Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
São Paulo, 6/8/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa encerrou em firme queda o pregão desta quinta-feira, pressionado por Vale e bancos, enquanto mercado avaliou, de forma geral, a comunicação da mais recente decisão de juros do Federal Reserve como ligeiramente “hawkish”, o que ofereceu viés altista para os vértices da curva de juros, em meio à pressão do petróleo.
Operadores se preparam, esta noite, para nova bateria de resultados trimestrais, com destaques para números da Petrobras. Nos mercados internacionais, futuros do petróleo aceleraram alta após relatos de supostos ataques do Irã contra alvos hostis, alimentando temores de uma possível reescalada do conflito no Golfo Pérsico.
Ao fim da sessão, o Ibovespa encerrou em queda de 1,23%, aos 175.546 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$19,3 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$16,8 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros encerraram em alta de até 15,5 pontos-base, em meio à repercussão do tom do Copom, bem como do leilão mais robusto de prefixados pelo Tesouro. Avanço do petróleo também favoreceu pressão altista dos juros futuros.
Mais cedo, Tesouro vendeu 15,2 de 16,0 milhões de LTNs para os vencimentos em 2027, 2028 e 2030, bem como lote integral de 2,5 milhões de NTN-Fs para 2031, 2033 e 2037.
Já o dólar futuro operava ao fim do dia em queda de 0,37%, cotado a R$5,133, enquanto o índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de divisas, subia 0,26%, aos 99,9 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Papéis de blue chips, como Vale e do setor financeiro, foram maiores detratores do índice, enquanto Petrobras limitou perdas, diante da alta do petróleo. Para além do Copom, mercado avaliou resultados trimestrais do Bradesco, que mostrou avanço de 16% na base anual do lucro recorrente, enquanto retorno médio sobre patrimônio foi a 16,2%, ante 14,6%. Inadimplência acima de 90 dias do banco foi a 4,3%, avanço de 0,2 ponto percentual, enquanto PDD expandida somou R$9,99 bilhões, avanço de 22,6% na base anual.
Em call de resultados, CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que banco cresce menos em linhas de crédito ao consumidor sem garantia, como crédito pessoal e cartões de crédito, especialmente entre clientes de baixa renda. Estratégia seria uma resposta às altas taxas de juros e ao endividamento do consumidor.
Ainda no front corporativo, investidores preparam-se para resultados trimestrais de Petrobras, após fechamento do pregão. Expectativa é de um segundo trimestre forte, com consenso apontando para crescimento de dois dígitos para receita e Ebitda na base anual, em meio a preços realizados mais altos de petróleo, gás e derivados.
Smart Fit recuou, na maior queda diária desde janeiro, após companhia divulgar resultados considerados “mistos” para o segundo trimestre.
No front econômico, mercado embutiu movimento altista na curva de juros, após decisão do Copom na véspera, quando reduziu a Selic em 25 pontos-base, a 14,00%, em decisão unânime e em linha com o esperado pelo mercado.
O comunicado, mais conciso que o de junho, evitou fechar a porta para uma nova rodada de calibração em setembro, sem, no entanto, sinalizar continuidade explícita. O colegiado passou a reconhecer de forma explícita o balanço de riscos como assimétrico altista, com quatro fatores de alta e três de baixa, e afirmou que monitora “com atenção” a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos.
Entre as leituras do mercado, José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, avaliou que o comunicado deixou claro que a magnitude dos próximos cortes dependerá da evolução dos dados, mantendo os próximos passos em aberto.
Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, viu menos ruído no texto e interpretou a menção à “magnitude do ciclo de calibração” como sinal de que novos cortes devem vir, diante do cenário de atividade mais fraca e inflação em queda.
O Goldman Sachs classificou o comunicado como “mais curto, direto e amplamente neutro” e afirmou esperar disputa em torno de um novo corte na reunião de meados de setembro, embora veja espaço limitado para acomodação adicional no curto prazo.
