Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
São Paulo, 7/8/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa encerrou em firme queda o pregão desta sexta-feira, pressionado pela reação dos investidores a balanços trimestrais, além do mau humor local, com Petrobras estando entre principais detratoras do índice, mesmo após fortes resultados no segundo trimestre.
Nos Estados Unidos, Payroll de julho veio significativamente mais fraco que o esperado, aliviando temores de potencial alta de juros pelo Federal Reserve já na decisão de setembro do Comitê Federal de Mercado Aberto.
Ao fim da sessão, o Ibovespa encerrou em queda de 1,73%, aos 172.513 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$21,1 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$17,1 bilhões. Em termos semanais, o Ibovespa acumulou queda de 3,08%.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros operavam em queda de até 8,5 pontos-base, em linha com movimento das Treasuries yields. Já o índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, recuava 0,43%, aos 99,5 pontos.
Já o dólar futuro operava ao fim do dia em queda de 0,58%, cotado a R$5,111. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, recuava 0,44%, aos 99,5 pontos.
🇧🇷 BRASIL
A despeito de um Payroll mais fraco em julho, mercados locais foram pressionados por fluxo mais fraco de estrangeiros e reação negativa a balanços reportados ao longo da noite de ontem, com frustração do consenso por diferentes companhias, em meio a sinais de desaceleração da atividade econômica.
As opções digitais da B3 precificavam, ao fim do dia, 73% de chances de corte de 25 pontos-base pelo Copom na decisão de setembro, ante 23% de manutenção.
Traders citaram, em meio ao mau humor local, a revisão de guidance por Lojas Renner na véspera, quando passou a projetar crescimento da receita líquida para este ano em um intervalo entre 4% a 8%, ante guidance anterior, entre 9% a 13%, o que evidenciou a desaceleração da atividade econômica já vista em dados macroeconômicos.
Ao fim do dia, os papéis da companhia afundaram 8,09%. Renner registrou lucro líquido no 2T de R$404,6 milhões, estável frente ao mesmo período do ano passado, e abaixo das expectativas do mercado, que previam um lucro de R$423,2 milhões.
Segundo a JPMorgan, que reiterou recomendação "neutra" para o papel, o resultado veio abaixo do consenso em praticamente todas as linhas. Para o banco americano, o controle de despesas e o ganho de margem não foram suficientes para compensar a fraqueza nas vendas, com estoques crescendo acima do ritmo de vendas — um sinal, segundo a casa, de pressão adicional sobre capital de giro e margens à frente.
O JPMorgan destacou ainda que o corte no guidance de crescimento de receita de varejo para 2026 "valida a preocupação com a demanda" que já pairava sobre a tese da varejista.
Mau humor local e baixo apetite por Brasil também pesaram sobre Petrobras, a despeito do forte resultado da véspera. Papéis preferenciais da companhia recuaram 2,99%, mesmo após petroleira registrar lucro líquido de R$52,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 97% na base anual, enquanto consenso da Bloomberg era de R$45,1 bilhões.
Em conference call, a CEO da petroleira, Magda Chambriard, afirmou que a companhia tem capacidade de plataforma de 270 mil barris por dia para ramp-up no segundo semestre de 2026. Já de acordo com o CFO, Fernando Melgarejo, é improvável o pagamento de dividendos extraordinários neste ano, dado que a companhia priorizará investimentos e avanço em projetos em andamento.
Companhia também prioriza redução da dívida total para US$65 bilhões “o mais rápido possível”, complementou Melgarejo. Já de acordo com Angélica Laureano, diretora de logística e comercialização, a companhia retomará importações de diesel no terceiro trimestre devido à maior demanda sazonal no Brasil, embora não preveja escassez nos mercados.
📊 AÇÕES
As maiores detratoras do Ibovespa foram as PN da Petrobras, do Itaú e as ON da Petrobras, que cederam 2,99%, 2,58% e 3,42%, respectivamente.
Já as maiores quedas percentuais figuraram as ON da Lojas Renner, da CSN Mineração e as Units da Energisa, que 8,09%, 5,22%, 5,22%, respectivamente.
🇺🇸 EUA
Os índices acionários de Wall Street encerraram em firme alta, com investidores avaliando Payroll significativamente mais fraco do que o esperado em julho, o que remove, temporariamente, precificação de alta de juro pelo Fed já em setembro. S&P500 renovou máxima recorde de fechamento.
