Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
São Paulo, 15/06/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa reverteu trajetória de ganhos nesta segunda-feira, e encerrou em queda, com significativa desidratação de papéis petrolíferos e financeiros sobre o índice, enquanto mercados globais viveram pregão de apetite ao risco, com agentes favorecendo anúncio de acordo entre Estados Unidos e Irã, que deverá ser assinado na sexta-feira.
Semana também é marcada por decisões de juros mundo afora, com destaque para a do Banco Central, no Brasil, e a do Federal Reserve, nos EUA, que ganharam “alento” com o fluxo de notícias positivo oriundo do Oriente Médio.
Ao fim do dia, o Ibovespa encerrou em queda de 0,42%, aos 170.415 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$21,0 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$20,9 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros encerraram em firme queda de até 18,5 pontos-base, na esteira do movimento de fechamento das Treasuries yields.
Já o dólar futuro operava ao fim do dia em ligeira alta de 0,01%, cotado a R$5,083. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, recuava 0,15%, aos 99,6 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Blue chips foram principais detratoras do Ibovespa na sessão, com Petrobras retirando mais de mil pontos do índice, na esteira do movimento de queda do petróleo nos mercados internacionais. Em razão da ponderação elevada da companhia sobre o Ibovespa, a desidratação do índice foi bastante evidente.
Ações brasileiras também destoaram de outros pares na NYSE. O EWZ, ETF que replica ações brasileiras nos EUA, recuou 1,31%. Já o EWT e EWY, ETFs que replicam ações de Taiwan e da Coreia do Sul, avançaram 3,65% e 7,09%, respectivamente. O índice MSCI de mercados emergentes avançou 2,78%.
Santander teve roadshow com clientes locais, na semana passada, e apontou que principal feedback reportado foi o de “cautela” em referência ao Brasil. De acordo com bancos, fundos parecem ter exposição direcional “limitada” ao mercado local, enquanto investidores long-only em Brasil reduziram o risco ativo e aumentaram o caixa.
Ainda assim, apesar da baixa convicção no momento corrente com Brasil, o Santander apontou que o tom “não é claramente negativo”. Na visão do banco, os valuations de ações locais “já parecem incorporar boa parte das más notícias”, dificultando aos investidores encontraram boas posições de short.
No entanto, a preocupação dos investidores com Brasil segue concentrada em fiscal, inflação e juros. Uma eventual reabertura de Ormuz – prometida para o fim desta semana - é vista como gatilho positivo de risco, mas somente ela não seria suficiente para sustentar eventual rali das ações locais.
Mercado local também aguarda decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira.
Colegiado deverá reduzir Selic em 25 pontos-base, a 14,25%, mesmo com resiliência da atividade e do mercado de trabalho, além da desancoragem das expectativas de inflação, dado que não houve mudança relevante na comunicação da autarquia desde a reunião de abril, que continuou sinalizando processo de calibragem dos juros.
O colegiado, porém, deverá deixar as opções abertas para agosto, em razão do risco de deterioração adicional da inflação. Autarquia também deverá elevar projeção para inflação ao fim do quarto trimestre de 2027 – horizonte relevante – a 3,6%, de acordo com players de mercado consultados pela Mover.
Mais cedo, mediana de projeções da Selic ao fim deste ano avançou a 13,75%, ante 13,5% - no segundo avanço semanal consecutivo – em meio à reprecificação de economistas por um menor ciclo de calibração dos juros. Já a mediana de projeção para IPCA ao fim deste ano foi a 5,3%, ante 5,11%, na décima quarta alta semanal consecutiva.
Ainda assim, a comunicação por parte de Trump, na véspera, de que EUA e Irã alcançaram um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz contribuiu para gerar um alento na decisão da política monetária desta semana.
Há a visão entre gestores, também, que uma pressão baixista sobre o petróleo nos mercados internacionais poderá contribuir para um movimento de racionalização na dinâmica da curva de juros, após forte trajetória de abertura vista em semanas anteriores, com desmontagem de posições aplicadas por operadores.
Ao fim do dia, opções digitais da B3 precificavam 79% de chances de um corte de 25 pontos-base, a 14,25%. As opções de manutenção da Selic em 14,5% estavam em 20,5%.
No front político, o senador Flávio Bolsonaro confirmou mais cedo, em evento da Veja, o nome de Daniella Marques – ex-presidente da Caixa Econômica - em sua campanha. Ela será responsável por cuidar de propostas da área econômica.
“Uma pessoa que eu respeito demais, confio demais, está se dispondo a estar perto de nós aqui na campanha e vai ajudar nessa parte econômica - não só nessa parte da economia, mas principalmente na pauta de mobilidade social”, afirmou.
Sobre privatizações, Flávio disse ser a favor, embora precise ver “cada caso”. “Com relação à Petrobras, eu sou contra a privatização como um todo, mas acho que tem partes que podem sim ser privatizadas”, disse.
No front político, presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viaja para o G7, na França, com agendas nos dias 16 e 17. Veículos apontam que o governo trabalha com a possibilidade de um encontro entre o petista e sua contraparte americana, Donald Trump, durante reunião da cúpula.
Semana também será marcada por divulgação de pesquisa presidencial CNT/MDA, na terça-feira, além de levantamento Datafolha, na sexta-feira.
