
Mais cedo, em leilão de pós-fixados, Tesouro vendeu integralmente 450 mil NTN-Bs para vencimentos de 2029, 2033 e 2055, e 1,0 milhão de LFTs com vencimento para 2032.
Já o dólar futuro operava ao fim do dia em alta de 0,60%, cotado a R$5,105. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, recuava 0,13%, aos 99,5 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Ausência de gatilhos positivos para Ibovespa seguiu pressionando mercado acionário brasileiro, às vésperas da decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom). Pesquisa CNT/MDA apontou consolidação do desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ante senador Flávio Bolsonaro, minimizando viés de alternância de poder.
Forte recuo do petróleo também pesava sobre dinâmica local, em meio à leitura construída anteriormente de que uma commodity mais cara favoreceria termos de troca do Brasil e, consequentemente, balança comercial.
Mais cedo, Fitch reafirmou rating do Brasil em “BB”, com perspectiva estável, citando elevada e crescente dinâmica da dívida pública como proporção do PIB. Na visão da Fitch, eventual continuidade do governo Lula resultaria em maiores gastos sociais, enquanto uma eleição de Flávio Bolsonaro provavelmente seria acompanhada por plataforma pró-mercado.
Morgan Stanley, por sua vez, manteve recomendação de “compra” para ações brasileiras, citando visão de que América Latina e Brasil se beneficiam de ciclo global de capex ligado à Inteligência Artificial. Em meio à onda de pessimismo com os mercados locais, MS disse possuir visão “diferente”, citando “reacomodação necessária” para ativos locais.
Ao fim do dia, opções digitais da B3 precificavam 82% de chances de corte de 25 pontos-base da Selic na decisão do Copom de amanhã, colocando juros em 14,25%. As apostas de manutenção dos juros em 14,5% estavam em 17%.
Mais cedo, vendas no varejo recuaram 1,5% na base mensal em abril, ante consenso, de queda de 0,6%. Já na base anual, as vendas no varejo desaceleraram ritmo de alta a 1,0%, ante consenso, de alta de 2,0%, contribuindo inicialmente para movimento de queda dos vértices da curva de juros.
No front político, pesquisa CNT/MDA mostrou presidente Lula com 49,3% de intenções de voto em eventual segundo turno contra Flávio, que teria 36,8%. Distância foi ampliada em relação ao levantamento de abril, quando Lula tinha 45% de intenções de voto e Flávio, 40%.
Em um cenário estimulado de primeiro turno, Lula teria 41,8% de intenções de voto contra 28,2% de Flávio. Em abril, Lula tinha 39% das intenções de voto, e Flávio, 30%.
Avaliação positiva do governo federal avançou a 35% em junho, ante 32% em abril. Já avaliação negativa recuou a 34%, ante 37%.
No front corporativo, sessão também foi de pressão em relação ao fluxo estrangeiro. Valor reportou que GQG Partners, gestora de investimentos americana, vendeu em bloco 32 milhões de ações do BTG Pactual, a R$50 por papel, em operação de aproximadamente R$1,5 bilhão.
De acordo com publicação, GQG já vinha reduzindo exposição ao setor bancário doméstico por meio de desinvestimento de participações em Itaú e BTG. Segundo Valor, a operação de block trade já era esperada pelo mercado, que desde a semana passada discutia a possibilidade de um investidor estrangeiro reduzir de forma significativa participação no banco.
As ações da Braskem despencaram, após a Justiça Federal de Alagoas tornar a petroquímica e ex-dirigentes réus em processo que apura as responsabilidades pelo desastre socioambiental causado pela exploração de sal-gema em Maceió.
Em termos de fluxo para o mercado à vista, a B3 reportou mais uma sessão de saída líquida do saldo do investidor estrangeiro. No dia 12 de junho, o saldo do estrangeiro ficou negativo em R$2,28 milhões. No acumulado do mês até aqui o saldo é negativo em R$4,3 bilhões.
Apesar do recente movimento de saída do investidor estrangeiro, o saldo para a categoria no ano ainda se mantém positivo em R$37,3 bilhões.
📊 AÇÕES
As maiores detratoras do Ibovespa foram as PN da Petrobras, as ON da Embraer e da Eneva, que cederam 1,33%, 2,21% e 2,47%, respectivamente.
Entre as maiores quedas percentuais, figuravam as PNA da Braskem, as ON da Magazine Luiza e as PNA da Usiminas, que recuaram 9,23%, 6,54% e 6,20%, na mesma ordem.
Na ponta oposta, as maiores altas percentuais foram ON da MRV, da RD Saúde e da Telefônica, que avançaram 2,32%, 2,20% e 1,33%, na sequência.
