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👉 FECHAMENTO: Ibovespa tem alta, descorrelacionando-se dos EUA, por não exposição à tech; mercado repercute ata do Copom

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Por: Gabriel Ponte e Luca Boni


   


São Paulo, 23/06/2026   


   


📈 IBOVESPA   


   


O Ibovespa encerrou em alta o pregão desta terça-feira, descorrelacionando-se dos índices acionários de Wall Street, em razão da menor exposição à temática tecnológica, enquanto investidores digeriam ata da mais recente decisão de juros do Copom, que trouxe argumentos para a rodada de calibração vista na semana anterior.  


 


No exterior, índices encerraram em queda, em meio a um movimento de queda de papéis de fabricantes de semicondutores, diante de preocupações envolvendo o frenesi relacionado à Inteligência Artificial. Na Coreia do Sul, mercados acionários entraram em circuit breaker, após massivas quedas de papéis tecnológicos.  


 


Ao fim da sessão, o Ibovespa avançou 0,52%, aos 171.258 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$16,1 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$20,3 bilhões.  


   


💵 JUROS / DÓLAR   


   


Os vértices da curva de juros encerraram em queda de até 13 pontos-base. Mais cedo, Tesouro colocou na integralidade 1,0 milhão de contratos de LFT, com vencimento em 2032. Na véspera, Tesouro já havia cancelado oferta de NTN-B para esta terça.  


 


Já o dólar futuro operava em alta de 0,90%, a R$5,199. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, subia 0,41%, aos 101,4 pontos, pressionado por uma leitura de agentes de mercado de um Federal Reserve mais “hawkish”.  


 


🇧🇷 BRASIL   


 


Curva de juros virou para queda, em movimento de correção técnica, após inclinação vista mais cedo, com agentes repercutindo ata da mais recente decisão de juros do Copom, que dividiu opiniões, embora com menções de que documento eliminou, parcialmente, ruídos do comunicado da semana anterior.  


 


Ainda assim, a ata não fora suficiente para sanar integralmente todas as dúvidas de boa parte dos economistas, principalmente no que diz respeito à extensão do horizonte relevante de política monetária para o primeiro trimestre de 2028, além de especificidades envolvendo “trajetórias alternativas” citadas pelo Copom. 


 


Parcela significativa de economistas consultados pela Mover antevê, independentemente das dúvidas sobre determinados tópicos da ata, que o próximo passo do BC será uma manutenção dos juros.  


 


Mais cedo, o documento apontou que o colegiado “julgou como mais adequadas, nesse momento, trajetórias de Selic menos discrepantes às presentes na Focus, QPC e precificação da política monetária, por evitarem induzir volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros e agregados macroeconômicos”. 


 


Também segundo a ata, “essas trajetórias contemplavam cenários com combinações de diferentes momentos de pausa e retomada do ciclo de calibração. Nesse caso, as flutuações de produto se mostraram menores, com a inflação convergindo para a meta no primeiro trimestre de 2028”. 


 


De acordo com a ata, o Copom também debateu trajetórias alternativas, não presentes em quaisquer das expectativas e respostas, da Focus ou QPC, tampouco refletidas na precificação da política monetária pelos agentes de mercado, com convergência da inflação à meta no atual horizonte relevante, exigindo variações abruptas de direção e de grande magnitude na Selic, seguida de diversos trimestres com inflação abaixo da meta.  


 


Em outro ponto da ata, o Copom afirmou ser recomendável “não reagir integralmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta, que no momento atual incluem incertezas relevantes”. Colegiado citou a extensão dos efeitos de choques já materializados, como por exemplo das consequências do conflito armado no Oriente Médio, quanto da extensão de outros considerados na projeção, mas ainda não materializados, como El Niño.  


 


Já ao descrever o balanço de riscos, o Copom passou a citá-lo como “assimétrico altista”, diferentemente do comunicado da quarta-feira passada, quando ocultou essa descrição. 


 


“O BC não deu um ‘jeitinho’. Apenas evitou uma dose desnecessária de aperto. A postura do BC não foi extremamente dovish e é bastante injusta a comparação com o período do Tombini. Avaliamos que o ciclo de calibração de juros só prosseguirá caso se observe uma evolução favorável do balanço de riscos”, afirmou Sergio Goldenstein, da Eytse Estratégia.  


 


Bank of America avaliou que a ata imprime tom mais “hawkish” do que o observado no comunicado da semana anterior. Na visão do banco, o Copom também rejeita, de forma explícita, cenários de movimentos abruptos da Selic, afastando a possibilidade de um ciclo de alta no curto prazo. BofA antevê Selic inalterada até meados de 2027.  


 


Para o Goldman Sachs, a ata sugere disposição do BC de conviver com inflação acima da meta no horizonte relevante. Também acordo com o GS, o Copom sugere no documento que trajetórias alternativas agressivas da Selic poderiam gerar volatilidade. Assim, no curto prazo, a visão é de que o Copom está se inclinando mais para proteger a atividade, ante preços, em seu mandato, de acordo com o Goldman.  


 


Mercado também repercutiu o cancelamento do leilão de NTN-Bs pelo Tesouro, nesta terça-feira, visto como um primeiro passo em direção a potenciais recompras de títulos. O movimento ofereceu alívio à dinâmica da curva de juros. Atenções do mercado se voltam, agora, para Relatório de Política Monetária do BC, na quinta-feira. 


