Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
São Paulo, 24/06/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa encerrou em queda o pregão desta quarta-feira, pressionado por blue chips como Vale e Petrobras, esta última pressionada negativamente pelo desempenho do petróleo nos mercados internacionais, enquanto investidores ponderavam massiva retirada líquida de estrangeiros no pregão de 22 de junho.
No exterior, os índices encerraram mistos, à espera de resultados da Micron, no pós-mercado, que deve ser importante balizador para temática de Inteligência Artificial, à medida que investidores questionam rali recente vivenciado por papéis do setor.
Ao fim da sessão, o Ibovespa recuou 0,44%, aos 170.506 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$21,3 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$20,3 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros encerraram em queda de até 24 pontos-base na sessão regular, em linha com desempenho das Treasuries yields, que tiveram firme queda no pregão.
Já o dólar futuro operava ao fim do dia em alta de 0,28%, cotado a R$5,208, em meio ao movimento recente de fortalecimento do dólar em âmbito global. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, subia 0,22%, aos 101,6 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Papéis da Petrobras estiveram entre principais detratoras do Ibovespa, em meio à firme queda do petróleo nos mercados internacionais, diante dos sinais de retomada do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. A commodity apagou hoje a alta acumulada desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
O movimento baixista do petróleo também favoreceu fechamento da curva de juros, às vésperas do Relatório de Política Monetária do Banco Central. Agentes econômicos também aguardam coletiva do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, em busca de novas explicações acerca da decisão de juros da semana anterior.
Agenda de amanhã também guarda divulgação da leitura do IPCA-15 referente a junho. Consenso de mercado aponta aceleração do índice, na base anual, a 4,82%, ante 4,64%. Já na base mensal, IPCA-15 deverá desacelerar ritmo de alta a 0,44%, ante 0,62%.
Em relatório, Bank of America avaliou que um eventual Federal Reserve mais “hawkish” poderia neutralizar os efeitos positivos decorrentes de um acordo comercial entre americanos e iranianos para mercados emergentes.
Também de acordo com o BofA, um acúmulo de riscos que favoreça demanda pelo dólar pode estagnar o apetite por ações da América Latina.
Ainda assim, BofA entende que o mercado acionário do Brasil está “relativamente isolado” de eventual estagnação do apetite.
De acordo com o banco, setores cíclicos - sensíveis aos juros - já se encontram em níveis deprimidos, e as small caps estão 18% abaixo das máximas em termos de dólar.
Além disso, a resiliência do real pode limitar a pressão inflacionária, em razão do favorecimento do Brasil via dinâmica de carry trade. De acordo com o BofA, o diferencial entre Selic e Fed encontra-se nos maiores níveis em 15 anos.
Vale, Gerdau, JBS, Bradespar e CSN são vistas pelo BofA como principais beneficiários de dólar forte no mercado local.
Também mais cedo, BBVA pontuou que Brasil se destaca como destino mais atrativo para carry trade na América Latina, destronando o México, dado que o banco central lançou rodadas de cortes de juros que reduziram a valorização do peso mexicano.
No front político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, devem se reunir nesta quarta-feira para tratar da saída do senador da liderança do governo, como forma de minimizar danos eleitorais oriundos do caso Master.
Na semana anterior, Wagner foi alvo de operação da Polícia Federal. A investigação aponta que ele teria recebido “vantagens indevidas” do Banco Master, de Daniel Vorcaro, para favorecer interesses do banqueiro e seu ex-sócio Augusto Lima. Wagner nega envolvimento com Master.
No front corporativo, Petrobras informou que Campos de Búzios alcançou produção média diária recorde de 1,1 milhão de barris de petróleo por dia, superando marca de um milhão de barris por dia que havia sido alcançada em outubro de 2025.
📊 AÇÕES
As maiores detratoras do Ibovespa foram as ON da Vale e as PN e ON da Petrobras, que recuavam 2,08%, 2,64% e 2,68%, respectivamente.
Entre as maiores quedas percentuais, figuravam as ON da CSN, da Azzas e da MBRF, que cederam 3,98%, 3,93% e 3,93%, na mesma ordem.
Na ponta oposta, as maiores altas percentuais foram as ON da C&A, da Cyrela e do Assaí, que avançaram 8,87%, 4,17% e 4,16%, na sequência.
🇺🇸 EUA
Os índices acionários encerraram mistos, com Nasdaq 100 acumulando terceiro pregão consecutivo de perdas, com investidores optando pela cautela antes dos resultados trimestrais de Micron, no pós-mercado, que tem sido classificado como balizador para eventual continuidade do movimento de rali visto anteriormente no setor tecnológico.