Os índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 encerraram em alta de 0,28%, 0,62% e 1,19%, respectivamente. Já em termos semanais, os índices acumularam altas de 2,96%, 3,58% e 5,10%, na mesma ordem. As Treasuries yields de dois e dez anos recuavam 5,4 pbs e 3,3 pbs, respectivamente.
Os EUA reportaram fechamento líquido de 23 mil postos de trabalho em setembro, significativamente abaixo do consenso, de 80 mil, e uma clara desaceleração ante o dado revisado de junho, de 20 mil postos criados. A taxa de desemprego recuou a 4,1%, ante consenso, de 4,2%.
Os custos médios por hora trabalhada desaceleraram a 0,1% na base mensal, ante consenso, de alta de 0,3%. Já na base anual, a leitura desacelerou a 3,2%, ante consenso, de 3,5%. A participação na força de trabalho recuou ligeiramente em julho a 61,4%, ante 61,5%, o que pode explicar o dado baixista da taxa de desemprego.
As perdas de emprego incluíram redução de 40 mil postos nos setores de lazer e hotelaria, apesar da Copa do Mundo. O governo eliminou 53 mil postos e o varejo perdeu 19,4 mil. Por outro lado, construção civil reportou 22 mil postos e indústria, 5 mil.
De acordo com a Bloomberg, a taxa de participação na força de trabalho está no menor nível desde fevereiro de 2021. Ou seja, em termos práticos, com menos participantes, a taxa de desemprego se torna mais suscetível para queda, mesmo que haja menos empregos sendo criados.
O relatório fraco desta sexta aliviou a pressão imposta sobre o chair do Fed, Kevin Warsh, nos últimos dias, para uma eventual alta de juros já na decisão de setembro. “Payroll reforça visão de que Fed provavelmente manterá juros inalterados por enquanto, a menos que indicadores de inflação comecem a subir”, afirmou Ira Jersey, da Bloomberg Intelligence.
Ainda no front monetário, o presidente dos EUA, Donald Trump, reacendeu sua ameaça de demitir a diretora do Fed, Lisa Cook, por alegações não comprovadas de fraude hipotecária, de acordo com a Bloomberg. Em carta datada de quarta-feira, 6 de agosto, Cook foi informada de que Trump “está considerando removê-la” do cargo, e tem até 26 de agosto para responder às alegações feitas.
A tentativa de destituir Cook a qualquer custo do banco central poderia reacender uma batalha judicial sobre a independência do banco central e potencialmente permitir que Trump nomeasse novos membros para o FOMC.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent operavam em leve alta de 0,17%, cotados a US$82,74 por barril, com investidores monitorando de forma contínua tratativas entre Irã e Omã acerca da gestão do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Em termos semanais, os futuros do brent acumulavam queda semanal de 6,66%.
Os investidores preparavam-se para adentrar o fim de semana com incertezas envolvendo o conflito no Oriente Médio. Embora investidores aguardassem um possível acordo entre autoridades do Irã e de Omã, até hoje, pelo tráfego em Ormuz, não havia ocorrido formalização das tratativas até o fechamento desta edição.
De acordo com agências internacionais, uma autoridade dos EUA afirmou que os EUA suspenderiam o bloqueio a portos do Irã quando houvesse acordo para a retomada do transporte marítimo em Ormuz sem obstáculos. Também de acordo com esta autoridade, tem havido progresso entre Omã e Irã acerca do tema, com expectativa de um acordo em breve.
Ainda assim, um projeto de lei proposto pelo Parlamento do Irã em cima do acordo traçado com Omã prevê cláusulas como a proibição da circulação de navios dos EUA e de Israel na hidrovia, o que deverá gerar ruído com americanos, de acordo com a agência Fars.
Na véspera, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que negociações estão “progredindo”, e disse que os americanos estão envolvidos nelas, embora não tenha dito se um acordo havia sido alcançado. Trump também afirmou que o Estreito de Ormuz encontra-se “meio aberto”, e que os americanos controlam a hidrovia
Já os futuros do ouro operavam em alta de 2,51%, cotados a US$4.347 por onça-troy. Já a prata subia 3,53%, a US$63,6 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em alta de 0,35%, cotado a US$106,19 por tonelada na última madrugada, pela terceira sessão consecutiva, impulsionados por uma greve iminente nas operações da BHP em Port Hedland e pelas tensões nas negociações de compra de minério da China com a Rio Tinto.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











