Por: Gabriel Ponte e Luca Boni
São Paulo, 11/8/2026
📈 IBOVESPA
O Ibovespa teve maior queda diária em cerca de cinco meses nesta terça-feira, pressionado por crescente sentimento negativo de investidores em relação aos mercados acionários, após JPMorgan rebaixar recomendação para Brasil à “neutra”, ante “compra”, citando volatilidade que se aproxima por período eleitoral.
Mais cedo, ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central corroborou tom ligeiramente “hawkish” presente no comunicado do colegiado da semana anterior, indicando manutenção de política monetária restritiva, enquanto leitura do IPCA referente a julho mostrou viés altista ante consenso, pressionado por métricas de serviços.
Ao fim da sessão, o Ibovespa tombou 2,50%, aos 167.874 pontos. Foi a maior queda diária desde 12 de março, com o índice encerrando no menor nível desde 20 de janeiro. O volume de negócios na sessão somou R$23,5 bilhões, acima da média móvel dos últimos 50 pregões, de R$16,6 bilhões.
💵 JUROS / DÓLAR
Os vértices da curva de juros encerraram a sessão em firme alta de até 9,5 pontos-base, pressionados por estresse local, e leitura altista dos preços do petróleo.
Mais cedo, Tesouro vendeu 1,18 milhão de LFTs, de 1,25 milhão ofertadas, e 358,6 mil NTN-B, de 450 mil ofertadas.
Já o dólar futuro operava ao fim do dia em firme alta de 1,17%, cotado a R$5,193. O índice Dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de divisas, tinha leve alta de 0,02%, aos 99,8 pontos.
🇧🇷 BRASIL
Rebaixamento de recomendação do JPMorgan para mercados acionários do Brasil à “neutra”, ante “compra”, foi o catalisador para o desempenho negativo do Ibovespa na sessão.
Em relatório, o JPMorgan citou o fim iminente do ciclo de redução de juros pelo Banco Central, em meio à desaceleração do crescimento e à piora do ciclo de crédito. O JPMorgan antevê um corte de 25 pontos-base em setembro, seguido de uma longa pausa até o segundo trimestre de 2027.
No front político, o banco pontuou que o vencedor das eleições presidenciais de outubro terá de enfrentar juros reais em patamar de um dígito elevado e déficit fiscal. O JPMorgan também observou uma lateralização dos mercados acionários e do câmbio desde maio, sugerindo haver pouco prêmio ou desconto eleitoral nos preços.
“O Brasil tipicamente tem desempenho inferior nos seis meses que antecedem as eleições. Embora isso não tenha ocorrido em julho, o mercado já está retrocedendo em agosto e deve continuar a fazê-lo à medida que a volatilidade, que tem sido bastante amena, aumenta à frente das eleições.” O banco disse se posicionar de lado diante da volatilidade que se aproxima.
Na esteira do rebaixamento, operadores também citaram uma temporada de resultados mais fraca em âmbito local, o que também reforça o movimento de saída do investidor estrangeiro. Desde o fim da semana anterior, por exemplo, observa-se movimentos de saída.
Na quinta-feira, 6, o fluxo de estrangeiro registrou a maior saída líquida para um dia desde 15 de maio. Já na sexta-feira, 7, o saldo ficou negativo em R$2,26 bilhões, registrando a quarta saída consecutiva de capital do estrangeiro.
Em meio ao estresse pré-eleitoral, vértices intermediários e longos da curva avançam sob viés de maior probabilidade de não alternância presidencial, e perspectiva de não contratação de ajuste fiscal em 2027.
No front econômico, Banco Central divulgou a ata da mais recente reunião de política monetária do Copom, em que reforçou atenção à desancoragem de expectativas, bem como manutenção da política monetária restritiva.
De acordo com o documento, evidências de transmissão da política monetária contracionista para a atividade têm se "acumulado gradualmente". O colegiado disse, porém, que a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo caráter restritivo da política monetária.
O Copom também afirmou que não deve reagir aos efeitos primários de choques, mas que é necessário monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem. O tom da ata continua sendo de cautela, denotando uma autoridade monetária que seguirá dependente de dados.
Entre os indicadores econômicos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho foi de 0,07%, acima do consenso do mercado, que previa alta de 0,03%, mas registrou uma redução frente ao dado de junho, de alta de 0,16%.
Na leitura anual, o índice ficou em 4,44%, ligeiramente acima das expectativas, de 4,40%.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a maior variação e impacto vieram do grupo Habitação. Na ponta oposta, o grupo de Alimentação e bebidas apresentou maior queda.
