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👉 Fed mantém juro inalterado na primeira decisão de Warsh; autoridades se dividem sobre possível aumento de juro este ano

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Por: Gabriel Ponte 


 


Brasília, 17/6/2026 - O Federal Reserve manteve o juro inalterado no intervalo entre 3,50% e 3,75% na reunião desta tarde, em decisão unânime, com nove de 18 participantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) projetando aumento da taxa de juros em 2026.  


 


O chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, concederá entrevista coletiva às 15h30.  


 


Em comunicado, o FOMC removeu a referência a ajustes adicionais na taxa de juros, conforme esperado por participantes do mercado. O comunicado desta tarde, o primeiro sob a gestão de Warsh, também foi reformulado em relação aos prévios referentes ao ex-chair Jerome Powell.  


 


No comunicado reescrito, o FOMC afirmou que o crescimento da produtividade e o investimento de capital são fortes. Também disse que a criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho e a taxa de desemprego apresentou pouca variação.  


 


O colegiado também apontou que a atividade econômica tem se expandido a um ritmo sólido, apesar da elevada incerteza que se deve, em parte, ao conflito no Oriente Médio. 


 


De acordo com o FOMC, a inflação permanece elevada em relação à meta de 2% do colegiado, refletindo, em parte, choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em certos setores, incluindo o de energia. Também disse que buscará a estabilidade de preços.  


 


O FOMC também reafirmou a política de manter reservas amplas no sistema bancário.  


 


‘DOT-PLOT’ 


 


O relatório trimestral “Dot-Plot” mostrou que as autoridades estão divididas sobre a possibilidade de aumentar os juros até o fim de 2026, com nove das 18 autoridades prevendo um aumento.  


 


A mediana de projeções do estafe do Fed para os juros ao fim deste ano avançou a 3,8%, ante 3,4%. Para 2027, foi a 3,6%, ante 3,1%. Já para 2028, avançou a 3,4%, ante 3,1%.  


 


Mediana para crescimento da atividade econômica dos Estados Unidos, neste ano, recuou a 2,2%, ante 2,4%. Para 2027, manteve-se em 2,3%. Já para 2028, foi a 2,2%, ante 2,1%.  


 


A mediana de projeção para a taxa de desemprego para este ano recuou a 4,3%, ante 4,4%. Para 2027, manteve-se em 4,3%. Também seguiu inalterada em 2028 a 4,2%.  


 


A mediana de projeção para a inflação medida pelo PCE avançou significativamente neste ano a 3,6%, ante 2,7%. Para 2027, avançou a 2,3%, ante 2,2%. Já para 2028, manteve-se em 2,0%.  


 


Já a mediana de projeção para o núcleo da inflação medida pelo PCE avançou neste ano a 3,3%, ante 2,7%. Para 2027, foi a 2,5%, ante 2,2%. Já para 2028, avançou a 2,1%, ante 2,0%.  


 


Uma autoridade do Fed não apresentou nenhuma projeção para a taxa de juros, de acordo com a Bloomberg.  


 


REAÇÃO DE MERCADOS 


 


Após a decisão, os principais índices americanos reverteram a trajetória de alta e passaram a cair. Por volta das 15h15, o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq 100 recuavam 0,13%, 0,33% e 0,05%, respectivamente. 


 


Já os rendimentos dos treasuries yields aceleraram os ganhos: o vencimento de dois anos subia 8,2 pontos-base, a 4,132%, enquanto o de dez anos avançava 1,6 ponto-base, a 4,455%. O índice do dólar DXY, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de divisas, também ganhou tração, alcançando os 99,98 pontos, com alta de 0,45%. 


 


ESTREIA NO FOMC 

 


A reunião desta tarde marca a estreia de Warsh como chair do Fed, e uma mudança de conjuntura macroeconômica ante 2025. Se antes Warsh argumentava que a Inteligência Artificial provaria ser uma força desinflacionária, possibilitando cortes de juros pela autoridade monetária, agora ele tem de lidar com um boom de desembolsos de capex por companhias tecnológicas que têm pressionado os preços no curto prazo.  


 


Além disso, a incursão dos Estados Unidos no Oriente Médio, com a guerra deflagrada contra o Irã em fevereiro, levou ao fechamento do Estreito de Ormuz e, consequentemente, ao quarto choque de oferta experimentado pela economia global nos últimos seis anos. Desde então, a curva de juros deixou de precificar cortes de juros pelo FOMC, passando a projetar inclusive o risco de alta ao fim deste ano. 


 


Por fim, o mercado de trabalho voltou a mostrar sinais de estabilidade em dados recentes, removendo viés de preocupação - inclusive entre membros mais dovishs – acerca dos riscos baixistas sobre o emprego.  


 


Nos discursos recentes de membros do FOMC, há uma clara observância de que os riscos altistas da inflação se sobrepõem a eventuais riscos baixistas do mercado de trabalho. É sob esse panorama que Warsh irá se encontrar nesta tarde ao conceder sua primeira entrevista coletiva de imprensa como chair. 


 


Warsh possui posição histórica contrária à realização de coletivas de imprensa pelo banco central, assim como oposição à divulgação de projeções trimestrais dos membros do FOMC. Em sabatina perante o Comitê Bancário do Senado, em abril, ele evitou se comprometer com a continuidade das coletivas regulares e criticou o excesso de comunicação do Fed. Em 2025, já havia afirmado a investidores que o Fed deveria “pensar mais e falar menos”.  


 


Ainda assim, é uma contradição: Warsh terá de subir ao púlpito, às 15h30, para explicar projeções do estafe do Fed que ele minimiza, e terá de responder a cerca de 50 minutos de questionamentos que ele, por si próprio, preferia não realizar.  


 


(GP | Edição: Equipe Mover | Comentários: [email protected])