Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
São Paulo, 3/8/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa encerrou estável o pregão desta segunda-feira, pressionado por blue chips como Vale e Petrobras, a despeito da sessão positiva para Wall Street, enquanto operadores se preparavam para agenda carregada de resultados corporativos na semana, antes da decisão de juros do Copom, na quarta-feira.
Ao fim da sessão, o Ibovespa encerrou estável, aos 178.000 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$15,9 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$16,4 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros encerraram em firme queda de até 21 pontos-base, refletindo movimento de fechamento visto na renda fixa global, em meio à queda dos preços do petróleo nos mercados internacionais.
Já o dólar futuro operava ao fim do dia em alta de 0,10%, cotado a R$5,122. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, subia 0,10%, aos 99,8 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Papéis de petroleiras recuaram em bloco, na esteira do movimento de recuo dos preços do petróleo, constituindo-se em uma das maiores detratoras do índice. Vale também recuou significativamente, após minério de ferro recuar ao menor nível em mais de um ano, em meio a preocupações com a Radiant World, uma das principais traders físicas de commodity.
Mais cedo, Focus mostrou redução da mediana de projeção para a Selic ao fim deste ano a 13,75%, ante 14,0%, em movimento que contribuiu também para o fechamento da curva de juros.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve reduzir a taxa Selic nesta quarta-feira em 25 pontos-base, a 14,00%, diante dos sinais de uma inflação corrente mais benigna, além da desaceleração da atividade econômica, possibilitando por ora a continuidade das rodadas de calibração dos juros.
Repetindo a decisão de junho, o colegiado também deverá preservar a opcionalidade a respeito dos próximos passos do ciclo de calibração, mantendo maiores graus de liberdade para a decisão de setembro. O Copom inicia reunião de juros de dois dias nesta terça-feira, e informa decisão na quarta, a partir das 18h30.
Do lado do sell-side, a XP reiterou valor justo do Ibovespa em 200 mil pontos para o fim de 2026, citou indicador de sentimento ainda perto do território de "extremo pessimismo" e viu o fluxo estrangeiro voltando a positivar após dois meses de saídas; a casa também alertou que o "trade eleitoral" deve manter a volatilidade do mercado acima do normal nos próximos meses.
No front político, pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostrou encurtamento da distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno: Lula teria 46% das intenções de voto, ante 45% de Flávio — diferença de um ponto percentual, ante quatro pontos no levantamento de julho.
No cenário de primeiro turno, Lula supera Flávio Bolsonaro por 43% a 37%. A movimentação nas pesquisas também foi citada como fator para o viés baixista da curva de juros ao longo do dia.
Já no front corporativo, CSN chegou a operar no menor patamar intradiário desde fevereiro de 2016, após Fitch rebaixar rating da companhia à “CCC+”, ante “B”, na sexta-feira. Sentimento dos investidores sobre companhia também tem se deteriorado desde o fim da semana anterior, em meio à expectativa de piora no prejuízo líquido da companhia no primeiro semestre de 2026 para intervalo entre R$1,3 bilhão e R$1,4 bilhão.
Investidores aguardam a divulgação dos resultados de ISA Energia, BB Seguridade, Marcopolo, Bradsaúde e Pague Menos, após o fechamento do pregão.
📊 AÇÕES
As maiores detratoras do Ibovespa foram as ON da Vale, da PRIO e as PN da Petrobras, que recuaram 2,15%, 3,86% e 0,85%, respectivamente.
Já as maiores quedas percentuais figuraram as ON da CSN, da PRIO e da Petroreconcavo, que cederam 6,82%, 3,86% e 3,19%, respectivamente.
🇺🇸 EUA
Os índices acionários encerraram em firme alta, em meio ao arrefecimento das tensões no Oriente Médio, o que favoreceu a queda do petróleo nos mercados internacionais, contribuindo para maior apetite por ativos de risco.
Ao fim da sessão, Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 avançaram 1,32%, 1,48% e 1,78%, respectivamente. As Treasuries yields de dois anos operavam estáveis, a 4,258%. Já as de dez anos recuavam 3,2 pontos-base, a 4,686%.
No front corporativo, as ações da Amazon avançaram 4,58%, na esteira do melhor desempenho diário desde abril de 2012 na sexta-feira, após resultados trimestrais. Hoje, a companhia rompeu capitalização de mercado superior a US$3,0 trilhões.
Na agenda econômica, a leitura do PMI ISM de Manufatura avançou a 55,6 em julho, ante consenso, de 54,0, denotando solidez da atividade industrial na economia americana. Foi o maior ritmo de expansão da leitura do indicador desde maio de 2022.
Investidores aguardam semana carregada de bateria de dados, com JOLTs de junho, ADP de julho e Payroll de julho sendo reportados na terça, quarta e sexta-feira, respectivamente. Semana também reservará resultados trimestrais da SpaceX, no pós-mercado de terça.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent operavam em firme queda de 4,34%, a US$84,11 por barril, em meio a sinalizações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a diplomacia poderia prevalecer sobre um ataque de maior escala ao Irã. Trump, porém, alertou que daria aos iranianos “uma última chance antes da decapitação”.
O Irã, por sua vez, afirmou não estar em negociações com americanos. O Irã também afirmou que não havia planos para quaisquer reuniões. As declarações contradizem Trump, que havia citado negociações que, segundo ele, ocorreriam como justificativa para cancelar os ataques, repetindo padrões anteriores.
O Irã, porém, disse que progressos estão sendo feitos nas discussões com Omã para permitir a passagem de navios por Ormuz, embora ainda haja pouca clareza sobre essas tratativas.
O ouro futuro operava em leve alta de 0,29%, cotado a US$4.053 por onça-troy, enquanto os futuros da prata subiam 1,04%, a US$58,1 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em queda de 2,85%, cotado a US$103,37 por tonelada na última madrugada, pela sétima sessão consecutiva, pressionado pela demanda persistentemente fraca das siderúrgicas chinesas e pelo aumento dos estoques portuários.
A taxa de operação dos altos-fornos da China caiu 0,24 ponto percentual, para 81,85%, na semana passada, enquanto a lucratividade das usinas retraiu 0,86 ponto percentual, para 33,77%, de acordo com a consultoria Mysteel.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