Em termos de fluxo para o mercado à vista, a B3 reportou mais uma sessão de saída líquida do saldo do investidor estrangeiro. No dia 11 de junho, o saldo do estrangeiro ficou negativo em R$751 milhões. No acumulado do mês até aqui o saldo é negativo em R$4,3 bilhões.
Apesar do recente movimento de saída do investidor estrangeiro, o saldo para a categoria no ano ainda se mantém positivo em R$37,3 bilhões.
📊 AÇÕES
As maiores detratoras do Ibovespa foram as PN e ON da Petrobras e as ON da PRIO, que recuaram 5,15%, 5,30% e 6,91%, respectivamente.
Entre as maiores quedas percentuais, figuravam as ON da PRIO, da Petroreconcavo e da Petrobras, que cederam 6,91%, 6,50% e 5,30%, na mesma ordem.
Na ponta oposta, as maiores altas percentuais foram ON da Embraer, da Cury e as PN da Bradespar, que avançaram 7,06%, 3,02% e 2,72%, na sequência.
🇺🇸 EUA
Os índices acionários de Wall Street encerraram em firme alta, com S&P500 chegando a registrar, no melhor momento da sessão, maior alta intradiária desde abril, em meio ao acordo de paz provisório entre americanos e iranianos que prevê reabertura do Estreito de Ormuz.
Os índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 encerraram em firme alta de 0,92%, 1,66% e 3,07%, respectivamente. Já as Treasuries yields de dois e dez anos operavam ao fim do dia em queda de 2,5 pbs e 1,8 pbs, respectivamente, a 4,062% e 4,465%, na mesma ordem.
As Magnificent-7 operaram em bloco de alta, diante do apetite ao risco, com ações da Meta liderando os ganhos. As fabricantes de semicondutores também tiveram firme alta. O índice de fabricante de semicondutores da Bolsa da Filadélfia teve firme alta de 5,45%. As ações da Spacex dispararam 19,52%.
Para além do apetite ao risco movido pela geopolítica, investidores aguardam decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na quarta-feira, que deverá manter os juros inalterados no intervalo entre 3,50% e 3,75%. Será a primeira decisão de juros a ser presidida por Kevin Warsh como chair do Fed.
No front corporativo, Bloomberg reportou que Nvidia busca levantar até US$25 bilhões com a oferta de títulos “high grade”, em movimento de capital que não era visto em cerca de cinco anos. A dinâmica de levantamento de capital também oferece continuidade a estratégias de companhias ligadas ao ecossistema de IA, que buscam fontes de financiamento para expansão de projetos ligados à temática.
No front econômico, produção industrial avançou 0,1% na base mensal em maio, abaixo do consenso, de alta de 0,3%, e desacelerando avanço ante abril, de 0,9%. Semana também será carregada por dados econômicos, com divulgação de vendas no varejo de maio, na quarta-feira.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent operavam em firme queda de 4,08%, cotados a US$83,77 por barril, no menor patamar desde março, após EUA e Irã terem concordado com um acordo provisório para a reabertura do Estreito de Ormuz. Os futuros do brent operavam no menor nível desde 10 de março.
Mais cedo, em entrevista coletiva ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron, Trump afirmou que Ormuz estaria “completamente aberto” na sexta-feira, e afirmou que divulgaria texto relacionando ao Memorando de Entendimento com o Irã após assinatura de acordo, também prevista para sexta.
Ele também afirmou que eventual alívio de sanções ao Irã viria condicionado ao alcance de determinados pressupostos pelos iranianos.
Apesar do otimismo do republicano, operadores citam a falta de um texto oficial acerca do memorando de entendimento, o que inviabiliza a retomada do tráfego marítimo em Ormuz pelo setor de transporte marítimo.
Já a agência de notícias Mehr informou que o rascunho do acordo previa a reabertura do Estreito de Ormuz em até 30 dias, sob os termos estabelecidos pelo Irã.
Os EUA e o Irã assinarão um memorando de entendimento na Suíça nesta sexta-feira, disse o primeiro-ministro do Paquistão, Shebaz Sharif, cujo país atuou como mediador do acordo. Trump disse no domingo que o Estreito de Ormuz ficaria aberto "sem cobrança de pedágio" e que o bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos também seria encerrado após a assinatura do acordo.
A estrutura para um acordo, no entanto, não abordou inicialmente uma das principais questões entre atores políticos, que é o programa nuclear do Irã. O tópico deverá ser discutido em até 60 dias após a assinatura do MoU.
Operadores também acompanham redução de estoques de petróleo promovida pelo governo Trump com o conflito no Oriente Médio. De acordo com dados do Departamento de Energia, os níveis da Reserva Estratégica de petróleo dos EUA alcançaram o menor patamar desde 1983.
Os futuros do ouro operavam em firme alta de 2,38%, cotados a US$4.319 por onça-troy. Já a prata operava em alta de 3,10%, cotada a US$70,1 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro negociado em Dalian fechou em alta de 0,70%, cotado a US$102,10 por tonelada, uma vez que possíveis greves no principal centro de minério de ferro da Austrália, Port Hedland, ameaçavam reduzir a oferta, enquanto um acordo preliminar entre os EUA e o Irã para pôr fim ao conflito também deu impulso aos metais.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











