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📊 FECHAMENTO: Ibovespa cede, com peso de blue chips; curva de juros volta a estressar com reprecificação de ciclo do BC

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Por: Gabriel Ponte e Luca Boni


 


Brasília, 8/6/2026 – O Ibovespa encerrou em queda o pregão desta segunda-feira, enquanto vértices da curva de juros avançaram ao fim da sessão regular, em movimento de continuidade do forte estresse de sexta-feira, com investidores continuando a enxergar menos espaço para redução adicional da Selic pelo Banco Central.  


 


Investidores também se preparam para semana crucial em termos de dados da atividade econômica, que auxiliarão na calibração dos próximos passos do Banco Central. Na quinta, saem os dados do volume de serviços de abril, ao passo que na sexta, operadores recebem dado do IPCA de maio.  


 


Nos Estados Unidos, Nasdaq 100 teve firme alta, recuperando-se parcialmente do movimento de destruição de valor de mercado visto na sexta-feira, quando ações tecnológicas viveram um “sell-off”, na esteira de dados do Payroll significativamente acima do consenso, reforçando apostas de que o Federal Reserve elevará a taxa-alvo Fed Funds ao fim deste ano.  


 


Ao fim do dia, o Ibovespa encerrou em queda de 0,21%, aos 168.668 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$15,8 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$20,4 bilhões.  


 


Os vértices da curva de juros encerraram sem direção definida, com a cauda curta e média avançando até 12 pontos-base, quanto a longa recuou até 0,5 pontos-base, enquanto Treasuries yields americanos tinham leve alta no pregão. Mais cedo, Focus mostrou melhora, ainda que ligeira, para expectativas de inflação para 2028.  


 


O dólar futuro, por sua vez, avançou 0,17%, a R$5,209, enquanto índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, recuava 0,05%, aos 100,02 pontos 


 


Mais cedo, mediana de projeção do Focus para IPCA ao fim deste ano avançou a 5,11%, ante 5,09%. Já a mediana de projeção para PIB avançou ligeiramente a 1,91%, ante 1,90%.  


 


Economistas reduziram projeção para câmbio a R$5,15, ante R$5,16. A mediana de projeção para Selic ao fim deste ano foi a 13,50%, ante 13,25%.  


 


Para 2027, economistas elevaram mediana de projeção para IPCA a 4,03%, ante 4,02%. Projeção para câmbio recuou a R$5,20, ante R$5,25. Já mediana de projeção para Selic foi a 11,50%, ante 11,25%.  


 


Para 2028, mediana de projeção para IPCA recuou a 3,65%, ante 3,66% - após deterioração recente observada.  


 


Na semana anterior, diversas instituições elevaram projeção para Selic terminal, em meio à deterioração do fluxo de notícias e de preços desde a mais recente decisão do Copom, em abril. 


 


Hoje, BNP Paribas revisou projeção para Selic terminal, elevando estimativa a 14,0%, ante 13,50% estimados anteriormente. De acordo com relatório, assinado por Fernanda Guardado e Laiz Carvalho, BNP antevê novo corte de 25 pontos-base pelo Copom na reunião da próxima semana, e manutenção até dezembro, quando colegiado deverá lançar mão de mais um corte de 25 pbs.  


 


De acordo com a instituição, “o risco do BC ser forçado a pausar o ciclo de cortes nas próximas reuniões aumentou bastante”, em meio a uma economia e um mercado de trabalho resiliente, enquanto as expectativas de inflação apresentaram deterioração.  


 


“Pausar poderia acontecer para que o BC não coloque em perigo essa recuperação de credibilidade conquistadas a tão duras penas”, complementou o BNP no relatório. O banco também revisou projeção para Selic terminal em 2027 a 12,5%, ante 11,5%.  


 


Banco também revisou estimativas para IPCA ao fim de 2026 e 2027 a 5,6% e 4,6%, respectivamente, ante 5,2% e 4,4%, na mesma ordem. A revisão altista para projeção do IPCA reflete surpresas recentes nos preços dos alimentos e o risco elevado de um forte evento de El Nino afetar a produção agrícola entre 2026 e 2027.  


Banco também revisou estimativa para crescimento do PIB deste ano a 2,3%, ante 2,0%, citando estímulos fiscais do governo federal.  


 


Ao fim do dia, opções digitais da B3 precificavam 61,3% de chances de juros inalterados em 14,5% na decisão do Copom da próxima semana. Já a precificação para um corte de 25 pontos-base, antes majoritárias, estava em 35%.  


 


No front político, operadores aguardam pesquisa presidencial Genial/Quaest, a ser reportada na quarta-feira, e que deverá incorporar efeitos da imposição de tarifas pelos EUA sobre exportações brasileiras.  