Já a XP avaliou que o choque de custos e a inflação corrente justificam uma eventual pausa no ciclo, mantendo suas projeções de IPCA em 5,1% para 2025 e 4,2% para 2026, e de PIB em 2% para 2026 e 1% para 2027. O BTG viu espaço para mais um corte em setembro, mas alertou para a possibilidade de pausa ainda neste ano.
No front político, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou haver “uma série de medidas fiscais que ainda serão discutidas pela equipe econômica com Lula”, e atribuiu à dívida pública elevada o nível dos juros. De acordo com ele, o desafio é “reduzir a taxa de juros”.
“Como o juro é alto, estamos tendo no Tesouro Nacional um aumento do endividamento, porque estamos emitindo títulos e pagando juros altos”, afirmou em entrevista à GloboNews.
Em termos de fluxo, a B3 reportou saldo negativo de R$171 milhões do investidor estrangeiro no mercado à vista em 4 de agosto, levando o acumulado de agosto a um saldo negativo de R$119 milhões — embora o saldo no ano se mantenha positivo em R$36,2 bilhões.
📊 AÇÕES
As maiores detratoras do Ibovespa foram as ON da Vale, as PN do Itaú e as ON do Banco do Brasil, que cederam 1,66%, 1,30% e 3,66%, respectivamente.
Já as maiores quedas percentuais figuraram as ON da Smart Fit, da Vamos e da Brava, que recuaram 7,82%, 6,33% e 4,78%, respectivamente.
🇺🇸 EUA
Os índices acionários encerraram em queda, com mercado em compasso de espera antes dos dados do Payroll referentes a julho, na sexta-feira, enquanto o petróleo tinha firme alta, em meio a preocupações envolvendo a gestão do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
Ao fim da sessão, os índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 encerraram em quedas de 0,85%, 0,18% e 0,39%, respectivamente. As Treasuries yields de dois e dez anos operavam em alta de 5,8 pbs e 4,9 pbs, respectivamente, a 4,243% e 4,664%, na mesma ordem.
Operadores aguardavam dados do Payroll de julho, com consenso apontando para geração líquida de 80 mil postos de trabalho em julho, denotando um ritmo de aceleração das contratações no período, em meio à demanda constante por trabalhadores. A taxa de desemprego deverá permanecer em 4,2%.
No entanto, uma eventual aceleração dos dados para além do estimado pelo consenso poderia antecipar expectativas para um próximo aumento de juro.
No front monetário, o Financial Times informou que o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, estaria preparado para apoiar uma alta de juros em setembro caso os próximos indicadores de inflação venham elevados e o mercado passe a precificar maior custo de crédito à frente.
Segundo pessoas próximas a ele, Warsh reconheceu ter cometido erros em suas primeiras dez semanas à frente do Fed e deve usar seu discurso no simpósio de Jackson Hole, em meados de agosto, para detalhar sua proposta de reformas na instituição.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent operavam em firme alta de 4,13%, a US$82,73 por barril, com investidores avaliando relato da agência Fars de que o Irã atacou alvos hostis no Estreito de Ormuz, notícia esta que, se confirmada, potencialmente adicionaria mais um entrave às negociações entre americanos e iranianos.
Antes do relato, os futuros da commodity já subiam, com mercado repercutindo projeto de lei analisado pelo Parlamento do Irã que prevê, entre outros pontos, proibição de navegação de embarcações ligadas aos EUA e a Israel no Estreito de Ormuz.
Já os futuros do ouro operavam ao fim do dia em queda de 0,27%, aos US$4.237 por onça-troy. A prata recuava 0,77%, a US$61,5 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em alta de 2,57%, cotado a US$96,15 por tonelada na última madrugada, à medida que notícias de que Pequim poderia adotar novas medidas de apoio ao setor imobiliário melhoraram o clima de mercado, contribuindo para uma recuperação mais sólida da demanda doméstica por aço.
Existem relatos circulando no mercado de que a China pode implementar novas medidas de apoio ao setor imobiliário, incluindo cortes nas taxas de juros, hipotecas subsidiadas e uma flexibilização das restrições à aquisição de imóveis, disse Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities, à Reuters.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











