Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
São Paulo, 17/07/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa encerrou em queda o pregão desta sexta-feira, em sessão de oscilações, e acompanhando mau-humor de Wall Street, com índices de fabricantes de semicondutores adentrando território de “bear market” nos Estados Unidos, em meio às massivas preocupações dos investidores com a sustentabilidade de investimentos em Inteligência Artificial.
Ao fim do dia, o Ibovespa encerrou em queda de 0,06%, aos 173.714 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$16,3 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$18,2 bilhões. Já em termos semanais, o Ibovespa acumulou queda de 2,33%.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros encerraram em alta de até 23,5 pontos-base, em meio ao estresse dos preços do petróleo nos mercados internacionais, bem como avanço das Treasuries yields de dois anos - sensíveis à política monetária no curto prazo – nos Estados Unidos.
Já o dólar futuro operava ao fim do dia em queda de 0,05%, cotado a R$5,125. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, subia 0,06%, aos 100,7 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Ibovespa encerou em queda, pressionado pelo desempenho de blue chips, como Itaú, Banco do Brasil e Vale, enquanto papéis de petrolíferas limitaram as perdas – diante do avanço da commodity nos mercados internacionais.
Société Générale encerrou posição comprada em real, citando complicações do cenário global, e “algumas preocupações crescentes relacionadas à eleição”, de acordo com a Bloomberg.
A instituição afirma haver, também, uma visão por parte de agentes de mercado de subestimação da probabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer as eleições presidenciais de outubro.
A despeito do estresse visto na curva de juros, que pressionou ativos locais, operadores seguiram precificando, de forma majoritária, apostas para um corte de 25 pontos-base pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na decisão de agosto.
De acordo com opções digitais da B3, as opções que precificavam um corte de 25 pontos-base em agosto estavam em 80%. Já as opções que precificavam nova rodada de corte de 25 pbs em setembro estavam em 50%.
Ainda assim, apesar do otimismo com a possibilidade de novas rodadas de calibração de juros, na esteira de dados construtivos da atividade econômica nesta semana, um petróleo rondando os US$90 por barril, e perspectivas de não alternância de política econômica, mantinham os vértices da curva pressionados.
No front político, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil não vai se aproveitar da medida “unilateral injusta de tarifaço” pelos EUA para tomar ação maior do que precisa para estimular a economia em momento eleitoral.
Ele voltou a reafirmar, porém, que o tarifaço dos EUA é “evidente elemento político”, e criticou aqueles que apoiam a medida como “muleta eleitoral”. Também de acordo com ele, uma retaliação está fora do escopo, e o governo avalia as medidas de reciprocidade aprovadas unanimemente pelo Congresso em medida e tempo adequadas.
No front corporativo, Moody’s rebaixou rating da Rumo à “Ba3”, com perspectiva “negativa”. Já Vamos avançou, após divulgar resultados preliminares do segundo trimestre, com receita líquida de R$1,55 bilhão - aumento de 10,1% na base anual.
Vamos divulgou prévia dos resultados do segundo trimestre, com receita líquida de R$1,6 bilhão, crescimento de 10,1% na base anual. De acordo com o Itaú BBA, a prévia operacional da companhia marca um ponto de inflexão para a companhia, indicando uma recuperação consistente das operações.
📊 AÇÕES
Ao fim da sessão, as maiores detratoras foram as PN do Itaú, da Itaúsa e as ON da B3, que cederam 1,39%, 1,31% e 1,23%, respectivamente.
Já as maiores variações percentuais de queda foram as ON da Vivara, da MRV e da Direcional, que recuaram 3,90%, 3,31% e 2,75%, na mesma ordem.
🇺🇸 EUA
Os índices acionários encerraram em firme queda o pregão, enquanto semicondutores tiveram sessão majoritariamente negativa, com o SOX, índice de fabricante de semicondutores da Bolsa da Filadélfia, entrando em território de “bear market”, em meio a preocupações envolvendo os retornos sobre os massivos planos de capex em Inteligência Artificial.
