Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
São Paulo, 20/07/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa encerrou em leve queda o pregão desta segunda-feira, enquanto vértices da curva de juros tiveram sessão mista, com a cauda longa avançando, em meio à resiliência do petróleo, que na máxima do dia ultrapassou os US$90 dólares por barril, diante de contínuas incertezas envolvendo o conflito militar no Oriente Médio.
Curva de juros também registrou movimento de inclinação após Focus mostrar expectativas desancoradas para mediana de projeções da inflação ao fim de 2028.
Ao fim do dia, o Ibovespa encerrou em queda de 0,20%, aos 173.371 pontos. O volume de negócios na sessão somou R$11,4 bilhões, abaixo da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$17,7 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros encerraram mistos. A cauda curta recuou até 4,5 pontos-base, refletindo a redução da mediana de projeção para IPCA ao fim de 2026 no Focus, ao passo que os vértices intermediário e longo subiram até 4,0 pontos-base.
Já o dólar futuro operava ao fim do dia em queda de 0,44%, aos R$5,107. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, subia 0,20%, aos 100,9 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Mediana de projeção para inflação ao fim de 2028 avançou a 3,78%, ante 3,7%, após três semanas de estabilidade, denotando desafio que o Banco Central terá de promover convergência da inflação à meta no horizonte relevante, que passa a ser o 1T28 a partir da reunião do Copom de agosto.
Já a mediana de projeção para inflação ao fim deste ano recuou a 5,15%, ante 5,16% no terceiro recuo semanal consecutivo – auxiliando no movimento de queda do trecho curto da curva de juros.
Mais cedo, opções digitais da B3 seguiam precificando, de forma majoritária, apostas para corte de 25 pontos-base na decisão de agosto do Copom em 77,4%. Operadores, porém, reduziram estimativas de apostas para corte adicional de 25 pbs em setembro a 45%, ante 50% na sexta-feira.
Ainda no front econômico, balança comercial reportou superávit de US$526,3 milhões entre 13 e 17 de julho, ante superávit de US$2,19 bilhões na semana anterior, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
No front político, operadores preparam-se para o início das convenções partidárias. Nesta segunda, o PDT abre a temporada, confirmando seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O calendário desta semana contempla, ainda, convenção do PL no próximo sábado, 25, que deverá confirmar Flávio Bolsonaro, e PSD confirmando Ronaldo Caiado no domingo, 26. A convenção do PT para confirmar Lula deverá ocorrer em 2 de agosto.
Já pesquisa Datafolha está prevista para ser divulgada na sexta, 24, com novas intenções de voto para pleito presidencial.
No front corporativo, as ações da Vale recuaram, em linha com a queda dos preços do minério de ferro. Amanhã, no pós-mercado a companhia divulgará seu relatório de produção e vendas referente ao segundo trimestre, sob expectativa de que produção de minério de ferro tenha alcançado 83,8 milhões de toneladas, de acordo com consenso da Bloomberg.
📊 AÇÕES
As maiores detratoras do Ibovespa, foram as ON da Vale, da Vibra e do Banco do Brasil, que cederam 1,38%, 2,32% e 1,56%, respectivamente.
Já as maiores quedas percentuais foram as ON da Yduqs, do Assaí e as PNA da Braskem, que recuaram 5,11%, 4,24% e 4,04%, na mesma ordem.
🇺🇸 EUA
Os índices acionários encerraram mistos, enquanto petróleo viveu sessão de oscilações, com investidores reagindo ao agravamento do conflito no Oriente Médio, bem como às tentativas de cessar-fogo propostas por mediadores. Operadores também aguardam início da temporada de resultados do segundo trimestre, com resultados da Alphabet na quarta-feira.
Os índices Dow Jones e S&P500 encerraram em quedas de 0,59% e 0,19%, respectivamente. Já o Nasdaq 100 avançou 0,04%. As Treasuries yields de dois anos subiam 3,2 pontos-base, a 4,215%, enquanto as de dez anos avançavam 4,9 pontos-base, a 4,598%.
O mercado se prepara para o início da temporada de resultados das principais companhias de tecnologia dos Estados Unidos: Alphabet, Tesla e IBM devem divulgar balanços na quarta-feira, e a Intel, na quinta, em meio a preocupações sobre o volume de capex dos hyperscalers e a competitividade frente a startups chinesas de IA.
Em abril, a Alphabet havia elevado a projeção de capex para 2026 ao intervalo entre US$180 bilhões e US$190 bilhões. Investidores também monitoram a concentração dos resultados: estima-se que Micron e Nvidia respondam por cerca de 40% do crescimento dos lucros do S&P 500 no trimestre, com todo o complexo de infraestrutura de IA contribuindo com quase dois terços do crescimento de 22% projetado para o índice.
No mercado asiático, as ações da Alibaba chegaram a subir 5,4% após a companhia lançar uma versão de pré-visualização de seu modelo Qwen 3.8 Max, descrito pela própria empresa como o segundo melhor do mercado, atrás apenas do Fable 5, da Anthropic.
Já a Moonshot AI, startup chinesa que havia gerado preocupações entre investidores na sexta-feira, informou que se prepara para abrir capital em até seis meses.
No Reino Unido, Andy Burnham assumiu como novo premiê após a renúncia de Keir Starmer, prometendo não "correr riscos" com a economia. Ainda assim, os rendimentos dos “gilts” de dois anos - títulos da dívida pública do Reino Unido - avançaram 2,1 pontos-base na sessão, com investidores apreensivos a respeito da abordagem de Burnham com as finanças locais.
Em seu discurso, Burnham também afirmou que buscaria “qualquer flexibilidade” possível, respeitando regras de gastos e empréstimos do governo. A libra esterlina recuava ante o dólar americano. Também hoje, Rachel Reeves renunciou ao posto de chanceler do Tesouro, com John Healey sendo nomeado para o cargo.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent operavam em alta de 0,98%, a US$88,91 por barril, em meio à escalada da tensão entre americanos e iranianos, com agências internacionais reportando fortes explosões em bases americanas na Jordânia. A mídia estatal do Irã, por sua vez, reportou que os EUA atacaram uma instalação industrial no centro do Irã.
Os houthis anunciaram mais cedo uma proibição de navegação para embarcações com destino à Arábia Saudita, abrindo uma nova frente de tensão no Mar Vermelho.
Apesar das tensões ganharem espaço na manhã de hoje, mediadores haviam proposto, mais cedo, um cessar-fogo de dez dias para tentar reativar o acordo provisório que Teerã havia abandonado, de acordo com agências internacionais. Ainda assim, as tensões seguiam presentes.
Os futuros do ouro operavam em queda de 0,22%, cotados a US$4.009,43 por onça-troy. Já a prata avançava 0,88%, a US$56,41 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em queda de 0,39%, cotado a US$111,94 por tonelada na última madrugada, já que a fraqueza sazonal na demanda chinesa por aço e a redução das margens das siderúrgicas superaram o efeito da oferta restrita de algumas cargas de minério de menor teor, após Pequim limitar as importações de determinados produtos da Fortescue.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











