Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
São Paulo, 21/8/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa encerrou em firme alta o pregão desta sexta-feira, registrando maior ganho diário desde , em sessão de apetite ao risco nos mercados globais, e com investidores à espera de pesquisa Datafolha, no início da noite, sob expectativa de melhora do senador Flávio Bolsonaro e queda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto à Presidência.
Vértices da curva de juros tiveram firme queda, em descompasso às Treasuries yields, com investidores repercutindo noticiário que sugere que trackings recentes mostram acirramento da disputa entre Lula e Flávio.
Ao fim do dia, o Ibovespa encerrou em alta de 1,84%, aos 171.014 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$17,1 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$22,5 bilhões. Em termos semanais o índice acumulou alta de 2,44%.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros renovaram mínimas intradiárias sucessivamente no pregão, encerrando em queda de até 17,5 pontos-base na cauda longa.
Já o dólar futuro operava ao fim do dia em queda de 0,99%, cotado a R$5,154. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, perdia 0,01%, aos 98,83 pontos.
Em um ranking de moedas, o real liderava os ganhos ante o dólar em uma cesta de 23 divisas vista pela Mover.
🇧🇷 BRASIL
O noticiário político seguia como pano de fundo para o mercado local, com investidores de olho na pesquisa Datafolha prevista para as 18h40 desta sexta-feira, com coleta realizada entre terça e quinta-feira.
Segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo, a maioria dos “trackings” privados feitos nos últimos dias mostra evolução nos números de Flávio Bolsonaro e leve recuo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com empate técnico na média para um eventual segundo turno. Após o Datafolha desta sexta, o mercado também aguarda pesquisa BTG/Nexus, marcada para a próxima segunda-feira, dia 24.
Segundo a Folha de S.Paulo, os ministros André Mendonça e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, pretendem manter as investigações contra Lulinha, filho do presidente Lula, autorizadas pelo STF à Polícia Federal por suspeita de corrupção e tráfico de influência. Lula pediu apuração completa e responsabilização dos envolvidos; Lulinha nega qualquer irregularidade.
O caso envolvendo o filho de Lula reduziu a vantagem de Lula contra Flávio em “trackings” do PT, de acordo com a Folha de S.Paulo. A liderança, que variava entre sete e dez pontos a favor do petista, agora oscila entre dois e três pontos.
Mais cedo, Planalto informou que Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone nesta sexta, e discutiram a retomada das negociações para reduzir tarifas sobre produtos brasileiros, além da cooperação no combate ao crime organizado.
De acordo com o Planalto, Trump propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível, e concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes.
Já de acordo com a CNN, Trump questionou Lula a respeito das eleições durante telefonema. Lula, por sua vez, respondeu que campanhas transcorrem com tranquilidade e que há vários candidatos à Presidência.
O petista também defendeu o sistema eleitoral brasileiro e disse que a Justiça Eleitoral garante eleições livres e transparentes. Não houve menção a nenhum integrante da família Bolsonaro.
No front corporativo, ações de frigoríficos avançaram na sessão, após Trump anunciar a suspensão de tarifas mais elevadas sobre importações de carne bovina, em uma tentativa de reduzir os preços para os consumidores, que enfrentam custos historicamente elevados da carne.
Trump anunciou mais cedo que os EUA permitirão a entrada de até 300 mil toneladas métricas de carne moída no país nos próximos 90 dias “sem tarifas acima da cota”. Disse, também, ter o compromisso de que a carne bovina seja vendida a um preço 25% menor ante os preços atuais do mercado.
📊 AÇÕES
As maiores contribuidoras do Ibovespa foram as PN do Itaú, as ON da B3 e da Vale, que avançaram 2,91%, 5,23% e 1,36%, respectivamente.
Já as maiores altas percentuais do Ibovespa foram as ON da Vamos, da Cosan e as PNA da Usiminas, que subiram 10,48%, 8,01% e 7,91%, respectivamente.
🇺🇸 EUA
Os índices encerraram em alta o pregão desta sexta-feira, enquanto os rendimentos das Treasuries de longo prazo reverteram todo do movimento de queda visto com a intervenção anunciada nesta semana pelo Tesouro, e operavam em alta, em meio a dúvidas a respeito da real capacidade das medidas de Scott Bessent amenizarem a trajetória altista dos rendimentos.
Ao fim do dia, os índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 avançaram 0,98%, 0,43% e 0,33%, respectivamente. As Treasuries yields de dois e dez anos avançavam 4,0 pbs e 2,4 pbs, respectivamente, a 4,230% e 4,732%, na mesma ordem. As Treasuries yields de 30 anos subiam 2,3 pbs, a 5,273%, revertendo todas as perdas vistas desde quarta.
Investidores encerraram a semana avaliando as consequências da recente intervenção do Tesouro no mercado de bonds, e eventuais perspectivas de que as medidas podem se tornar apenas “paliativas”, já que não endereçam tópicos estruturais, como o crescente déficit fiscal local, e uma pressão inflacionária significativa.
Segundo estrategistas do Goldman Sachs, apesar de todos os esforços do Tesouro, a desaceleração da inflação é a melhor maneira de reduzir os rendimentos das Treasuries.
Já o bitcoin acumulava alta de 22,84% - melhor desempenho semanal desde março de 2023 – impulsionado pela desvalorização do dólar e por comentários favoráveis às criptomoedas feitas pelo presidente Donald Trump.
Trump instou o Congresso, nesta semana, a aprovar uma legislação desejada pelo setor de moedas digitais. Temores envolvendo a situação fiscal dos EUA, aos moldes da situação vista nesta semana, também ofereceram movimento de alta para a criptomoeda.
A leitura preliminar do PMI S&P Global Composto para agostou avançou a 56,0 em agosto – maior patamar desde abril de 2022. A melhora foi impulsionada pela recuperação do setor de serviços. A leitura do PMI para Serviços foi a 56,8, no maior ritmo de expansão desde dezembro de 2024. Já a leitura do PMI Industrial recuou a 53,2, ante 53,9.
💹 COMMODITIES
Os futuros do petróleo subiam 0,22%, a US$94,03 por barril, com as perspectivas para o fim do conflito EUA e Irã ficando cada vez mais distantes. Os futuros da commodity caminhavam para a sexta alta diária consecutiva, operando firmemente acima dos US$90 por barril.
Investidores aguardam detalhes da campanha prometida pelos EUA para sufocar, economicamente, o Irã. Na véspera, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o governo americano detalharia a iniciativa na próxima segunda-feira.
Posteriormente, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o Irã deveria encerrar o conflito neste momento, dado que está em uma posição de força, de acordo com a ISNA. Ele também sugeriu que o mundo “reconheceria” a vitória dos iranianos no conflito.
A mídia estatal do Omã reportou, por sua vez, que os ministros das Relações Exteriores do Irã e de Omã discutiram, hoje, condições para a retomada de negociações envolvendo a gestão do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
Já entre as commodities metálicas, os futuros do ouro operavam em alta de 2,27%, cotados a US$4.620 por onça-troy. Já os futuros da prata avançavam 2,11%, cotados a US$69,50 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em alta de 0,21%, cotado a US$105,27 por tonelada na última madrugada, com a redução dos estoques nos principais portos chineses dando apoio aos preços e equilibrando a pressão de uma queda na lucratividade das usinas siderúrgicas.
Os estoques de minério de ferro nos principais portos chineses caíram 0,27% em relação à semana anterior, para 156,38 milhões de toneladas, segundo dados da consultoria Steelhome.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