 


De acordo com Veja, o presidente do TSE, Nunes Marques, suspendeu a pesquisa eleitoral AtlasIntel que apresentou áudio do senador Flávio Bolsonaro e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão atendeu a um pedido do PL. Na ocasião, o levantamento apontou uma queda das intenções de voto de Flávio na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).  


 


A decisão dele será analisada pelo plenário do TSE.  


 


No front corporativo, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a companhia tem observado expansão das margens a despeito da eclosão do conflito no Oriente Médio. Em entrevista à Bloomberg TV, ele afirmou não haver destruição de demanda relacionada à guerra nos mercados globais de metais.  


 


Também disse que a demanda por minerais críticos, em âmbito global, tem sido “super construtiva”. Afirmou que o mercado chinês continua sendo praça-chave, mas há crescimento em outras regiões. Citou aumento da demanda no sudeste asiático, na Índia e nos Estados Unidos, como exemplo.  


 


Questionado sobre a companhia, Pimenta afirmou que a Vale está focando na exploração de seus próprios ativos ante movimentos de M&A. Ele também se disse construtivo com o ano para a mineradora.  


 


Já papéis de frigoríficos recuaram na sessão, após União Europeia formalizar a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar determinadas categorias de animais ao mercado europeu, de acordo com O Globo.  


 


Entre o sell-side, o HSBC reiniciou cobertura de Weg com recomendação de “compra” e preço-alvo de R$57,00. 


 


Ao fim do pregão, as maiores detratoras do Ibovespa eram as ON da Vale, as PN do Itaú e as PN do Bradesco, que recuaram 0,80%, 0,80% e 1,55%, respectivamente. 


 


Já as maiores quedas percentuais do Ibovespa foram as ON da MRV, da Cosan e da Rumo, que cederam 4,65%, 4,46% e 3,01%, respectivamente.  


 


🇺🇸 EUA 


 


Os índices acionários de Wall Street encerraram sem direção definida, com Nasdaq 100 recuperando ligeiramente o massivo “sell-off” visto na sexta-feira, com investidores aproveitando oportunidades em termos de preços, principalmente em companhias de fabricantes de semicondutores.  


 


Ao fim do dia, os índices S&P500 e Nasdaq 100 encerraram em altas de 0,30% e 0,86%, respectivamente, enquanto o Dow Jones recuou 0,16%. As Treasuries yields de dois e dez anos avançaram 1,3 pbs e 2,8 pbs, respectivamente, a 4,158% e 4,560%, na mesma ordem.  


 


Na visão de Mike Wilson, do Morgan Stanley, o “sell-off” visto na sexta-feira nos mercados americanos, com Nasdaq 100 tendo maior queda diária desde abril de 2025, era “inevitável e, em última análise, saudável”. De acordo com a Bloomberg, Wilson tem um alvo para o S&P500 ao fim deste ano em 8 mil pontos.  


 


Investidores aguardam, na quarta-feira, leitura da inflação ao consumidor de maio. Consenso do mercado aponta para aceleração do ritmo de alta da inflação a 4,2% na base anual em maio, ante leitura de 3,8% em abril. Caso confirmado, seria a maior leitura desde abril de 2023.  


 


Ainda na agenda semanal, quinta-feira reservará dados do PPI de maio. Consenso de mercado aponta para aceleração do ritmo de alta da leitura cheia da inflação de preços ao produtor a 6,4%, ante 6,0%.  


 


Também no front monetário, o Banco Central Europeu deverá elevar os juros na quinta-feira, pela primeira vez desde 2023, em meio aos maiores custos de energia desencadeados pelo conflito no Oriente Médio. 


 


💹 COMMODITIES 


 


Os futuros do brent operavam em alta de 1,43%, cotados a US$94,42 por barril, após subirem mais de 5% no início do pregão, com o Irã e Israel anunciando a suspensão dos ataques mútuos, na sequência de um apelo do presidente dos EUA, Donald Trump. 


 


Apesar da suspensão das operações militares, Teerã alertou para ataques “muito mais severos” caso Israel retome suas ofensivas ao sul do Líbano, afirmando que Israel e seus apoiadores deveriam “aprender uma lição” com os últimos ataques.  


  


Durante a tarde, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país interrompeu os ataques ao Irã a pedido do presidente de Trump, mas que não iria hesitar em se defender caso novas ofensivas fossem registradas.  


  


Pela manhã, em publicação na Truth Social, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que tanto Israel quanto o Irã estão buscando um cessar-fogo imediato e que negociações finais de paz estão em andamento. 


 


Os futuros do ouro operavam em queda de 0,06%, a US$4.326,16 por onça-troy. Já a prata avançava 0,34% a US$68,12 por onça-troy.  


  


No minério de ferro, o contrato futuro negociado em Dalian fechou em queda de 0,78%, cotado a US$111,83 por tonelada, com os altos estoques portuários e as margens comprimidas das siderúrgicas pesando sobre os preços. 


 


(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected]

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