Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
São Paulo, 28/07/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa encerrou em alta o pregão desta terça-feira, embora arrefecendo os ganhos ao longo da tarde, com investidores favorecendo alívio na inflação visto mais cedo na leitura de julho do IPCA-15, que também aumentava as apostas para a possibilidade de extensão das rodadas de calibração de juros pelo Banco Central adiante.
Nos Estados Unidos, Nasdaq 100 chegou a adentrar território de correção, ao recuar mais de 10% ante máximas recentes, em meio a um movimento de rotação do segmento tecnológico para outros setores, diante de contínuas preocupações envolvendo sustentabilidade de investimentos em Inteligência Artificial, bem como competitividade da China.
Ao fim do dia, o Ibovespa encerrou em alta de 0,70%, aos 176.564 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$15,8 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$16,5 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices ao longo da curva de juros recuaram até 7,0 pontos-base na sessão, refletindo leitura benigna do IPCA-15 de julho, que veio abaixo do consenso, e também em linha com Treasuries yields.
Mais cedo, Tesouro vendeu 111,7 mil de 150 mil NTN-Bs, em leilão enxuto, e lote integral de 1,0 milhão de LFTs.
Já o dólar futuro operava ao fim do dia em alta de 0,10%, cotado a R$5,123, enquanto o índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, recuava 0,10%, aos 101,4 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Leitura benigna do IPCA-15, em julho, reforçou apostas de corte de juros pelo Copom na decisão da próxima semana, bem como a possibilidade de extensão do movimento de calibração na reunião de setembro.
De acordo com opções digitais da B3, ao fim do dia, investidores precificavam 89,4% de chances de um corte de 25 pontos-base na decisão de agosto do Copom. As apostas para um corte de 25 pbs em setembro, minoritárias até ontem, foram a 55% na máxima do dia.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) variou 0,06% em julho, 0,35 ponto percentual abaixo da taxa de junho e bem abaixo do consenso de mercado, de 0,20%. Na base anual, o indicador desacelerou a 4,52%, ante 4,80% nos 12 meses imediatamente anteriores e abaixo do consenso de 4,67%, segundo o IBGE.
Segundo o Fundo Versa, a média dos núcleos de inflação desacelerou a 0,21% na base mensal em julho, ante 0,34% em junho, enquanto o índice de difusão recuou a 48,23%, ante 60,22%.
Os preços de alimentos no domicílio mostraram deflação de 1,14%, revertendo alta de 0,87% em junho, e os industriais cederam 0,01%, enquanto os serviços subjacentes aceleraram a 0,3% na base mensal, ante 0,27%.
Em nota, o BTG destacou melhora do qualitativo do índice após deterioração nos cinco meses anteriores, citando surpresa baixista em alimentos no domicílio, preços administrados e serviços, com destaque para passagens aéreas.
No front corporativo, Petrobras divulgará relatório de produção e vendas do segundo trimestre após fechamento do mercado.
No sell side, JPMorgan reorganizou preferências do setor de proteína da América Latina, após reabertura faseada da fronteira de gado entre México e EUA, elevando recomendação de JBS para compra e rebaixando Minerva para neutra, enquanto manteve a MBRF como compra e principal escolha do setor.
Papéis de Vivo e Tim foram as maiores quedas percentuais do índice, recuando 5,97% e 5,81%, respectivamente, após resultados trimestrais, que foram vistos como “mistos” por players de mercado.
📊 AÇÕES
As maiores contribuidoras do Ibovespa, foram as ON de Axia, B3 e Embraer, que avançaram 1,93%, 1,78% e 2,26%, respectivamente.
Já as maiores altas percentuais foram as ON da Vamos, da Hapvida e da Fleury, que avançaram 5,05%, 4,02% e 3,21%, respectivamente.
🇺🇸 EUA
Os índices acionários dos Estados Unidos encerraram mistos, com o Nasdaq 100 chegando a adentrar território de correção, após recuar mais de 10% ante as máximas recentes, diante de um movimento de rotação para setores fora da tecnologia.