Ao fim do dia, S&P500 e Dow Jones recuaram 0,10% e 0,43%, respectivamente. O Dow Jones avançou 0,35%. Em meio ao movimento baixista do petróleo, as Treasuries yields de dois e dez anos recuavam 6,3 pontos-base e 9,7 pontos-base, respectivamente, a 4,137% e 4,402%, na mesma ordem.
Micron recuou 0,51%, antes da divulgação de resultados referentes ao terceiro trimestre fiscal. Na véspera, ações da companhia despencaram 13%, em meio a dúvidas relacionadas à demanda por fabricantes de semicondutores.
No início desta semana, a bolsa da Coreia do Sul entrou em circuit breaker, pressionada por ações da Samsung e da SK Hynix, concorrente esta da Micron, após a companhia reduzir a expansão da produção de chips de memória para IA – levantando dúvidas sobre eventual desaceleração da demanda relacionada ao setor.
Para além disso, individualmente, a Micron responde por quase um quinto da valorização do S&P500 em 2026, de acordo com a Bloomberg, aumentando a pressão sobre os resultados. No ano, ela acumula alta de 260%.
Por outro lado, a companhia entrega um valuation relativamente razoável, com múltiplo Preço/Lucro estimado de dez vezes – em comparação a 24 vezes o do Nasdaq 100 e 20 vezes o do S&P500.
A Bloomberg projeta que a companhia deverá divulgar um lucro líquido de US$23,8 bilhões no terceiro trimestre fiscal, além de uma receita de US$35,7 bilhões. Os contratos de fornecimento de longo prazo da companhia e a durabilidade dessa carteira de pedidos também serão acompanhados de perto.
Para além disso, no front econômico, investidores acompanharão leitura do PCE referente ao mês de maio, às 9h30 desta quinta. Consenso aponta para aceleração do ritmo de alta na base mensal a 0,3%, ante 0,2%. Já na base anual, núcleo do PCE deverá acelerar ritmo de alta a 3,4%, ante 3,3%.
A leitura cheia do PCE deverá mostrar aceleração do ritmo de alta na base mensal a 0,5%, ante 0,4%. Já na base anual, indicador cheio deverá ir a 4,0%, ante 3,8%, refletindo pressões altistas oriundas dos preços de energia.
O dado a ser reportado é relevante em razão da discussão a respeito de um Federal Reserve mais “hawkish” sob gestão de Kevin Warsh. O índice Dólar DXY acumula três sessões consecutivas de alta, estabelecendo-se no maior patamar desde maio de 2025.
O desempenho altista da moeda americana reflete discussões entre operadores, e precificação na curva de que o Federal Reserve terá de elevar os juros já no segundo semestre deste ano, como forma de combater uma inflação teimosamente alta, a despeito de Warsh não ter oferecido orientação futura na decisão de juros da semana anterior.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent zeraram a alta acumulada desde o início da guerra no Irã, despencando 5,14%, a US$73,14 por barril, em meio aos sinais de normalização do tráfego no Estreito de Ormuz. Mais cedo, EIA reportou queda de estoque de petróleo de 6,08 milhões de barris para a semana encerrada em 19 de junho.
Americanos e iranianos sinalizaram progressos iniciais nas negociações pelo fim duradouro do conflito, embora as tratativas devam se prolongar. De acordo com a Bloomberg, a Agência Internacional de Energia estima que os Emirados Árabes Unidos exportem petróleo a quase 85% dos níveis pré-guerra, segundo a Bloomberg.
O JP Morgan, por sua vez, reduziu previsão para o preço do petróleo Brent no segundo semestre de 2026 devido a reduções menores do que o esperado nos estoques comerciais da OCDE e a menor demanda por petróleo.
De acordo com o banco, os analistas projetam que o Brent terá uma média de US$86,00 por barril no terceiro trimestre, US$80,00 no último trimestre, encerrando 2026 em torno de US$78,00 por barril.
Já os futuros do ouro recuavam 3,09%, a US$3.985 por onça-troy, indo ao menor patamar desde novembro de 2025, em meio ao fortalecimento da dinâmica do dólar em âmbito global. A prata, por sua vez, recuava 7,72%, a US$56,8 por onça-troy.
A commodity metálica era pressionada pela leitura de um dólar mais forte em âmbito global, bem como pela visão de juros restritivos por período prolongado nos EUA.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em alta de 0,74%, cotado a US$109,35 na última madrugada, impulsionados por uma onda de compras na baixa e cobertura de posições vendidas por parte de alguns operadores, já que a demanda de curto prazo na China continua resiliente.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











