Por: Gabriel Ponte
BrasÃlia, 29/7/2026 - O Federal Reserve manteve a taxa-alvo Fed funds inalterada no intervalo entre 3,50% e 3,75% na reunião desta tarde, por nove votos a três, em decisão que foi considerada pelos agentes econômicos como uma das mais incertas nos últimos anos, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio e à elevação dos preços do petróleo.
A decisão desta tarde teve dissidência de três membros votantes. Beth Hammack, Lorie Logan e Neel Kashkari votaram por alta de 25 pontos-base na decisão, em movimento em grande parte já esperado pelos agentes de mercado, embora o número de três dissidentes tenha sido um pouco acima do consenso prévio de dois.
O chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, concederá entrevista coletiva às 15h30, quando deverá ser questionado sobre perspectivas para a economia e sua função de reação. Foi a quinta manutenção consecutiva dos juros pelo colegiado.
Em comunicado, o FOMC reiterou que buscará a estabilidade de preços, e repetiu que a atividade econômica tem se expandido a um ritmo sólido, apesar da elevada incerteza que se deve, em parte, ao conflito no Oriente Médio.
Também de acordo com o colegiado, a inflação permanece elevada em relação à meta de 2%, refletindo, em parte, choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em certos setores, incluindo o de energia.
No comunicado, o FOMC também repetiu que o crescimento da produtividade e o investimento de capital são fortes, e pontuou que seguirá com sua polÃtica de manter reservas amplas no sistema bancário.
REAÇÃO DE MERCADOS
Após a decisão, os principais Ãndices americanos arrefeceram a trajetória de queda na sessão. Por volta das 15h15, Dow Jones, S&P500 e Nasdaq 100 recuavam 1,31%, 0,37% e 0,28%, respectivamente. O Ãndice dólar DXY acelerou as perdas, e caÃa 0,22%, aos 101,16 pontos.
Já os rendimentos dos Treasuries yields reagiram com movimentos de intensidade distintos. Os yields de dois anos passaram a recuar 1,2 pontos-base, a 4,273%, enquanto os de dez anos arrefeceram os ganhos para 3,0 pontos-base, a 4,635%.
WARSH: UMA INCÓGNITA
Os mercados têm navegado à s cegas a respeito dos próximos passos do banco central desde que Warsh assumiu como chair do Fed em maio, incorporando o estilo de condução de polÃtica monetária de Alan Greenspan (presidente do Fed entre 1987 e 2006), e favorecendo a ausência de sinalizações a respeito dos próximos passos.
Warsh tem prometido restaurar a estabilidade de preços em suas aparições públicas desde então, embora não forneça nenhuma pista sobre a direção futura da polÃtica monetária, esquivando-se de questionamentos sobre perspectivas econômicas ou sua função de reação.
Na coletiva de instantes, os investidores podem se preparar para novas respostas evasivas, a exemplo do presenciado em junho. Ou seja, ao fim das contas, Warsh compra tempo antes da decisão de setembro, evitando se comprometer com direção alguma.
Assim sendo, o perfil de Warsh perante agentes econômicos segue sendo uma incógnita: para um grupo, o chair do Fed é um banqueiro central que adota uma postura firme, em termos de discurso, para ganhar credibilidade e manter as condições financeiras sob controle – embora sem a intenção de elevar os juros.
Para outro grupo, no entanto, Warsh é alguém inerentemente ou estrategicamente agressivo. Para estes, essa visão poderia se confirmar em um cenário hipotético de elevação de juros pelo FOMC adiante.
(GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])







