Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
São Paulo, 10/07/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa disparou na sessão desta sexta-feira, registrando o maior avanço diário em mais de três meses, em dia de forte movimento de fechamento nos vértices da curva de juros, após o IPCA de junho surpreender para baixo nas bases mensal e anual, reforçando entre investidores a aposta de que o Banco Central promoverá nova rodada de corte de 25 pontos-base na Selic na decisão do Copom de agosto.
No radar externo, o noticiário sobre o Oriente Médio seguiu volátil ao longo do dia, com diferentes sinais sobre o status do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, mantendo o petróleo como fator de atenção para o mercado antes do fim de semana.
Ao fim do dia, o Ibovespa encerrou em alta de 2,97%, aos 177.866 pontos. Foi o maior avanço diário desde 23 março. Já o volume de negociações somou R$19,0 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$18,3 bilhões. Em termos semanais, o Ibovespa acumulou alta de 2,18%.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros recuaram até 20 pontos-base na sessão regular, reagindo à surpresa baixista do IPCA.
Já o dólar futuro operava em queda de 0,15% cotado a R$5,135, em sessão de oscilações, enquanto o índice Dólar DXY subia 0,05%, aos 100,9 pontos.
🇧🇷 BRASIL
O IPCA de junho veio em 0,16% na base mensal, abaixo da expectativa de mercado, de 0,31%, e desacelerando ante a alta de 0,58% em maio. Na base anual, o índice avançou 4,64%, ante 4,72% em maio e também abaixo do consenso, de 4,80%.
Segundo o IBGE, o grupo Habitação teve a maior variação positiva e o maior impacto no mês, enquanto Alimentação e Bebidas registrou a maior deflação e o maior impacto negativo. A média dos núcleos de inflação desacelerou a 0,21% no mês, ante 0,45% em maio.
As opções digitais da B3 chegaram a precificar, nas máximas da sessão, 89,9% de chances de um corte de 25 pontos-base pelo Copom no próximo mês. Ao fim do dia, encerraram precificando 86% de chances de nova rodada de flexibilização em agosto.
Juntamente com o dado benigno dos preços, o Bank of America revisou sua projeção para a decisão de agosto, passando a projetar corte de 25 pontos-base — ante expectativa anterior de manutenção —, classificando a inflação de junho como
uma “forte surpresa negativa”, com deflação evidente em agregados mais amplos e decomposição mais favorável.
Para a reunião de setembro, contudo, o cenário-base do banco segue sendo de manutenção, ainda que aponte risco de novo corte.
Em termos de fluxo para o mercado à vista, a B3 registrou saída líquida do investidor estrangeiro de R$608 milhões em 8 de julho — dado mais recente disponível. No mês, o saldo acumulado está positivo em R$419 milhões, e no ano, positivo em R$33,4 bilhões.
No radar político, a economista Daniella Marques, coordenadora econômica do plano de governo do senador Flávio Bolsonaro, afirmou à Veja que o Banco Central está “sozinho” no combate à inflação, citando gastos públicos descontrolados e expectativas desancoradas.
Segundo ela, o plano de Flávio contempla o reordenamento de despesas, enxugamento de ministérios, além de mecanismos de controle da trajetória da dívida pública. Ela também defendeu uma “ação forte” sobre ativos da União. Marques afirmou que, ao fim, o objetivo final do plano é promover a redução de impostos à população.
Já no front corporativo, Petrobras avaliaria socorro à Braskem para evitar recuperação judicial, de acordo com a coluna Radar Econômico, da Veja. Segundo a publicação, a petroleira avaliou que sai mais barato injetar capital diretamente na companhia do que bancar o desgaste político, jurídico e financeiro de uma Recuperação Judicial.
📊 AÇÕES
Ao fim da sessão, as maiores contribuidoras do Ibovespa eram as PN do Itaú, as ON da Axia e as PN do Bradesco, que avançaram 4,02%, 4,65% e 4,84%, respectivamente.
Já as maiores variações percentuais do Ibovespa eram as ON da CSN Mineração, da Auren e da CSN, que subiram 8,28%, 8,22% e 7,92%, na mesma ordem.
🇺🇸 EUA
Os índices acionários de Wall Street encerraram em alta na sessão, com investidores aguardando início da temporada de resultados do segundo trimestre, a partir da próxima terça-feira, enquanto a fabricante de semicondutores sul-coreana SK Hynix avançou em sua estreia nos Estados Unidos.
Os índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 avançavam 0,29%, 0,42% e 0,33%, respectivamente. Em termos semanais, os índices S&P500 e Nasdaq 100 acumularam altas de 1,23% e 1,72%, na sequência, enquanto o Dow Jones recuou 0,50%. As Treasuries yields de dois e dez anos subiam 3,4 pbs e 1,2 pbs, respectivamente.
Os recebidos de depósito americanos (ADRs) da SK Hynix avançaram na estreia da companhia na Nasdaq, em comparação com o preço definido do IPO, enquanto ações do setor tiveram desempenho misto.
Para além do IPO da SK, os investidores seguem em compasso de espera antes do início da temporada de resultados. Na terça-feira, 14, JPMorgan, Bank of America, Goldman Sachs, Citigroup e WellsFargo reportarão seus resultados trimestrais. Na quarta-feira, 15, será a ver do Morgan Stanley.
De forma geral, nesta temporada de resultados, investidores estão à procura de sinais de que a demanda por infraestrutura voltada à Inteligência Artificial segue resiliente entre empresas do setor. Olharão, também, para eventual expansão de margens nos resultados corporativos.
💹 COMMODITIES
Os futuros do petróleo Brent oscilavam na sessão, recuando 0,20%, a US$76,15 por barril, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que americanos seguirão em negociações com iranianos, mas reiterar que o cessar-fogo entre os dois países “acabou”.
No entanto, de acordo com agências internacionais, negociadores do Catar encontravam-se no Irã, nesta sexta, para se reunir com autoridades locais, em um esforço para reduzir as tensões e criar condições para que negociações mais amplas continuassem. As conversas seriam conduzidas em coordenação com os EUA.
Entre os metais preciosos, os futuros do ouro operavam em queda de 0,53%, a US$4.101 por onça-troy, enquanto a prata recuava 0,57%, a US$59,6 por onça-troy.
Já o minério de ferro fechou o pregão de hoje na bolsa de Dalian em alta de 0,87%, a US$110,81 por tonelada, impulsionado pela redução sazonal dos embarques australianos, por prêmios nos custos de frete e pela queda dos estoques nos principais portos chineses.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])