Ao fim do dia, os índices Dow Jones e S&P500 avançaram 1,03% e 0,22%, respectivamente, enquanto o Nasdaq 100 recuou 0,99%. As Treasuries yields de dois e dez anos recuavam 4,1 pbs e 4,7 pbs, respectivamente.
O tombo dos semicondutores acompanhou um sell-off na Ásia, com o índice Kospi, da Coreia do Sul, recuando 11% na madrugada, e Samsung e SK Hynix caindo mais de 14% cada, após relatos de que uma empresa estatal chinesa iniciou a produção em massa de máquinas de litografia ultravioleta profunda por imersão para fabricação de chips.
Papéis como ASML, AMD, Broadcom, Micron e Intel também recuaram em conjunto, em meio a dúvidas renovadas sobre a concorrência da China no segmento. Segundo a Bloomberg Intelligence, investidores têm rotacionado para setores como imobiliário, materiais e utilities, que reportaram resultados acima do consenso.
O SOX, índice de semicondutores da Bolsa da Filadélfia, recuou 3,39% no pregão, caminhando para o pior desempenho mensal em julho desde outubro de 2008, de acordo com dados vistos pela Mover.
A firme queda dos papéis do setor denota também, a drástica mudança de sentimento dos investidores, dado que em julho, o posicionamento comprado em semicondutores era o trade mais citado por gestores consultados pelo Bank of America.
Investidores também aguardam, amanhã, resultados de Meta e Microsoft, seguidos pelos resultados de Apple e Amazon, na quinta-feira.
Mais cedo, a confiança do consumidor mensurada pelo Conference Board recuou a 90,8 em julho, abaixo do consenso, de 92,3, e mostrando desaceleração em relação aos números de junho, de 92,2. A leitura levou as Treasuries yields a renovarem as mínimas intradiárias na ocasião.
No front econômico, o Federal Reserve, que anuncia decisão de juros na quarta-feira, deve manter a taxa-alvo Fed Funds entre 3,50% e 3,75%, na segunda reunião presidida pelo chair Kevin Warsh, com o mercado precificando cerca de 70% de chance de manutenção, de acordo com derivativos negociados na Chicago Mercantile Exchange (CME). Players de mercado, porém, anteveem possibilidade de dissidência na decisão.
💹 COMMODITIES
Os futuros do petróleo Brent recuavam 5,25%, a US$83,72 por barril, diante das perspectivas positivas dos investidores a respeito das negociações entre EUA e Irã, a despeito do noticiário geopolítico volátil envolvendo o Estreito de Ormuz.
O Irã propôs a Omã um acordo temporário para reabrir o Estreito de Ormuz, segundo o qual um sentido do tráfego passaria por águas iranianas e parte da rota oposta também estaria em águas iranianas, disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, à televisão estatal nesta terça-feira, de acordo com a Reuters.
Gharibabadi afirmou que Teerã rejeitou uma proposta omanita para uma divisão igualitária das rotas de trânsito entre os dois países, alegando que tal plano não abordava as preocupações de segurança de Teerã até que a estabilidade regional a longo prazo seja alcançada.
Ele afirmou que o Estreito de Ormuz permaneceria fechado caso Mascate rejeitasse a proposta do Irã, acrescentando que Teerã nunca reconheceu a rota sul ao longo da costa de Omã.
Já autoridades israelenses classificaram como positiva a reunião entre o premiê Benjamin Netanyahu e o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca, com foco no Irã.
Ao fim do dia, os futuros do ouro recuavam 1,31%, cotados a US$4.026 por onça-troy, enquanto os futuros da prata tinham queda de 1,93%, cotados a US$57,2 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em queda de 0,20%, a US$109,49 por tonelada, na terceira sessão consecutiva de baixa, com usinas siderúrgicas chinesas fechadas para manutenção após notificações de restrição à produção.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