Ao fim do dia, os índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 encerraram em quedas de 0,77%, 1,01% e 1,49%, respectivamente. Em termos semanais, os índices acumularam perdas de 0,93%, 1,55% e 3,98%, na mesma ordem.
As Treasuries yields de dois anos avançavam 2,7 pontos-base, a 4,172%, refletindo o estresse do petróleo, enquanto as de dez anos recuavam 1,6 ponto-base, a 4,541%.
O SOX acumulou queda de 20,3% ante suas máximas em 22 de junho – adentrando território de “bear market” - de queda superior a 20%, em meio a preocupações contínuas com o setor, uma rotação para papéis da velha economia, e temores a respeito do plano de capex a ser desembolsado pelas hyperscalers.
A startup chinesa de IA Moonshot revelou nesta sexta-feira um novo modelo que, segundo ela, tem desempenho equivalente aos principais modelos da OpenAI e Anthropic – revivendo temores do evento DeepSeek sobre os mercados globais, em janeiro de 2025.
A ameaça de avanço das startups chinesas sobre companhias americanas, e eficiência de custos, mostra que os laboratórios de IA do país asiático têm reduzido a defasagem tecnológica em relação aos EUA.
A Moonshot lançou o Kimi K3, destacando resultados comparáveis aos de alguns dos melhores modelos de laboratórios americanos. O modelo supera todos os concorrentes, exceto o Claude Fable 5, da Anthropic, e o GPT-5.6, da OpenAI, em termos de capacidade geral, segundo a empresa.
O mais recente modelo da Moonshot destaca a rapidez com que a corrida da IA na China está evoluindo e aumenta as dúvidas em relação ao elevado nível de investimento em empresas de IA dos EUA.
Os temores contínuos envolvendo massivos desembolsos de capital por parte de hyperscalers nos EUA (Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft se comprometaram com US$725 bilhões em capex neste ano) pressionam, no pré-mercado, as ações de semicondutores e das Magnificent-7.
Entre as Magnificent-7, apenas Apple encerrou em alta, beneficiada pela leitura de que tem desembolsado menos capital para a temática de IA.
Enquanto Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta despejam centenas de bilhões em infraestrutura de IA, a Apple está deixando as rivais financiarem essa pesquisa e se posiciona para, mais adiante, adquirir os melhores modelos quando o cenário se consolidar — inclusive buscando comprar empresas de chips de servidor de IA, segundo o The Information.
💹 COMMODITIES
Os futuros do petróleo brent aceleraram trajetória de alta nesta tarde, subindo 4,19%, a US$87,76 por barril, com investidores renovando temores de uma ampliação do conflito militar entre Estados Unidos e Irã.
A Axios noticiou, mais cedo, que os EUA estão enviando dezenas de aviões de reabastecimento para Israel, aumentando as expectativas de uma escalada iminente no conflito que tem abalado os mercados de energia nos últimos meses.
Ao fim do dia, os preços do petróleo encontravam-se no maior patamar desde 12 de junho. Já em termos semanais, caminhavam para alta superior a 15% - a maior desde abril.
A despeito do estresse do petróleo, os futuros do ouro mantinham alta de 0,7%, a US$4.005 por onça-troy. Já a prata avançava 0,81%, cotado a US$55,9 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em alta de 0,52%, cotado a US$112,53 por tonelada na última madrugada, registrando o segundo ganho semanal consecutivo, impulsionado pela redução nos estoques dos portos chineses, embora a oferta abundante no médio prazo tenha limitado a alta dos preços.
Os estoques de minério de ferro nos principais portos chineses caíram 1,22% em relação à semana anterior, para 156,6 milhões de toneladas, segundo dados da consultoria Steelhome. A tendência de redução dos estoques indica que a demanda geral por minério de ferro continua resiliente.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