 


Nos mercados acionários, Ibovespa se sobressaiu ante pares de mercados emergentes, pela menor exposição a ações tecnológicas. Sell-off observado na Coreia do Sul, mais cedo, pressionou índice MSCI de mercados emergentes, bem como ETFs com exposição à temática tecnológica, como Taiwan.  


 


📊 AÇÕES   


   


As maiores contribuidoras do Ibovespa foram as ON da Axia, da MBRF e da Eneva, que avançaram 2,59%, 9,88% e 2,31%, respectivamente. 


   


Entre as maiores altas percentuais, figuravam as ON da MBRF, da Vivara e da Azzas, que subiram 9,88%, 4,64% e 3,61%, na mesma ordem. 


   


Na ponta oposta, as maiores quedas percentuais foram as ON da Magazine Luiza, as PNA da Usiminas e as ON da Hapvida, que recuaram 5,15%, %4,94 e 3,11%, na sequência. 


   


🇺🇸 EUA   


   


Os índices acionários encerraram em firme queda, com papéis de fabricantes de semicondutores pressionando dinâmica local, em meio a preocupações envolvendo frenesi em torno de Inteligência Artificial, que impulsionou os mercados às máximas recordes recentemente.  


 


Ao fim do dia, os índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 recuaram 0,09%, 1,44% e 3,30% respectivamente. Ao fim da sessão, as Treasuries yields de dois anos recuavam 3,4 pontos-base, a 4,196%, enquanto as de dez anos perdiam 1,2 ponto-base, a 4,497%.  


 


Um sell-off de papéis tecnológicos pressionou especialmente papéis de semicondutores, às vésperas dos resultados trimestrais de Micron, e em meio a renovadas preocupações envolvendo potencial sinais de exaustão relacionado ao desempenho altista do setor.  


 


Pesou também sobre o sell-off desta terça a forte realização observada no índice sul-coreano Kospi, que acionou mecanismo de circuit breaker, com os papéis da SK Hynix Inc e da Samsung despencando mais de 10%.  


 


Notícias locais sugeriram que a SK Hynix está reduzindo a expansão da produção de chips de memória para IA e priorizando a DRAM, uma tecnologia mais barata, de acordo com a Bloomberg – alimentando preocupações sobre a demanda por datacenters de IA. 


 


Agentes de mercado também justificaram a forte correção vista nos índices sul coreanos por três motivos: receios envolvendo o rali recente dos papéis tecnológicos; uma liquidação forçada que afetou investidores de varejo que negociavam com dinheiro emprestado e uma onda de vendas ligada a fundos que acompanhavam as ações da SK e da Samsung.  


 


Nos EUA, os resultados corporativos de Micron, no fechamento de mercado de quarta-feira, devem fornecer o teste mais claro até o momento para verificar se a demanda por infraestrutura de IA permanece forte o suficiente para sustentar a alta deste ano.  


 


Já no front corporativo, SpaceX reverteu queda, e encerrou em alta de 0,94%, com forte demanda reportada por veículos internacionais a respeito de sua emissão de títulos nos EUA, dias após Oferta Pública Inicial (IPO). Segundo a Bloomberg, a SpaceX pretende levantar US$25 bilhões em títulos, divididos em cinco partes.  


 


💹 COMMODITIES   


   


Os futuros do brent operavam em firme queda de 0,98%, a US$77,10 por barril, à medida que o número de embarcações em trânsito pelo Estreito de Ormuz continuava a aumentar, e os preços do petróleo no mercado físico estão quase de volta aos níveis pré-guerra, em decorrência dos avanços nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.  


 


De acordo com dados da MarineTraffic e da Kpler, as travessias confirmadas de petroleiros por Ormuz aumentaram de 32 embarcações entre 12 e 14 de junho para 93 embarcações entre 19 e 21 de junho, um incremento de 61 travessias em relação à semana anterior. A mudança mais acentuada ocorreu no sábado, quando as travessias saltaram de 3 para 42 em comparação com o fim de semana anterior. 


 


Os sinais de maior tráfego pelo Estreito de Ormuz, bem como uso de reservas estratégicas de petróleo, têm contribuído para manutenção da curva de preços do petróleo. Na véspera, os EUA emitiram uma licença de 60 dias permitindo a venda de alguns produtos petrolíferos iranianos.  


  


Em evento durante esta tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que 19 milhões de barris de petróleo fluíram do estreito na véspera, pontuando ser um volume “recorde”.  


 


Ainda assim, operadores seguem monitorando as negociações entre americanos e iranianos, com o objetivo de se alcançar um desmantelamento das capacidades nucleares do Irã, a manutenção do status de cessar-fogo entre Líbano e Israel, e a normalização de Ormuz.  


 


No front das commodities metálicas, os futuros do ouro recuavam 1,85%, cotados a US$4.114,22 por onça-troy. Já a prata perdia 5,20%, a US$61,62 por onça-troy.  


 


No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em queda de 0,54%, cotado a US$108,91 na última madrugada, pressionados pelas perspectivas de aumento nos embarques dos principais fornecedores na reta final do segundo trimestre e pela queda sazonal na demanda por aço. 


 


(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected]