Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
São Paulo, 13/8/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa encerrou em queda o pregão desta quinta-feira, emendando a oitava queda diária consecutiva, com inércia do mau humor local incidindo sobre mercados acionários, mesmo em meio a um cenário externo ameno, após leitura dos Preços ao Produtor dos Estados Unidos virem abaixo do consenso em julho, reforçando a perspectiva de pausa do Federal Reserve na decisão de setembro.
Ausência de catalisadores positivos nos mercados locais impediram Ibovespa de operar no campo positivo, com preocupações predominantes sobre cenário eleitoral. Temporada de resultados também voltou a pesar sobre índice, com Banco do Brasil e Sabesp estando entre principais detratoras do índice.
Ao fim da sessão, o Ibovespa teve queda de 0,23%, aos 167.100 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$22,4 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$16,8 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros encerraram em alta, com cauda longa avançando até 3,5 pontos-base na sessão. Mais cedo, vendas no varejo nas bases mensal e anual avançaram acima do consenso em junho.
Em leilão, Tesouro colocou quase toda a oferta robusta de prefixados e todo o lote de NTN-F. Tesouro vendeu 16,1 milhões de LTNs, de 16,15 milhões ofertadas, e dois milhões de NTN-Fs.
Já o dólar futuro operava ao fim do dia em queda de 0,10%, cotado a R$5,210. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de divisas, recuava 0,03%, aos 99,9 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Dinâmica pesada de balanços trimestrais seguiu incidindo sobre Ibovespa, que destoou dos índices acionários de Wall Street. Sabesp, Banco do Brasil e Equatorial figuraram entre as principais perdas para o índice, após resultados trimestrais que pesaram sobre sentimento do investidor local.
Mais cedo, B3 reportou que saída líquida do investidor estrangeiro totalizou R$4,72 bilhões em 11 de agosto – maior retirada desde fevereiro de 2021 - após JPMorgan rebaixar recomendação para ações locais à “neutra”, ante compra”.
No front corporativo, investidores concentram-se na temporada de resultados trimestrais. O Banco do Brasil reportou lucro líquido ajustado de R$3,91 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, e acima do consenso, de R$3,78 bilhões. O ROE ficou em 8,3%, mostrando estabilidade na comparação anual e um avanço frente ao 1T26.
Apesar disso, preocupações pairam sobre os números de inadimplência do BB. A inadimplência superior a 90 dias encerrou o trimestre em 5,61%, ante 5,05% em março e 3,96% em junho de 2025. Na carteira de pessoa física, a inadimplência acelerou para 8,41%, ante 6,82% no trimestre anterior e 5,59% um ano antes.
A tendência de qualidade de ativos da instituição seguiu piorando: os empréstimos inadimplentes em cartões de crédito dobraram para 14,6%, enquanto a formação de empréstimos inadimplentes no varejo atingiu R$11,8 bilhões no trimestre.
Sabesp reportou maior queda diária desde xx, após analistas avaliarem como “fracos” os resultados referentes ao segundo trimestre. Em report, Itaú BBA avaliou que inadimplência veio acima do esperado no segundo trimestre, além de crescimento de volume moderado e despesas operacionais pressionadas por custos relacionados ao atendimento do cliente.
Equatorial, por sua vez, recuou após companhia reportar lucro líquido ajustado no segundo trimestre de R$110 milhões, significativamente abaixo do consenso da Bloomberg, de R$551,3 milhões.
Hapvida despencou %, registrando a maior queda intradiária desde novembro de 2025, após resultados abaixo do esperado no segundo trimestre.
Ainda no front corporativo, Investidores preparam-se para última noite significativa de balanços trimestrais, com resultados de Nubank, JHSF, Grupo Petz e Cobasi, 3Tentos, Randon, Yduqs, MBRF, Grupo Mateus, LWSA, Cemig, Compass, CPFL e outros, que serão reportados após o fechamento da sessão.
No front político, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira o restabelecimento imediato da filiação de Flávio Bolsonaro ao PL e liberou o sistema da Justiça Eleitoral para que o senador possa registrar sua candidatura à Presidência da República.