Em termos qualitativos, serviços subjacentes apresentaram um avanço significativo na comparação mensal, saindo de 0,22% em junho para 0,42% em julho.
No front político, pesquisa CNT/MDA apontou presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48% das intenções de voto em eventual segundo turno, ante 39,1% de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, Lula tem 42,4% das intenções de voto, contra 28,7% de Flávio e 4% de Caiado.
Avaliação positiva do governo Lula permaneceu em 35,3% em agosto, enquanto avaliação negativa avançou a 36,2%, ante 34,3%.
No front corporativo, BTG Pactual recuou 5,77%, registrando maior queda diária desde março de 2026, mesmo após banco reportar lucro acima de todas as estimativas de analistas, impulsionado pelo crescimento das receitas no varejo. Desempenho diário do banco se soma às perdas do setor financeiro, cujo índice perdeu 3,27%, refletindo saída do estrangeiro.
Já as BDRs da JBS recuaram 2,73%, após balanço da companhia reportar prejuízo líquido de US$102 milhões, em meio à maior pressão das margens da unidade de carne bovina na América do Norte.
Em nota, BTG avaliou, porém, que resultados da companhia foram “um pouco melhores que estimadas em todas as frentes”, com quase todos os segmentos da companhia reportando Ebitda acima das expectativas. A geração do fluxo de caixa livre reportada pela companhia melhorou na base anual.
📊 AÇÕES
As maiores detratoras do Ibovespa foram as ON da Vale, as PN do Itaú e as PN da Petrobras, que recuaram 2,02%, 3,51% e 1,35%, respectivamente.
Já as maiores quedas percentuais figuraram as PNA da Usiminas, as Units do BTG Pactual e as ON da RD Saúde, que cederam 7,54%, 5,77% e 5,68%, respectivamente.
🇺🇸 EUA
Os índices acionários de Wall Street encerraram em queda, enquanto futuros do petróleo avançavam, em meio ao contínuo impasse entre americanos e iranianos a respeito do Estreito de Ormuz. Operadores também optaram por compasso de espera antes dos dados de inflação ao consumidor, na quarta.
Os índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 encerraram em quedas de 0,34%, 0,32% e 0,33%, respectivamente. As Treasuries yields de dois e dez anos recuavam 1,7 pbs e 1,3 pbs, respectivamente.
A falta de avanços construtivos no front da guerra levou investidores a reduzirem apostas de risco e aguardarem dados da inflação ao consumidor, na quarta-feira. A inflação ao consumidor dos EUA deverá avançar 0,1% na base mensal em julho. Já na base anual, deverá desacelerar ritmo de alta a 3,4%.
O núcleo da inflação, que exclui itens voláteis, deverá avançar 0,2% na base mensal em julho, ante leitura estável em junho. Já na base anual, deverá desacelerar ritmo de alta a 2,5%, ante 2,6%. Os dados serão reportados às 9h30.
A leitura da inflação de julho ganha relevância neste momento, já que investidores se encontram em busca de novos sinais sobre a trajetória de juros do Federal Reserve, após os dados do Payroll de sexta-feira terem arrefecido as apostas para uma alta imediata em setembro.
💹 COMMODITIES
Os futuros do brent aceleraram trajetória de alta ao fim da tarde, avançando 1,55%, a US$89,09 por barril, após relatos de explosões ao sul do Irã, e continuidade de impasse envolvendo americanos e iranianos acerca de um acordo para viabilizar a gestão do tráfego marítimo em Ormuz.
Agências de Israel reportaram, mais cedo, relatos de explosões em Sirik, ao sul do Irã, com possíveis lançamentos em direção ao Estreito de Ormuz.
Mais cedo, o conselheiro do Líder Supremo do Irã afirmou em publicação que o Estreito de Ormuz não será reaberto até que as condições iranianas sejam atendidas. Posteriormente, o líder do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, afirmou que os EUA devem encerrar o conflito e liberar fundos iranianos bloqueados (pela reabertura de Ormuz).
Os futuros do ouro operavam em queda de 0,49%, cotados a US$4.369,55 por onça-troy. Já a prata recuava 1,51%, a US$64,68 por onça-troy.
No minério de ferro, o contrato futuro na bolsa de Dalian fechou em alta de 1,26%, cotado a US$106,96 por tonelada na última madrugada, impulsionados pela redução da oferta no curto prazo e pela alta nos custos de frete, enquanto os preços do petróleo se mantiveram próximos às máximas de uma semana.
(LB + GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])