🇺🇸 EUA
Os índices acionários de Wall Street interromperam rali visto em sessões anteriores nesta terça, e encerraram de forma mista, antes da decisão de juros do Federal Reserve – a primeira a ser presidida por Kevin Warsh, em meio às incertezas envolvendo o tom a ser adotado pelo novo chair do banco central em coletiva de imprensa.
Os índices S&P500 e Nasdaq 100 encerraram em firme queda de 0,57% e 1,89%, respectivamente. Já o Dow Jones avançou 0,64%, renovando máxima recorde de fechamento acima dos 52 mil pontos. Ao fim do dia, as Treasuries yields de dois e dez anos recuavam 2,1 pontos-base e 4,7 pontos-base, respectivamente, a 4,049% e 4,426%, na mesma ordem.
O Federal Reserve deverá manter a taxa-alvo Fed Funds inalterada na decisão desta quarta-feira no intervalo entre 3,50% e 3,75%. Há expectativa, entre agentes, a respeito do comunicado da decisão, que pode eventualmente remover viés de afrouxamento monetário - motivo de dissidência entre participantes na decisão de abril.
o mercado precifica eventual risco de alta dos juros ao fim do ano, e não mais queda – em direção oposta ao desejado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que emplacou pressões quase que diárias sobre Jerome Powell, ex-chair do Fed, desde que retornou à Casa Branca em 2025.
O panorama é, no mínimo, desafiador para Warsh, que assumiu o cargo de presidente do Fed há cerca de três semanas. Ele assumiu o posto como um forte defensor de que a Inteligência Artificial desencadeará uma força desinflacionária significativa via aumento de produtividade.
O Bank of America projeta que Warsh adote uma postura mais “dovish” na coletiva, argumentando que os choques de oferta são eventos isolados; que o Fed deve ter uma visão prospectiva sobre a desinflação induzida pela Inteligência Artificial; e que a média aparada da inflação do PCE não parece problemática.
Dado que a manutenção dos juros é amplamente esperada pelos agentes de mercado nesta quarta, o grande foco da decisão estará concentrado sobre Warsh, que tem posição histórica contrária à realização de coletivas de imprensa pelo banco central, assim como oposição à divulgação de projeções trimestrais dos membros do FOMC.
Ainda assim, é uma contradição: Warsh terá de subir ao púlpito, às 15h30, para explicar projeções do estafe do Fed que ele minimiza, e terá de responder a cerca de 50 minutos de questionamentos que ele, por si próprio, preferia não ter de fazer. O Bank of America antevê que Warsh poderá não apresentar suas projeções no “Dot-Plot” deste trimestre.
Já nos mercados acionários, SpaceX avançou 4,77%, ultrapassando no melhor momento da sessão a Microsoft e a Amazon, em termos de capitalização de mercado, após seu valor de mercado romper patamar de US$2,9 trilhões.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent recuavam 4,03%, a US$79,82, operando no menor patamar desde 3 de março, em meio às crescentes perspectivas de uma reabertura do Estreito de Ormuz, que pode adicionar maior oferta da commodity sobre os mercados internacionais.
EUA e Irã se preparam para assinar formalmente um acordo de paz provisório nesta sexta-feira, que destravaria o tráfego marítimo via o Estreito de Ormuz. Goldman Sachs e Morgan Stanley reduziram projeções de preços para a commodity ao longo de 2026 em meio ao fluxo de notícias.
De acordo com Wall Street Journal, EUA permitirão que Irã comece imediatamente a vender petróleo e combustível, conforme o acordo para encerrar a guerra, oferecendo a Teerã um incentivo financeiro antecipado para colocar fim ao conflito, de acordo com fontes.
A previsão de isenção de sanções sobre a venda de petróleo entra em vigor imediatamente após a assinatura do acordo e também abrange os serviços necessários, incluindo serviços bancários, transportes e seguros, indispensáveis para facilitar as vendas, de acordo com as fontes.
Os futuros do ouro operavam em firme alta de 0,49%, cotados a US$4.331,67 por onça-troy. Já a prata operava em alta de 0,14%, cotada a US$70,09 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro negociado em Dalian fechou em queda de 0,85%, cotado a US$112,75 por tonelada, já que os dados sobre as novas vendas de imóveis na China e a produção de aço bruto sinalizaram um consumo fraco de aço.
Em maio, a produção industrial avançou 4,5% na base anual, abaixo do consenso, de alta de 4,3%. Já o índice de preços de casas recuou 3,5% na base anual, em linha com consenso.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