A decisão ocorreu horas após uma alteração indevida no cadastro partidário de Flávio, que o vinculava ao partido Missão, impedindo a campanha de formalizar a candidatura.
Ainda no front político, Flávio realiza live às 19h00 desta quinta para apresentação do plano de governo “Para o Brasil Vencer o Atraso”. De acordo com Valor Econômico, plano do candidato prevê nova regra fiscal e revisão de exceções tributárias. Também de acordo com publicação, plano prevê revisão do número de exceções previstas pela reforma tributária.
Flávio prevê medidas para conter trajetória da dívida pública, bem como medidas para reduzir o custo de energia e combater a inflação de alimentos. No entanto, de acordo com o Valor, o plano não detalhava, na área fiscal, as medidas para conter a dívida pública. Plano também falava em “aproximar” os juros locais da média internacional.
Operadores aguardam, agora, pesquisa Quaest prevista para amanhã, com entrevistas coletadas entre 10 e 13 de agosto.
📊 AÇÕES
As maiores detratoras do Ibovespa foram as ON da Sabesp, da Vale e do Banco do Brasil, que recuaram 7,04%, 1,75% e 4,16%, na mesma ordem.
Já as maiores quedas percentuais figuraram as ON da Hapvida, da Minerva e da Sabesp, que cederam 33,09%, 7,60% e 7,04%, respectivamente.
🇺🇸 EUA
Os índices acionários de Wall Street encerraram em alta, com S&P500 renovando máxima recorde de fechamento, na esteira do PPI de julho, que veio abaixo do consenso, reforçando a leitura de pausa do Federal Reserve em setembro.
Os índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 encerraram em altas de 0,13%, 0,65% e 1,15%, respectivamente. As Treasuries yields de dois e dez anos recuavam 5,6 pontos-base e 4,5 pbs, respectivamente, a 4,145% e 4,643%, na mesma ordem.
Mais cedo, leilão de US$25 bilhões Treasuries Notes de trinta anos teve taxa de corte de 5,216% - a maior desde 2001 – em meio ao crescente prêmio embutido por investidores para financiarem o déficit americano. O leilão de Notes de trinta anos também ocorre um dia após um leilão de Bonds de dez anos, que registrou maior taxa de corte desde 2007.
Na agenda econômica, o PPI ficou estável em julho na base mensal, ante consenso, de alta de 0,2%. Já na base anual, o PPI desacelerou ritmo de alta a 4,7%, ante 5,5% vistos anteriormente. Consenso apontava para leitura de alta de 4,9%.
O núcleo do PPI, que exclui itens voláteis, desacelerou ritmo de alta a 0,2% na base mensal, ante 0,4%, e abaixo do consenso, de alta de 0,3%. Já na base anual, o núcleo veio em linha com consenso, em 4,2%, desacelerando ritmo de alta ante 4,7% em junho.
Também no front econômico, os pedidos semanais de seguro-desemprego para a semana encerrada em 8 de agosto avançaram a 209 mil, ante 200 mil.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent operavam em firme queda de 2,09%, cotados a US$87,12 por barril, pressionados pela perspectiva de demanda global mais fraca e por estoques maiores de petróleo bruto nos Estados Unidos – que registraram o maior aumento semanal desde janeiro de 2023 na véspera, de acordo com a EIA.
Na véspera, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados reduziu sua previsão de crescimento da demanda mundial de petróleo para 2026 para 580.000 barris por dia em seu relatório mensal sobre o mercado de petróleo, revisão baixista de 200 mil bpd.
No âmbito geopolítico, investidores seguiam acompanhando disputas de narrativa pelo controle do Estreito de Ormuz, com autoridades iranianas voltando a afirmar o controle total da via e a travessia de navios pelo estreito caindo ao menor nível em três semanas, segundo a Kpler Shipping.
Ao fim do dia, os futuros do ouro recuavam 1,31%, cotados a US$4.350 por onça-troy. Já os futuros da prata recuavam 1,45%, a US$64,3 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em queda de 0,21%, cotado a US$104,52 por tonelada na última madrugada, com a redução das perdas das siderúrgicas e os custos de frete firmes sendo contrabalançados pela queda nas exportações de aço da China.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











